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Parasitoses: o que são, causas e como manejar o paciente

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Entenda o que são as parasitoses, quais são os tipos mais comuns no Brasil e como fazer o manejo dessas condições. Bons estudos!

As parasitoses são doenças muito comuns no atendimento primário em saúde. Assim, conhecer as apresentações mais comuns é fundamental para o seu atendimento e a escolha da melhor abordagem para o seu paciente.

Classificação dos parasitas: conhecimento importante para as parasitoses

Os parasitas podem ser categorizados quanto localização, dependência do hospedeiro para sobrevivência, tamanho e tipo de organismo.

Os parasitas podem ser da classe dos protozoários, helmintos e artrópodes. Esses três grupos se diferenciam em termos de ciclo de vida e dependência do hospedeiro. Em termos de tamanho, podem ser macroparasitas (multicelulares) ou microparasitas (unicelulares).

Quanto à localização, esses seres podem ser ectoparasitas, vivendo e se alimentando do sistema tegumentar do hospedeiro. Como exemlo desse grupo, temos os carrapatos e mosquitos. Por outro lado, os endoparasitas são os que vivem dentro do hospedeiro, caracterizando as parasitoses, como os helmintos.

Quanto à dependência do hospedeiro, os parasitas obrigatórios são aqueles que não conseguem completar o seu ciclo de vida sem um hospedeiro. Já os facultativos, não requerem um hospedeiro para completar seu ciclo de vida e adotam comportamento parasitário somente se necessário.

Epidemiologia das parasitoses no Brasil e no mundo

São as doenças mais comuns em países em desenvolvimento, afetando cerca de 49 milhões de crianças menores de 15 anos em 30 países da américa latina.

Globalmente, há aproximadamente 1 bilhão de pessoas com áscaris e um pouco menos com Trichuris, o que demonstra a alta incidência e prevalência.

Helmintos: como ocorre a parasitose por esse parasita

Os helmintos apresentam um formato chato e cilíndrico. São pluricelulares, visíveis ao olho nu, com sistema nervoso e muscular rudimentar.

A reprodução dos helmintos ocorre por oviposição ou de forma sexuada. Assim, eles depositam ovos no meio externo, que se transformam em larvas, maturadas até a forma adulta. Na forma sexuada, por heterofecundação (machos e fêmeas) e autofecundação (hermafroditas).

O grupo dos helmintos ainda pode ser dividido em platelmintos, achatados, sendo eles:

  • Trematódeos (vermes chatos, não segmentados): Schistosoma mansoni;
  • Cestódeos (vermes chatos, segmentados em forma de fita): Taenias solium e saginata e Hymenolepis nana;
  • Nematelmintos (vermes cilíndricos, não segmentados): Ascaris lumbricoides, Ancylostoma duodenale, Necatos americanos, entre outras.
Ascaris lumbricoides | Biomedicina Padrão
Figura 1: nematelminto Ascaris lumbricoides.

Protozoários e as suas parasitoses

Os protozoários são organismos microscópicos, unicelulares e nucleados, com ciclos de vida complexos. Pensando nisso, não apenas doenças gastrointestinais podem ser causadas por esse grupo, mas também hematológicas e até mesmo oculares.

As distintas parasitoses causadas por protozoários variam considerando o protozoário causador da doença. Pensando nisso, os mais clinicamente comuns costumam ser Entamoeba histolytica, Giardia lamblia e Cryptosporidium parvum.

Entamoeba histolytica: entenda essa parasitose

A Entamoeba histolytica é um protozoário do tipo ameba, que se movimenta por pseudópodes, causando a amebíase intestinal.

As regiões mais comuns de apresentação desse protozoário são as tropicais e subtropicais. Assim sendo, além da América do Sul, a América Central, África e Sul da Ásia são comuns. Com isso percebemos a semelhança entre essas regiões: recursos limitados e saneamento básico precário.

A partir dessa informação, correlacionamos o meio de transmissão dessa parasitose: fecal-oral. Por esse motivo, populações que estão expostas a solos contaminados, caixas de areias ou a animais estão mais vulneráveis a essa parasitose.

Uma possível complicação dessa parasitose é o abcesso hepático amebiano.

Atlas Virtual de Parasitologia
Figura 2: Entamoeba histolytica ao microscópio.

