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Ossos sesamoides: anatomia, biomecânica e importância clínica nas lesões do pé e da mão

Imagem ilustrativa destacando ossos sesamoides do pé, mostrando sua posição anatômica e relação com estruturas adjacentes.

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Os ossos sesamoides ocupam um papel importante dentro da anatomia musculoesquelética, pois se desenvolvem dentro de tendões e modificam a dinâmica da articulação onde se inserem. Eles influenciam diretamente a direção das forças, reduzem atrito e participam de mecanismos de alavanca essenciais para a precisão dos movimentos.

Além disso, quando sofrem lesões, frequentemente desencadeiam dor e prejuízo funcional que exigem diagnóstico cuidadoso.

Anatomia dos ossos sesamoides

Os ossos sesamoides são pequenos ossos que se formam dentro de tendões em regiões submetidas a forças intensas. Eles não se articulam da mesma forma que os ossos típicos, embora se relacionem intimamente com superfícies articulares.

Na imagem abaixo observa-se a anatomia do pé:

Fonte: UpToDate, 2025.

Por isso, participam da estabilidade, da redução do atrito e da eficiência mecânica. Além disso, protegem tendões importantes contra desgaste excessivo durante ciclos repetitivos de carga.

Sesamoides no pé

A maior parte da literatura clínica descreve os sesamoides plantares do hálux como os mais relevantes. Eles se localizam abaixo da cabeça do primeiro metatarso e fazem parte do complexo da articulação metatarsofalangeana do hálux. A região abriga dois sesamoides principais, o medial e o lateral, que ficam embutidos no tendão do músculo flexor curto do hálux. Além disso, ligamentos espessos conectam esses ossos à placa plantar, que atua como suporte resistente para a articulação.

A conformação anatômica do sesamoide medial frequentemente apresenta variações. Em muitos indivíduos, ele possui duas partes naturalmente separadas, o que chamamos de sesamoide bipartido. Essa característica é importante, pois pode simular fratura e, portanto, exige interpretação cuidadosa em radiografias.

Na imagem abaixo, uma vista oblíqua, observa-se os dois sesamoides mais comuns do pé: o sesamoide medial (ou seja, tibial) e o sesamoide lateral (ou seja, fibular), abaixo da articulação metatarsofalângica do hálux. Também é possível observar uma fratura transversa não deslocada da falange proximal do dedo mínimo (ponta de seta).

Fonte: UpToDate, 2025.

A articulação metatarsofalangeana do hálux depende dos sesamoides para manter estabilidade durante a distribuição de carga. Além disso, eles protegem o tendão do flexor longo do hálux ao evitar desgaste excessivo, especialmente durante fases de propulsão da marcha.

Sesamoides na mão

Na mão, os sesamoides mais comuns se encontram na articulação metacarpofalângica do polegar. Eles se localizam no interior dos tendões do flexor curto do polegar e do adutor do polegar. Além disso, aparecem próximos à placa volar e funcionam como pontos de modificação do vetor de força durante movimentos de pinça.

O polegar é o dedo mais envolvido em tarefas finas e repetitivas, o que explica a presença constante dos sesamoides nessa região. Entretanto, alguns indivíduos exibem sesamoides adicionais no segundo ou quinto dedo, embora isso ocorra com menos frequência. A presença pode variar, e essa diversidade anatômica muitas vezes confunde a análise radiológica.

Vascularização e aspectos histológicos

Os sesamoides apresentam irrigação relativamente limitada. Como resultado, tornam-se mais vulneráveis a processos de estresse crônico e, em casos raros, podem desenvolver necrose avascular.

Além disso, a estrutura cortical espessa e o interior com conteúdo trabecular reforçam a resistência necessária para suportar forças compressivas contínuas.

Biomecânica dos ossos sesamoides

A biomecânica dos sesamoides envolve a interação entre tendões, ligamentos e superfícies articulares. Além disso, os sesamoides atuam como autênticas polias ósseas que redirecionam a força muscular.

Biomecânica no pé

O pé suporta cargas intensas durante locomoção, corrida e saltos. Por isso, os sesamoides plantares do hálux desempenham funções essenciais.

Primeiro, aumentam o braço de alavanca do flexor curto do hálux, o que melhora a eficiência da propulsão durante a marcha. Segundo, distribuem carga pela placa plantar, evitando sobrecarga em estruturas articulares vizinhas. Além disso, estabilizam a articulação metatarsofalangeana ao impedir hiperextensão excessiva.

Durante a fase final da marcha, quando o indivíduo eleva o calcanhar, os sesamoides suportam uma porção significativa do peso corporal. Essa transferência de carga ocorre de forma dinâmica, e qualquer alteração na mobilidade ou integridade desses ossos interfere diretamente na eficiência da propulsão.

Consequentemente, atividades esportivas que aumentam repetidamente a pressão sobre o antepé favorecem lesões como sesamoidite, fraturas agudas ou fraturas por estresse.

Biomecânica na mão

Na mão, os sesamoides do polegar ampliam a eficiência da musculatura envolvida em movimentos de oposição, pinça e preensão. Eles aumentam a força aplicada com menor gasto energético, pois alteram o ângulo de tração dos tendões.

Além disso, protegem tendões contra compressão direta e reduzem atrito durante atividades repetitivas como digitação ou manipulação de instrumentos finos. Quando apresentam lesões, comprometem a precisão dos movimentos e reduzem a força de pinça.

