A paralisia facial central é uma condição neurológica que afeta os músculos da face, resultando em dificuldades no controle da expressão facial. Ela ocorre devido a lesões no sistema nervoso central (SNC), especificamente em áreas do cérebro responsáveis pela motricidade da face.
Embora a paralisia facial periférica, associada a lesões do nervo facial, seja mais comum, a paralisia facial central também tem grande importância clínica, pois pode ser indicativa de distúrbios neurológicos graves.
O que é a paralisia facial central?
A paralisia facial central ocorre devido a uma lesão no sistema nervoso central, afetando os neurônios responsáveis pelo movimento da face. Diferente da paralisia facial periférica, que envolve o nervo facial (VII par craniano), a paralisia facial central resulta de lesões cerebrais, particularmente nas regiões que controlam os músculos faciais. Os sintomas variam, mas geralmente incluem fraqueza ou paralisia de um lado da face, dificultando movimentos como sorrir ou franzir a testa.
Essa condição é geralmente associada a lesões no córtex cerebral, em áreas específicas da região frontal e parietal, ou nos tratos corticoespinais que transmitem sinais do cérebro para os músculos da face. Ela pode ser causada por uma série de condições, incluindo acidente vascular cerebral (AVC), tumores cerebrais e doenças neurodegenerativas.

Causas da paralisia facial central
A paralisia facial central pode ser causada por diversas condições, que afetam diretamente o SNC. Entre as causas mais comuns, destacam-se:
Acidente vascular cerebral (AVC)
O AVC é uma das causas mais frequentes de paralisia facial central. Em particular, os AVCs que afetam o lobo frontal ou a área paracentral do cérebro podem levar a déficits motores na face. A paralisia facial central resultante de AVC geralmente envolve a parte inferior da face, o que é um marcador distintivo da condição.
A paralisia facial central após AVC ocorre porque a área do cérebro responsável pelo controle motor da face contralateral (oposta) é afetada. Isso ocorre devido ao envolvimento da via corticoespinhal, que transmite os sinais motores do cérebro para os músculos faciais.
Tumores cerebrais
Tumores, principalmente os que se localizam nas regiões do cérebro responsáveis pelo movimento facial, como o lobo frontal ou os núcleos do tronco cerebral, podem causar paralisia facial central. O crescimento do tumor pode comprimir estruturas nervosas responsáveis pela motricidade facial, resultando em fraqueza ou paralisia.
Traumatismo craniano
Traumas na cabeça, como os causados por acidentes de trânsito ou quedas, podem afetar as regiões cerebrais que controlam a expressão facial.
O trauma pode levar a lesões no cérebro, resultando em paralisia facial central. Esse tipo de paralisia pode ser temporária ou permanente, dependendo da gravidade da lesão.
Esclerose múltipla
A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune do SNC que causa danos à mielina (revestimento protetor dos nervos), o que pode interferir na transmissão de sinais nervosos. Lesões em áreas do cérebro responsáveis pela motricidade facial podem resultar em paralisia facial central.
Pacientes com EM podem apresentar episódios intermitentes de paralisia facial, que são agravados em momentos de crise.
Doenças neurodegenerativas
Doenças neurodegenerativas, como a doença de Parkinson e a doença de Huntington, podem levar à paralisia facial central.
Essas doenças afetam as áreas do cérebro responsáveis pelo movimento e pela coordenação, e uma das manifestações clínicas comuns é a rigidez facial e a dificuldade em realizar movimentos faciais voluntários.
Outras condições neurológicas
Além das causas mencionadas, diversas outras condições neurológicas podem causar paralisia facial central. Exemplos incluem encefalites virais, mielopatias e infecções do SNC.
Lesões no tronco cerebral também podem resultar em paralisia facial, uma vez que os nervos responsáveis pela motricidade facial se originam dessas áreas.
Diagnóstico da paralisia facial central
Faz-se o diagnóstico da paralisia facial central por meio de uma combinação de avaliação clínica e exames neurológicos complementares. É essencial diferenciar a paralisia facial central da paralisia facial periférica, já que ambas possuem abordagens terapêuticas distintas.
Avaliação clínica
A avaliação inicial é feita por meio da observação dos sintomas clínicos. No caso da paralisia facial central, a fraqueza geralmente afeta apenas a parte inferior da face, enquanto a parte superior, responsável por movimentos como a elevação das sobrancelhas, pode permanecer intacta. Isso ocorre porque os músculos faciais superiores são bilaterais, ou seja, são controlados pelos dois lados do cérebro. Em contrapartida, os músculos faciais inferiores são controlados de forma contralateral.
Outro aspecto importante é a presença de outros sinais neurológicos, como perda de força em outros membros, alterações no equilíbrio, dificuldade de fala ou visão, que podem sugerir uma lesão no SNC, como um AVC.
Exames de imagem
Os exames de imagem são fundamentais para confirmar o diagnóstico e identificar a causa da paralisia facial central. A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) são os exames mais utilizados. A TC pode ser útil na detecção de hemorragias cerebrais, enquanto a RM proporciona imagens detalhadas das estruturas cerebrais, permitindo identificar tumores, lesões ou áreas de isquemia.
Pode-se empregar a ressonância magnética funcional (RMf) para observar a atividade cerebral em tempo real, ajudando a mapear áreas afetadas pelo dano.
Avaliação neurofisiológica
Em alguns casos, a avaliação neurofisiológica, incluindo a eletromiografia (EMG) e os potenciais evocados motores, pode ser útil para avaliar a integridade do nervo facial e a função neuromuscular. Isso pode ajudar a diferenciar entre a paralisia facial central e outras condições neurológicas.
Prognóstico da paralisia facial central
O prognóstico da paralisia facial central depende da causa subjacente, da rapidez do diagnóstico e da implementação do tratamento adequado.
A recuperação pode variar significativamente entre os pacientes, e alguns fatores desempenham um papel importante no prognóstico.
Recuperação funcional
Em casos de AVC, por exemplo, pode-se obserar recuperação da função facial ao longo de meses, com uma boa parte dos pacientes apresentando melhoria significativa nos primeiros três meses após o evento.
No entanto, em casos graves de AVC ou lesões cerebrais extensas, a recuperação pode ser incompleta, resultando em sequelas permanentes.
Tratamento e reabilitação
A reabilitação é um componente importante no tratamento da paralisia facial central. Pode-se empregar fisioterapia e terapia ocupacional para melhorar a força e a função dos músculos faciais. Também pode-se utilizar técnicas de estimulação elétrica para auxiliar na recuperação muscular.
Prognóstico em doenças crônicas
Em condições neurodegenerativas, como a doença de Parkinson ou a esclerose múltipla, a paralisia facial central pode ser progressiva. Nesses casos, o prognóstico está relacionado à evolução da doença subjacente e ao controle dos sintomas.
O manejo eficaz da doença pode ajudar a aliviar os sintomas, mas a paralisia facial pode não ser completamente reversível.
Mortalidade e complicações
Embora a paralisia facial central não seja diretamente fatal, ela pode estar associada a condições graves, como AVCs, que podem aumentar o risco de mortalidade. Além disso, complicações como a disfagia (dificuldade para engolir) e problemas respiratórios podem surgir, especialmente em casos graves de AVC.
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Referências bibliográficas
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