Manifestações clínicas das parasitoses

A intensidade dos sintomas depende de vários fatores individuais, , parasitários e ambientais.

Quanto aos individuais, pacientes em desnutrição e comprometimento imunológico costumam estar mais vulneráveis à parasitoses e suas complicações. Os fatores parasitários, por sua vez, incluem carga parasitária e virulência. Quanto às ambientais, a habitação e hábitos higiênicos podem contribuir ou prejudicar essas condições.

Em geral, os sintomas mais comuns são:

  • Sintomas do TGI: diarreia, má absorção, náuseas, vômitos, dor abdominal, prurido anal;
  • Alterações hematológicas: eosinofilia, anemia ferropriva;
  • Sintomas dolorosos (Sindrome de Loeffler): Relacionada a parasitas com passagem pulmonar (strongiloide; necator, a. lumbicoides);
  • Outros: Perda ponderal, hepatoesplenomegalia, febre e dermatite perianal.

Além destes sintomas, cada parasita pode se apresentar com sinais e sintomas peculiares, listados a seguir:

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Figura 3: Sintomas especiais causados por parasitoses.

Diagnóstico das parasitoses: como suspeitar dessa condição

O acompanhamento atento dos pacientes deve ser uma prática mandatória do médico generalista e do médico de medicina de família e comunidade. Sendo assim, a suspeição da parasitose é feita a partir do quadro clínico do paciente.

Apesar disso, a confirmação do quadro é feita pela visualização de helmintos eliminados ou positividade de algum método de diagnóstico. Embora esse seja o meio de diagnosticar, o tratamento não deve ser retardado diante de uma forte suspeita.

O parasitológico de fezes é o método mais econômico e de mais fácil execução, porém sua positividade é de 50% aumentando para 90% se foram coletadas 3 amostras.

Por outro lado, alguns fatores podem dificultar a obtenção do positivo parasitológico. Algumas delas podem ser:

  • Qualidade da amostra (pode ser comprometida devido ao uso de medicamentos como antiácidos, laxantes, ATB…);
  • Tempo decorrido entre a coleta e processamento (após 20 min os trofozoítos já degeneram);
  • Variedade de métodos de diagnóstico (nem sempre o método é o mais adequado).

Diagnóstico das parasitoses por helmintíases

As parasitoses por helmintos são diagnosticadas pelas amostras fecais ou de outras amostras com presença de ovos, larvas ou, às vezes, vermes adultos.

O exame macroscópico das fezes quanto à sua cor, consistência, a visualização da presença de qualquer verme ou seus segmentos, ou de sangue ou de muco pode dar uma pista sobre o agente etiológico.

Devido à eliminação intermitente de ovos e/ou larvas e à variação da carga da infestação, várias amostras (pelo menos três) coletadas durante o período de 10 dias são mais detectadas para detectar parasitas. Outros podem ser: hemograma, sorologia, testículos moleculares e exames etc.

Técnicas disgnósticas para a identificação de parasitoses

A microscopia direta é uma técnica essencial para a visualização e confirmação de parasitoses.

Além dela, o médico pode lançar mão de outras técnicas e, eventualmente, mais baratas ou disponíveis. Entre elas temos:

  1. Microscopia direta: observação de ovos e larvas de helmintos em lâmina de microscópio contendo esforço de amostra das fezes.
    Os métodos de concentração fecal aumentam a sensibilidade diagnóstica quando a quantidade de organismos é pequena. Já a contagem de ovos é um método mais comumente empregado para quantificação de ovos helmínticos, sendo muito útil para avaliar a carga parasitária. As técnicas de FLOTAC e mini-FLOTAC são métodos de contagem mais recentes que usam a centrifugação como método.
  2. Métodos de Graham (fita adesiva): Específico para ovos de taenia e para enterobius vermiculares, onde o prurido anal leva a suspeita diagnóstica. A técnica é simples, acompanhando-se os ovos que ficam na região anal, perianal e perineal pela parte adesiva.
  3. Cultura: A cultura é usada principalmente para recuperar S. stercoralis, que é vivíparo.

