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OS ANTICORPOS MONOCLONAIS E A COVID-19 | Colunistas

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A COVID-19

A covid-19, doença que surgiu em 2019, em dezembro começou a se espalhar pela cidade de Wuhan na China (Gao, 2021), desde então tem causado uma pandemia global, afetando mais de 200 países e regiões e, apesar de, na maioria dos casos, acometer pacientes com sintomas leves, em pessoas do grupo de risco os sintomas respiratórios podem ser piores, e inclusive levar à morte (CHEN, 2020). A organização mundial da saúde nomeou oficialmente essa doença, coronavírus 2019 (COVID-19) em 11 de fevereiro de 2020 e o Comitê Internacional de Taxonomia Viral (ICTV) anunciou a denominação de Síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2) (GAO, 2020). Com toda a situação epidemiológica, têm sido pesquisados tratamentos, dentre eles, aqueles por medicamentos biológicos, os anticorpos monoclonais.

A doença foi inicialmente dividida em leve, moderada e grave, mas com o surto global têm sido relatados muitos casos assintomáticos, mas que podem transmitir o vírus. Infecções assintomáticas são aquelas que têm detecção positiva de ácido nucleico de SARS-CoV-2 em amostras para reação em cadeia de transcriptasepolimerase reversa (RT-PCR), mas que não possuem quadro clínico e sintomas e anormalidades aparentes em imagens, inclusive em tomografia de pulmão (GAO, 2020).

A família de coronavírus se assemelha na morfologia e estrutura química, são vírus envelopados esféricos ou partículas com envelope pleomórfico com RNA de fita simples associado a uma nucleoproteína com um capsídeo composto pela proteína spike (JAHANSHAHLU, 2020). Atualmente, o Brasil tem a marca de 10 milhões de casos da doença e 260 mil mortos e 114 milhões de casos no mundo, com 2,5 milhões de mortos pelo SARS-CoV-2  (JHU CSSE COVID-19 DATA).

BUSCA POR MEDICAMENTOS

O surgimento do novo coronavírus humano e a pandemia da resposta respiratória exacerbada trouxe crises econômicas, colapso de sistemas de saúde, aumento de doenças mentais, mudanças completas de rotina etc. O foco da comunidade científica passou a ser a busca e descoberta de terapêuticas e vacinas direcionadas para o tratamento desta doença, pois os mesmos estão em falta (FERREIRA, 2020) (WANG, 2020). Os medicamentos biológicos, anticorpos monoclonais, são produzidos a partir de organismos vivos, células humanas, animais ou de microrganismos e têm sido explorados em ensaios clínicos para a COVID-19(FERREIRA, 2020). Na busca por tratamentos efetivos pode ser considerado uso de drogas antivirais de amplo espectro ou moléculas específicas que interrompam o ciclo de vida e reprodução viral, incluindo peptídeo inibidor de fusão, anticorpos neutralizantes, anticorpos monoclonais anti-ACE2 (enzima conversora de angiotensina 2) e inibidores de protease (JAHANSHAHLU, 2020).

REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA ENCONTRADA

Os medicamentos biológicos têm sido cada vez mais estudados para a prevenção de doenças infecciosas, agem pela ligação a uma substância específica no corpo, podendo imitar, bloquear ou mudar para ativar mecanismos específicos para uma intervenção terapêutica. Devido à semelhança entre o SARS-CoV-2 e o SARS-CoV, estudos têm sugerido o uso de anticorpos monoclonais antivirais contra a SARS em pacientes com o SARS-CoV-2. Esses anticorpos identificam o fragmento 1 da SARS-CoV e o domínio de ligação ao receptor (RDB) na subunidade S1, dessa forma, o objetivo do uso desse medicamento da SARS-CoV-2 seria bloquear a interação de RDB com  seu receptor ACE2 (JAHANSHAHLU, 2020).

Na história do mundo, existiram outras infecções por coronavírus de variações diferentes, com um domínio de ligação ao receptor (RDB) que se difere do 2019-nCov dos resíduos de outras amostras de SARS-CoV, os resultados de um estudo para avaliar a ação do anticorpo CR3022, anticorpo específico para a proteína spike do SARS-CoV que se conecta ao receptor ACE2, demonstrou que, apesar de não apresentar alterações na capacidade de se conectar com o receptor ACE2, teve impacto na reatividade (TIAN, 2020).

TOCILIZUMABE

O Tocilizumabe, anticorpo monoclonal humano recombinante, tem sido muito estudado com intuito de reduzir a resposta inflamatória intensa (citocinas) ao vírus em pacientes graves. A resposta excessiva das citocinas pode causar muitos danos ao organismo, a IL-6 é uma citocina importante nos danos pulmonares de pacientes graves, o tocilizumabe se liga ao receptor de IL-6 e inibe a transdução de sinal, no entanto, resultados do ensaio clínico de fase três da Covacta anunciaram que o tocilizumabe não reduziu a taxa de mortalidade em comparação com o placebo, resultados similares em relação ao sarilumab (FERREIRA, 2020).

