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Os desafios e paradigmas da medicina moderna | Colunistas

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A
sociedade contemporânea enfrenta muitos paradigmas com relação à saúde e
bem-estar. Dificuldade de acesso a consultas médicas, sedentarismo, educação
sexual inadequada e pressão social com relação aos padrões estéticos são alguns
dos desafios da medicina moderna.

Com os
avanços tecnológicos, barreiras geográficas e culturais vão sendo quebradas
para dar lugar ao início de uma nova era na medicina.  

APLICATIVOS

Em um
século em que as conexões via web se mostraram tão importantes e os celulares
se tornaram quase uma extensão das pessoas, a medicina tenta unir o útil ao
agradável com aplicativos de celular que podem fazer a diferença, mesmo que
mínima, na saúde da população.

Atualmente,
aplicativos com alertas para beber água, fazer exercícios físicos leves e até
os que auxiliam no acompanhamento do ciclo menstrual são a nova moda.
Obviamente, nenhum deles substitui uma consulta médica, mas, em tempos em que o
celular se faz o “melhor amigo” das pessoas, como rede de apoio e até
de incentivo a ter uma vida mais saudável, os aplicativos estão sendo
extremamente utilizados.

Além
disso, aplicativos que auxiliam na marcação de consultas e acompanhamento de
exames tornam a acessibilidade mais fácil e rápida, o que incentiva aqueles que
não costumam separar um tempo para verificar a sua situação de saúde.

Por
mais simples que sejam, eles podem ser grandes aliados da adesão da população à
uma vida mais saudável. É preciso pensar que, muitas vezes você, como médico ou
estudante, pode tentar educar o paciente de mil e uma formas para que ele
pratique exercício físico e, mesmo assim, ele não pratique.

Mas,
por exemplo, uma vez que você apresente algum desses aplicativos ou alguém que
o paciente conhece comece a utilizar um aplicativo que diz quantas calorias
você perdeu no dia, ou que uma vez ao dia te manda um lembrete para beber água
e fazer alguma atividade ao ar livre, ele pode se interessar e começar a fazer.
Esse é o poder da influência social atualmente e você, como profissional de
saúde, precisa saber tirar proveito disso em prol da melhoria da condição de
saúde do paciente.

CIRURGIA PLÁSTICA

Além
disso, em uma sociedade em que a preocupação estética é exorbitante, o
bem-estar com relação a autoestima do paciente é algo que a medicina moderna
também vem revolucionando.

A
cirurgia plástica é uma modalidade que atingiu o seu ápice, fazendo do Brasil o
segundo país que mais realiza esse tipo de procedimento cirúrgico, atrás apenas
dos Estados Unidos.

Nesse ramo, a tecnologia também vem crescendo
com a utilização de simuladores, que auxiliam o médico no treinamento da
cirurgia bem como para mostrar um resultado aproximado do pós-operatório ao
paciente.

TECNOLOGIA
3D

Um outro artifício que está começando a ser
utilizado é a tecnologia 3D, que auxilia diversas áreas médicas desde o diagnóstico
até a conduta mais individualizada para cada paciente.

Impressoras 3D podem imprimir modelos que
retratam a situação do paciente para ajudar escolha da conduta, bem como
próteses mecânicas, que são importantes na autoestima e qualidade de vida do
paciente.

Exemplo disso foi o recente desenvolvimento de
próteses na UNIFESP através do Programa MAO3D (link do blog:  https://mao3d.wordpress.com ), em que, para pacientes infantis, as próteses
foram projetadas de forma que remetessem à super-heróis, tornando mais
convidativa a adesão, bem como mostrando o olhar humano necessário para esses
pacientes.

CONTRAPONTO

É fato
que as inovações na medicina estão revolucionando a relação médico-paciente, os
métodos diagnósticos, a autonomia do paciente e as possibilidades de
tratamento. No entanto, o “boom” tecnológico vivenciado nos últimos anos também
tem suas controvérsias.

O
documentário “The Bleeding Edge” (Operação Enganosa), de 2018, disponível na
NETFLIX, aborda o uso de dispositivos médicos e técnicas inovadoras na
medicina, fazendo diversas críticas à fiscalização e interesse financeiro de
médicos e empresas por trás desses produtos. É mostrado no filme, por exemplo,
que a Food and Drug Administration (FDA), semelhante à Anvisa no Brasil,
não requereu estudos em humanos para a liberação de alguns produtos no mercado,
o que vai de encontro às fases de classificação de um ensaio clínico. Essa
negligência pode levar à utilização de métodos diagnósticos e terapêuticos
questionáveis pelos médicos, bem como consequências irreparáveis na vida dos
pacientes.

É
preciso entender que “novo” não é sinônimo de “melhor”. Na tecnologia e na
medicina, só deve ser considerado melhor após ser comprovado, o que, por vezes,
não vem acontecendo da forma correta ao redor do mundo.

Além
disso, outra questão a ser abordada é a Resolução
número 2.228/19
do Conselho Federal de Medicina, que define e disciplina a
telemedicina como forma de prestação de serviços mediados por tecnologias.

É
evidente que tal resolução trará benefícios a muitas pessoas que não dispõem de
uma acessibilidade médica mínima, porém, é inevitável indagar: a telemedicina
não estaria sendo o primórdio de um afastamento na relação médico-paciente?
Será que o toque humano e o exame físico, que atualmente se fazem tão
indispensáveis, estariam caminhando para a esfera “opcional”? Quais
os impactos negativos que isso pode trazer aos pacientes?

Todas
essas indagações são válidas e não serão respondidas hoje, nem amanhã, mas sim
durante esse processo de transformação em que se encontra a medicina
tradicional.

Conforme
a sociedade muda, tudo muda. E a medicina não é exceção.

Autor: Ian Garrido Kraychete


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