Mais especificamente, o médico pode lançar mão das técnicas disponíveis abaixo:

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Outros exames relevantes no diagnóstico e avaliação de parasitoses

Um compilado de exames podem ser realizados na suspeita de pacientes com parasitoses. Dentre eles, encontramos:

  1. Teses sorológicos: Em situações em que Sample fecais não estão disponíveis, a sorologia pode ter um papel no diagnóstico.
    Existem duas categorias de testes sorológicos: detecção de antígenos e ensaios de detecção de detecção. Estes incluem ELISA, imunofluorescência indireta, imunofluorescência direta, imunoblot e imunocromatografia.
  2. Biologia Molecular: Os avanços nas técnicas de biologia molecular fornecem uma grande vantagem de detecção rápida, bem como a quantificação de ovos de helmintos.
    A sensibilidade muito melhor das técnicas moleculares as torna especialmente úteis para monitorar o efeito do tratamento ou estratégias de controle.
    Estão disponíveis vários métodos diferentes de reação em cadeia da polimerase (PCR), tais como PCR convencional, PCR quantitativo (qPCR) e PCR multiplex (que detectam múltiplos parasitas de uma só vez).
  3. Hemograma: A eosinofilia (>600/mm³ ou >6%) pode ser usada como marcador de infecção por helmintos.
  4. Escarro: Em caso de ascaridíase, ancilostomose ou S. sterocoralis, durante a fase de migração larval da infecção, o diagnóstico pode ser feito encontrando-se as larvas no escarro ou nas lavagens gástricas.

Tratamento das parasitoses por helmintos

O tratamento para helmintíases podem ser diversos. Pensando nisso, temos:

  1. Ligantes de beta-tubulina (mebendazol e albendazol): Ao se ligarem seletivamente à beta-tubulina dos nematóides, eles inibem a formação dos microtúbulos, causando a ruptura do citoesqueleto, bem como má captação intestinal de glicose, e determina então inanição do verme;
  2. Agentes espásticos paralisantes (levamisol e palmoato de pirantel): Eles são agonistas dos receptores nicotínicos de acetilcolina;
  3. Agentes indutores de paralisia flácida (piperazina): inibe reversivelmente a transmissão neuromuscular no verme, sendo um agonista de GABA;
  4. Nitazoxanida: Composto de nitrotiazol benzamida indicado para crianças maiores de 12 meses.

O albendazol é metabolizado após a absorção, e o metabólito bioativo resultante pode se distribuir amplamente nos tecidos humanos. Isso o torna uma droga de escolha para as larvas de toxocara e de cisticerco, bem como para a maioria das infecções por helmintos intestinais.

Por sua vez, o mebendazol, que não é absorvido de forma apreciável fora do intestino, pode ser considerado um medicamento de primeira linha quando utilizado em dose única, apenas para ascaridíase e enterobiase. A ivermectina é hoje o tto de primeira linha para a estrongiloidíase. Resumidamente temos que:

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Tratamento das parasitoses por protozoários

De maneira geral, a medicação mais recomandada para o tratamento de parasitoses por protozoários é o Metronidazol. Ele vai ser a medicação de escolha para a Giardia lamblia e a Entamoeba histolytica, com pequenas variações.

Apesar disso, outras medicações podem ser escolhidas e manejadas conforme a tabela a seguir.

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Quer continuar estudando?

As parasitoses intestinais podem ser pesquisadas pelo clínico geral ou pelo gastroenterologista. Pensando nisso, uma boa forma de continuar aprofundando seus conhecimentos é adquirindo livros.

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Sugestão de leitura

Perguntas frequentes

  1. O que são parasitoses?
    As parasitoses são doenças causadas por helmintos e protozoários.
  2. Quais são as regiões mais comuns de ocorrência de parasitoses?
    De maneira geral, países tropicais e subtropicais.
  3. Qual o diagnóstico para as parasitoses?
    O diagnóstico mais comum é por meio de microscopia de amostra de fezes.

Referências

  1. CDC. Centros de Controle e Prevenção de Doenças. Parasitas. Disponível em: https://www.cdc.gov/parasites/
  2. Pan American Health Organization. Operational. Guidelines for the Implementation of Deworming Activities: A Contribution to the Control of SoilTransmitted Helminth Infections in Latin America and the Caribbean. Washington, DC: PAHO, 2015.
  3. Brasil.Ministério da Saúde. Plano Nacional de Vigilância e Controle das Enteroparasitoses,
  4. Brasília -DFNeves DP. Parasitologia Humana. 13. ed. São Paulo: Atheneu, 2016.
  5. Figura 1.
  6. Figura 2.

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