As piodermites constituem um conjunto de patologias dermatológicas causadas por infecções bacterianas, possuindo como principais agentes etiológicos o Staphylococcus Aureus e Streptococcus pyogenes.
Além da classificação etiológica, essas afecções também podem ser separadas por meio da profundidade das camadas da pele e estruturas acometidas.
Quais são os tipos de piodermites?
Existem diferentes tipos de piodermites, cada uma caracterizada por sintomas específicos e localizações na pele.
Alguns dos tipos comuns incluem:
- Impetigo
- Foliculite
- Celulite
- Forunculose e carbúnculo
- Erisipela
- Abscesso cutâneo
- Hidradenite supurativa
Impetigo: qual a clínica dessa doença?
Os impetigos são infecções primárias da pele, contagiosas, de localização superficial. Essas doenças podem ser causadas por estafilococos e estreptococos. Acomete principalmente a faixa etária pediátrica e clinicamente, divide-se em dois grupos principais, o:
- Impetigo bolhoso
- Não bolhoso
Impetigo não bolhoso
O impetigo não bolhoso é o mais frequente, sendo causando principalmente por infecção pelo Streptococcus pyogenes. Ocorre majoritariamente em torno do nariz e da boca e nas extremidades.
Clinicamente, apresenta-se como uma mácula eritematosa que evolui para bolha e/ou vesícula de paredes finas. Assim, acaba resultando em uma crosta espessada com coloração amarelada, conhecida como crosta melicérica.

Impetigo bolhoso
O impetigo bolhoso é causado exclusivamente pelo Staphylococcus Aureus. Acontece principalmente em neonatos e crianças. Possui como características clínicas o surgimento de vesículas que rapidamente se transformam em bolhas grandes que sofrem processo de pustulização.
Basicamente, o tratamento dos impetigos é realizado com a administração de antibióticos e limpeza local das lesões.

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Ectima: infecção estreptocócica e estafilocócica
A ectima pode ser resultado tanto de infecção estreptocócica quanto estafilocócica.
O ectima se manifesta como úlceras ou feridas na pele, muitas vezes começando como pápulas (elevações sólidas e pequenas) que evoluem para pústulas (pequenas bolhas cheias de pus) e, eventualmente, formam crostas.

A localização é preferencialmente nos membros inferiores. Pode ser única, mas, em geral, há várias lesões. Além dos cuidados de higiene local, em muitos casos pode ser necessário antibiótico sistêmico contra estreptococo.
Fatores de risco para desenvolvimento de ectima
Pessoas com sistemas imunológicos comprometidos, condições de saúde subjacentes, ou que vivem em condições de higiene precárias podem ter maior suscetibilidade ao ectima.
Tratamento do ectima
O tratamento para o ectima geralmente envolve o uso de antibióticos, tanto tópicos quanto orais, para combater a infecção bacteriana.
Em casos mais graves, pode ser necessário drenar o pus das lesões.
Erisipela: como manejar essa doença?
A erisipela é uma infecção aguda da derme, com importante comprometimento linfático. Em aproximadamente 75% dos casos, é causada por infecção pelo estreptococo beta hemolítico do grupo A.
Clinicamente, é caracterizada por eritema intenso e edema doloroso com bordas bem delimitadas, podendo evoluir para surgimento de bolhas e até mesmo necrose ulcerativa, ocorrendo na maioria dos casos nas extremidades dos membros inferiores.