Importância clínica das lesões dos sesamoides

As lesões dos sesamoides acontecem por trauma agudo, microtraumas repetitivos ou alterações anatômicas. Elas provocam dor localizada e limitação funcional que interfere em atividades básicas, além de impactar o desempenho esportivo em muitos pacientes.

A seguir, detalho as principais apresentações clínicas no pé e na mão, incluindo elementos diagnósticos e terapêuticos frequentemente discutidos na literatura.

Lesões dos sesamoides do pé

As lesões nessa região são consideravelmente comuns, especialmente entre corredores, bailarinos e atletas que realizam impulsões. Embora existam várias patologias possíveis, três se destacam: sesamoidite, fratura e alterações congênitas sintomáticas.

Sesamoidite

A sesamoidite consiste em inflamação dos sesamoides ou estruturas associadas. Ela surge após aumento abrupto do volume de treino ou atividades que elevam a pressão plantar repetidamente. Além disso, ocorre em pacientes com anatomia predisponente, como arco plantar pronunciado.

O quadro clínico geralmente envolve dor plantar localizada sob o hálux, que piora com apoio e melhora parcialmente com repouso. A exploração manual produz dor significativa. Embora radiografias ajudem a descartar fraturas, a ressonância magnética demonstra inflamação nas partes moles e edema ósseo.

O manejo inclui:

  • Redução de carga
  • Uso de palmilhas com recorte para aliviar pressão
  • Gelo local
  • E medidas anti-inflamatórias.

Em alguns casos, o retorno ao esporte exige semanas ou meses, dependendo da intensidade dos sintomas.

Fraturas dos sesamoides

As fraturas podem ser agudas ou por estresse. As fraturas agudas surgem após trauma direto ou hiperextensão do hálux. O paciente relata dor súbita e severa acompanhada de edema plantar. Radiografias frontais e oblíquas geralmente detectam a linha de fratura. Entretanto, diferenciar fratura de sesamoide bipartido exige comparação com o lado contralateral.

As fraturas por estresse resultam de microtraumas repetitivos. A dor aparece de forma gradual e piora progressivamente. Embora a radiografia inicial possa parecer normal, a ressonância ou a cintilografia óstea confirma o diagnóstico.

O tratamento envolve descarga parcial prolongada, fisioterapia e palmilhas apropriadas. Casos refratários podem evoluir para excisão de um sesamoide, embora essa decisão requeira cautela, pois altera a biomecânica do hálux.

Lesões dos sesamoides da mão

As lesões desse grupo são menos frequentes, mas representam causa importante de dor no polegar.

Traumas e contusões

Impactos diretos podem gerar contusões dolorosas. Como resultado, o paciente experimenta dor ao realizar pinça e oposição. O tratamento inclui imobilização temporária e anti-inflamatórios.

Fraturas

As fraturas dos sesamoides do polegar ocorrem principalmente após quedas ou impactos esportivos. Elas provocam dor localizada na articulação metacarpofalângica. Radiografias específicas ajudam na visualização, embora a tomografia represente alternativa valiosa quando a lesão não se mostra claramente.

Inflamação e sobrecarga funcional

Músicos, digitadores e profissionais que utilizam instrumentos com movimentos repetitivos podem desenvolver sobrecarga dos sesamoides. A dor surge de forma gradual e piora com atividades específicas.

Diagnóstico clínico e por imagem

O diagnóstico exige avaliação cuidadosa da localização da dor, mecanismos de trauma e condições predisponentes. Além disso, radiografias em diferentes incidências representam o primeiro passo para caracterização das lesões. Quando necessário, ressonância magnética complementa a investigação ao revelar inflamação, edema ou fraturas de difícil visualização.

A diferenciação entre sesamoide bipartido e fratura aguda merece atenção. O sesamoide bipartido apresenta bordas lisas e regulares, enquanto a fratura revela linhas irregulares e sinais de edema.

Na imagem abaixo observa-se o sesamoide bipartido, observa-se o contorno arredondado da linha que separa as duas partes do sesamoide, além dos cantos arredondados do fragmento distal. Também é possível identificar a corticação da borda proximal desse fragmento distal.

Fonte: UpToDate, 2025.

Em contraste com um sesamoide bipartido, a linha de fratura é relativamente reta e os cantos dos fragmentos são mais abruptos e menos arredondados. As bordas da fratura também são menos nítidas do que as margens do sesamoide bipartido adjacente e não apresentam o contorno cortical típico. A ausência de corticação fica ainda mais evidente na visão lateral.

Fonte: UpToDate, 2025.

Tratamento geral das lesões sesamoides

Embora cada patologia apresente especificidades, muitos princípios gerais se aplicam a quase todas as lesões.

Primeiro, a redução de carga representa o ponto inicial do tratamento. Além disso, modificações no calçado, palmilhas e dispositivos de alívio melhoram a distribuição de pressão. Segundo, medidas anti-inflamatórias e fisioterapia auxiliam na recuperação do movimento e na redução de dor. Em casos selecionados, infiltrações podem acelerar alívio sintomático, desde que exista indicação precisa.

Finalmente, intervenções cirúrgicas permanecem reservadas para fraturas deslocadas, necrose avascular persistente ou dor refratária que limita severamente a função.

Da teoria à prática: domine as lesões que mais limitam a performance

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Referências bibliográficas

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