Outro estudo que observou o tratamento precoce com Tocilizumabe avaliou 3924 pacientes. A média de dias de acompanhamento dos pacientes tratados com Tocilizumabe e não tratados foi respectivamente de 26 e 27 dias. Das 1544 mortes, foram cerca de 29% do grupo em tratamento com o anticorpo e 40,6% do grupo que não recebia o tratamento mencionado, dessa forma, indicando menor mortalidade no grupo que recebeu o anticorpo monoclonal (GUPTA, 2021).

LY-CoV 555

Em estudo randomizado para avaliar o anticorpo LY-CoV 555 em pacientes com covid-19, foram aplicadas doses de 700 mg, 2800 mg, 7000 mg ou placebo. Cerca de 70% dos pacientes possuíam algum fator de risco. Com 29 dias de estudo, 1,6% dos pacientes usando LY-CoV 555 foram hospitalizados contra 6,3% dos pacientes do grupo placebo, em análise com relação a grupo de risco, para idade igual ou superior a 65 e IMC igual ou superior a 35, a porcentagem de hospitalização foi de 4,2% no grupo medicado e de 14,6% no grupo placebo. Não ocorreu nenhum efeito adverso grave em pacientes em uso do LY-CoV 555 e 0,7% (1 de 143) do grupo placebo, além de no dia 11, os pacientes em uso do anticorpo possuíam contagem menor que os pacientes em uso de placebo, mas em sequência a maioria dos pacientes teve diminuição da carga viral. Para concluir, a avaliação do efeito da terapia LY-CoV 555 nos sintomas de forma precoce se mostrou como possibilidade de redução dos sintomas e redução das hospitalizações (CHEN, 2020).

47D11

Para identificar anticorpos neutralizantes de SARS-CoV-2, um estudo realizado por ELISA (cruzado), sendo avaliada a reatividade de sobrenadantes contendo anticorpos de um total de 51 hibridomas SARS-S. Um hibridoma exibiu reatividade cruzada e atividade de neutralização cruzada de infecção por VSV pseudopatia por SARS-S e SARS 2-S. O anticorpo 47D11 foi então considerado como potencial inibidor da infecção, com dados que demonstraram que 47D11 neutraliza SARS-CoV e SARS-CoV-2 por mecanismo ainda desconhecido (WANG, 2020).

CONCLUSÃO

Com os resultados obtidos pela busca na literatura, observa-se que os anticorpos monoclonais possuem grande potencial de tratamento e prevenção da Covid-19, principalmente o 47D11 e o LY-CoV 555. No entanto, é importante que sejam feitos ainda mais estudos sobre efeitos colaterais do uso desses medicamentos e também estudos que confirmem e comprovem os efeitos colaterais e a eficácia do medicamento em experimentação, para que possam ter mais ensaios clínicos com o objetivo de descobrir ou confirmar os efeitos clínicos, farmacológicos e efeitos adversos em humanos, afinal a eficácia e a segurança são os mais importantes objetivos do desenvolvimento de medicamentos


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


REFERÊNCIAS

  1. CHEN, Peter et al. SARS-CoV-2 neutralizing antibody LY-CoV555 in outpatients with Covid-19. New England Journal of Medicine, v. 384, n. 3, p. 229-237, 2021.
  2. COVID-19 Data Repository by the Center for Systems Science and Engineering (CSSE) at Johns Hopkins University
  3. FERREIRA, Leonardo LG; ANDRICOPULO, Adriano D. Medicamentos e tratamentos para a Covid-19. Estudos Avançados, v. 34, n. 100, p. 7-27, 2020.
  4. GAO, Zhiru et al. A systematic review of asymptomatic infections with COVID-19. Journal of Microbiology, Immunology and Infection, 2020.
  5. GUPTA, Shruti et al. Association between early treatment with tocilizumab and mortality among critically ill patients with COVID-19. JAMA internal medicine, v. 181, n. 1, p. 41-51, 2021.
  6. JAHANSHAHLU, Leila; REZAEI, Nima. Monoclonal antibody as a potential anti-COVID-19. Biomedicine & Pharmacotherapy, p. 110337, 2020.
  7. TIAN, Xiaolong et al. Potent binding of 2019 novel coronavirus spike protein by a SARS coronavirus-specific human monoclonal antibody. Emerging microbes & infections, v. 9, n. 1, p. 382-385, 2020.
  8. WANG, Chunyan et al. A human monoclonal antibody blocking SARS-CoV-2 infection. Nature communications, v. 11, n. 1, p. 1-6, 2020.

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