Piodermites: manejo da erisipela
A terapia antibiótica é a base do tratamento para erisipela. Antibióticos, como a penicilina, cefalosporinas ou outros agentes eficazes contra as bactérias responsáveis, são prescritos por um profissional de saúde. A duração do tratamento pode variar, mas é essencial completar todo o curso de antibióticos, mesmo que os sintomas melhorem antes.
Recomenda-se descanso e elevação da área afetada para reduzir o inchaço e promover a circulação sanguínea adequada. Isso ajuda na recuperação e no alívio dos sintomas.
Analgésicos ou anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) podem ser utilizados para controlar a dor e reduzir a inflamação.
Prevenção da erisipela
Para evitar crises recorrentes de erisipela, é crucial adotar cuidados higiênicos locais:
- Manter os espaços entre os dedos sempre limpos e secos
- Tratar adequadamente frieiras
- Evitar e tratar ferimentos nas pernas
- Esforçar-se para manter as pernas desinchadas são práticas fundamentais.
Recomenda-se evitar ganho de peso excessivo, assim como minimizar períodos prolongados de imobilidade, seja em pé, sentado ou parado. O uso regular de meias elásticas representa uma valiosa estratégia no combate ao inchaço. Além de praticar o repouso com as pernas elevadas sempre que possível.
Piodermites: celulite
Constitui uma infecção aguda da hipoderme associada a comprometimento linfático, ou seja, é o mesmo processo da erisipela acometendo uma camada mais profunda da pele, nesse caso, a hipoderme.
Em sua grande maioria, possui como principal agente etiológico o estreptococo, embora possa ter outras etiologias.
O quadro clínico é relativamente semelhante à erisipela, apresentando eritema e edema difuso com bordas mal delimitadas. O tratamento consiste em repouso, elevação do membro, analgesia e antibioticoterapia sistêmica.
Foliculites: infecções estafilocócicas
As foliculites são um grupo de piodermites que abrangem todas as infecções estafilocócicas que atingem o folículo pilossebáceo.
A foliculite ostial, também conhecida como impetigo de Bockhart, é a formação de uma lesão infectada caracterizada por pequena pústula centrada por um pelo, capaz de atingir qualquer região do corpo. Apresenta número variável de lesões e podem ser bastante pruriginosas.
Causas da foliculite
Uma das principais causas é a depilação com lâminas, pois favorece a instalação do processo infeccioso, uma vez que causa micro lesões na pele, favorecendo a infecção bacteriana.
Esse tipo de foliculite é tratada com o uso de antibiótico tópico.
Tipos de foliculite profunda
Dentro do grupo das foliculites profundas, as principais são o hordéolo, foliculite decalvante, sicose da barba e foliculite queloidiana.
Hordéolo, conhecido popularmente como terçol, é a infecção profunda dos folículos ciliares e glândulas de Meibomius. A lesão característica do hordéolo é a presença de placa papulopustulosa de base eritematosa centrada por pelo na região dos cílios.
A foliculite decalvante é profunda, caracterizada por pústulas superficiais que provocam depilação completa e definitiva dos pelos acometidos. A doença tem curso crônico, e, devido a fibrose formada, os fios restantes podem emergir da mesma abertura folicular, dando aspecto de “cabelo de boneca”, condição chamada de politríquia. É mais prevalente nos adultos do sexo masculino.
A sicose ou foliculite da barba, é caracterizada clinicamente por pústulas foliculares de elevada cronicidade que tendem a confluência. Pode possuir etiologia bacteriana, fúngica ou viral, entretanto, a principal etiologia é bacteriana, por infecção do S.Aureus. É mais comum em pacientes que também possuem dermatite seborreica.
A foliculite queloidiana, constituem pústulas que confluem e levam a formação de fistulas e fibrose de aspecto queloidiano. É especialmente comum em região da nuca.
Furúnculo: piodermite por infecção estafilocócica
O furúnculo é uma infecção estafilocócica aguda e necrosante do aparelho pilossebáceo. Sua apresentação clínica é uma lesão eritematoinflamatória bastante dolorosa, centrada por pelo, com evolução para necrose central (carnegão).
Acontece principalmente em regiões pilificadas e sujeitas a fricção, e é mais comum em homens jovens. Quando ocorre confluência de vários furúnculos a lesão é chamada de carbúnculo, snedo mais comum em imunodeprimidos e diabéticos.
Paroníquea: infecção na região periungueal
A paroníque é a infecção bacteriana da região periungueal, que pode surgir nos dedos dos pés ou das mãos. É decorrente de infecção oportunista após trauma prévio da região.
Lesão na cutícula é um dos principais fatores, portanto, é comum em pessoas que costumam removê-las, principalmente durante procedimentos estéticos.

Clinicamente pode ser observada área eritematosa com presença de coleção purulenta na região periungueal. O tratamento é feito com antibiótico sistêmico (cefalosporina 1° geração) e drenagem para alívio da dor.
Textos Colunistas
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: esse material foi produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido.
Autor: Allison Diego
Instagram: @allison_diego
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Referências bibliográficas
- AZULAY, R. D. Dermatologia, 7 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.