Anúncio

Pinça DeBakey: história e aplicações | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

A intervenção cirúrgica pode ser definida como um conjunto de gestos manuais ou instrumentais que o médico cirurgião executa para a realização de um ato com finalidade terapêutica, estética ou diagnóstica.

As cirurgias são constituídas por tempos cirúrgicos, considerados procedimentos simples e denominados diérese, hemostasia e síntese, que associados permitem a realização de operações complexas.

Dentre os diversos instrumentos cirúrgicos, as pinças são fundamentais no processo de hemostasia e preensão, destacando a pinça de DeBakey devido a sua larga utilização.

Diérese

É uma manobra cirúrgica destinada a criar uma via de acesso aos tecidos. Pode ser classificada como mecânica ou física. A diérese mecânica é realizada com o auxílio de instrumentos cortantes para realização de punção, secção, divulsão ou dilatação. A diérese física é realizada com o auxílio de recursos especiais como o bisturi elétrico, o nitrogênio líquido e o uso do laser.

Os requisitos fundamentais para uma via de acesso são: ter uma extensão suficiente para uma boa visibilidade; apresentar bordas nítidas, o que favorece a cicatrização; atravessar os tecidos respeitando a anatomia regional e um plano de cada vez; por fim, não deve comprometer grandes vasos e nervos.

Hemostasia

A palavra grega hemo significa sangue e stasis significa interrupção, logo a hemostasia consiste no processo de prevenir, diminuir ou deter o sangramento, garantindo uma boa visibilidade do campo operatório e melhor condição técnica. É classificada em relação ao tempo (temporária ou definitiva) ou por finalidade (preventiva ou corretiva).

A hemostasia temporária pode ser realizada no campo operatório ou a distância com o objetivo de interrupção momentânea do sangramento. Já a hemostasia definitiva interrompe para sempre a circulação do vaso. Quando é feita antecipadamente, é considerada preventiva e, se realizada após a instalação da lesão, é considerada corretiva.

Síntese

A aproximação das bordas de tecidos seccionados ou ressecados é conhecido como síntese. Tem como objetivo de manter a continuidade dos tecidos, o que irá favorecer o processo de cicatrização. Os materiais empregados devem ser resistentes a trações e tensões e devem promover pouca reação adversa ao corpo.

Os instrumentos mais utilizados na síntese são: agulhas, pinças, porta-agulhas e fios. A síntese cirúrgica, associada à cicatrização, tem o objetivo de restaurar a continuidade dos tecidos recuperando a lesão que foi feita durante o processo de diérese. O resultado da síntese será mais fisiológico quanto mais anatômica for a diérese.

Pinças cirúrgicas e a pinça DeBakey

Existe uma quantidade enorme de pinças cirúrgicas, com finalidades distintas conforme o tipo de tecido. As pinças hemostáticas são instrumentos usados para pinçar os vasos sanguíneos, sendo utilizada para ocluir as extremidades dos vasos, desta maneira estabelecendo a hemostasia.  Geralmente as pinças hemostáticas possuem o nome dos seus criadores. Elas podem estar disponíveis com pontas retas ou curvas, em tamanhos variados e são classificadas como traumáticas ou não traumáticas.   

Pinças hemostáticas traumáticas são instrumentos preensores, dotados de travas ou cremalheiras para realizarem uma hemostasia temporária, o procedimento é realizado na extremidade do vaso, até que a hemostasia seja feita definitivamente, e deve ser pinçado apenas o vaso, com o mínimo de tecido adjacente possível. Já as pinças hemostáticas não traumáticas têm como finalidade ocluir a circulação de vasos sanguíneos. O vaso deve ser pinçado o suficiente para minimizar o trauma vascular através da oclusão do fluxo de sangue.

A pinça não traumática mais conhecida é a de DeBakey, que recebeu o nome do cirurgião cardíaco libanês-americano Michael DeBakey (1908-2008). O Dr. DeBakey foi um cientista que desenvolveu dispositivos de assistência ventricular e corações artificiais, também foi um grande educador médico e um dos mais importantes cirurgiões cardiovasculares do século XX, sendo o pioneiro nas cirurgias de revascularização do miocárdio com enxerto safeno, endarterectomia carótida e aneurisma. A pinça DeBakey é um instrumento cirúrgico não cortante, articulado e de tecido vascular, podendo ser utilizada em todas as especialidades, devido à sua grande capacidade de proporcionar uma maior segurança no procedimento cirúrgico sem causar danos aos tecidos. É produzida em aço inoxidável, alongada, apresenta uma ponta romba e um conjunto de finos serrilhados paralelos que percorrem a parte central do seu comprimento. Frequentemente é utilizada para sustentação e fixação dos tecidos, sendo muito comum em cirurgias vasculares (Figura 1).

Pontos-chave

  • Os procedimentos cirúrgicos são divididos em tempos cirúrgicos (diérese, hemostasia e síntese).
  • Diérese consiste no rompimento da continuidade dos tecidos para o acesso as estruturas.
  • Manobras manuais ou instrumentais utilizadas para prevenir ou deter o sangramento são conhecidas como hemostasia.
  • O restabelecimento da continuidade através da união das bordas é conhecido como síntese.
  • As pinças têm como objetivos a hemostasia e a preensão de estruturas, podem ser traumáticas e não traumáticas.
  • A pinça DeBakey é amplamente utilizada devido à segurança que proporciona por não gerar agressão ao tecido. É um instrumento alongado, com uma ponta romba e apresenta um conjunto de finos serrilhados paralelos que percorrem a parte central do seu comprimento.

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

GOFFI, F. Técnica Cirúrgica: Bases Anatômicas, Fisiopatológicas e Técnicas da Cirurgia. 4° ed. São Paulo: Atheneu, 2007.

NEMITZ, R. Surgical Instrumentation – An interactive approach. 3° ed. Missouri: Elsevier, 2019.

MEDEIROS, A. et. al. Intervenções fundamentais em cirurgia: diérese, hemostasia e síntese. Journal os Surgical and Clinical Research. v. 9, n. 2, p. 54-74, set. 2018.

MORIY, T. et. al. Surgical instrumentation. Medicina – Ribeirão Preto. v. 44, n. 1, p. 18-32, 2011.

https://adm.online.unip.br/img_ead_dp/37673.pdf

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