Nas últimas décadas, tornam-se notórias as mudanças no estilo de vida da população mundial. Diante disso, apesar de inúmeros avanços, a qualidade de vida relacionada à alimentação e prática de exercícios físicos, por exemplo, foi prejudicada, acarretando em inúmeras problemáticas à sociedade, como as chamadas síndromes metabólicas.
O que são doenças metabólicas?
Caracteriza-se como metabolismo o conjunto de reações químicas que nosso organismo realiza com o intuito de manter a homeostase. Nesse contexto, caractetiza-se como doenças ou síndromes metabólicas (SM) disturbios fisiopatologicos coexistentes relacionados à mudança inapropriadas nessa reação, tais como um aumento excessivo de algumas substâncias, acometendo cada vez mais a parcela da população adulta devido, principalmente, às mudanças no estilo de vida geral da sociedade nas últimas décadas.
1.1. Fatores de Risco
O desenvolvimento da síndrome depende diretamente da predisposição genética e elementos ligados ao hábito de vida, tais como:
– grande quantidade de gordura abdominal
– baixo HDL
– triglicerídeos elevados
– pressão sanguínea alta
– glicose elevada
Resistência Insulinica e as SM
Possuir três ou mais fatores dos citados no tópico acima indica presença da resistência insulínica, em outras palavras, significa que a concentração de insulina esta maior do que a quantidade avaliada como normal.A maioria dos portadores de Síndrome Metabólica não apresenta sintomas, todavia, se encontram na faixa de risco para o desenvolvimento de doenças graves, principalmente doenças cardiovasculares.
Doenças metabólicas mais comuns
São considerados disturbios metabólicos mais comuns obesidade, diabetes tipo II, hipertensão, intolerância à lactose, colesterol, triglicerideos altos, dentre outros.
Incidência na população
De acordo com Neves, Mateus de Melo e Mesquita, Mauro Meira de, em “Incidência de síndrome metabólica em pacientes que utilizam os serviços do laboratório clínico da PUC do estado de Goiás”, a prevalência mundial de SM é de 25%, sendo mais frequente em mulheres, sendo inexistentes dados estatísticos gerais em relação à prevalência no Brasil, apenas alguns estudos pontuais com idosos (30,9% a 53,4%), imigrantes japoneses (54,3%), população rural (21,6%) e em regiões específicas como a região semiárida baiana 38,4% (em mulheres) e 18,6% (em homens).
Regulação metabólica
Importância
A regulação metabólica trata-se dos processos pelos quais as células controlam as atividades biológicas e esses estão organizados pelo que denominamos de “vias metabólicas”, reguladas, principalmente por proteínas especializadas, as enzimas. Nesse contexto, existem vários níveis e subdivisões de importância da regulação metabólica reside no controle e adaptação homeostática, em outras palavras, nosso organismo apresenta uma flexibilidade metabólica notável, em que apresenta respostas de modo rápido e eficiente à variações das condições ambientais, alimentares ou ainda a condições adversas como traumas e patologias.
Insulina como mecanismo regulador
Assim como citado, o metabolismo é subdividido em inúmeras rotas, sendo que a insulina ativa uma série delas, como a glicólise, a lipogênese e a glicogênese, além de inibir outras vias, como a lipólise, a glicogenólise e a gliconeogênese hepática.
Em síntese, esse hormônio possui ação regulatória no organismo, entretanto, em doenças metabólicas, um dos principais sintomas é, justamente, a resistência insulinica, consequentemente, devido a sua atividade multifacetada, inúmeras serão as vias afetadas, de forma a ocasionar sintomas variados.
Sintomas relacionados à resistência insulinica
• obesidade;
• hipertensão arterial;
• aumento da chance de algumas neoplasias, como as de mama e intestino;
• diminuição do colesterol bom e aumento do ruim;
• aumento dos triglicerídeos, a gordura do sangue;
• aumento do ácido úrico;
• esteatose hepática;
• Manchas escuras em regiões como pescoço e virilha (Acantose Nigricans)
Reversão e melhora de prognóstico
Para uma melhora no prognóstico e até mesmo reversão do quadro torna-se indispensável mudanças crônicas no estilo de vida, cujo objetivo principal é reduzir índices de gordura corporal, a fim de diminuir a resistência à insulina, reduzir a glicemia, os triglicérides e a pressão arterial, melhorando assim a qualidade de vida do indivíduo. Logo, acompanhamento nutricional e prática constante de atividades físicas são de suma importância.
Exercícios aeróbicos
Estudos epidemiológicos têm demonstrado forte associação entre inatividade física e presença de múltiplos fatores de risco, como os encontrados na SM. Segundo a OMS, a prática regular de atividade física reduz o risco de mortes prematuras, doenças do coração, diabetes tipo 2, atua na prevenção ou redução da hipertensão arterial, resistência a insulina, dispilipidemia e previne o ganho de peso. Adicionalmente o condicionamento físico adquirido com o exercício, reduz a mortalidade e morbidade, mesmo em indivíduos que se mantém obesos. (INCA, 2004).
Quanto aos exercícios aeróbicos propriamente ditos, sabe-se o tecido adiposo desempenha papel central na regulação do metabolismo. Para isso, libera diversas moléculas na circulação, incluindo pequenos RNAs capazes de modular a expressão de genes-chave em diferentes partes do organismo, entre elas fígado, pâncreas e músculos.
‘ “Experimentos com camundongos e com humanos revelaram que o exercício aeróbico estimula a expressão de uma enzima chamada DICER, que é essencial para o processamento dos microRNAs. Consequentemente, observamos um aumento na produção dessas moléculas reguladoras pelas células adiposas e uma série de benefícios para o metabolismo”, conta Marcelo Mori, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) e um dos coordenadores da pesquisa, apoiada pela FAPESP e realizada em parceria com grupos das universidades de Copenhague (Dinamarca) e Harvard (Estados Unidos).’ “
Em síntese, neste trabalho torna-se visível que o exercício aeróbico consegue reverter a queda da expressão da enzima citada, além de diminuir a produção de microRNAs pela ativação de um sensor importante, denominado AMPK, melhorando assim o quadro prognóstico.
Referências
https:///o-que-e-resistencia-a-insulina-e-quais-seus-sintomas/
https:///sindrome-metabolica-causas-sintomas-tratamentos/
https:///tratamento-da-sindrome-metabolica/
https:///ciencia/este-tipo-de-exercicio-pode-ajudar-no-combate-de-doencas-metabolicas/
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA et al. I Diretriz brasileira de diagnóstico e tratamento da síndrome metabólica. Arq Bras Cardiol, v. 84, n. supl. 1, p. 3-28, 2005.
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