Confira um artigo completo que falamos sobre a Obesidade na Pediatria para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.
Boa leitura!
A Obesidade na Pediatria
A obesidade é considerada, na atualidade, um importante problema de saúde pública, sendo considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a maior epidemia de saúde pública mundial.
Tal doença crônica, que até então era uma preocupação entre os adultos, passou a ter relevância na pediatria em decorrência do aumento da obesidade entre crianças e adolescentes.
No Brasil, por exemplo, nos últimos 50 anos houve uma redução dos casos de desnutrição e um aumento em ritmo acelerado de sobrepeso e obesidade na faixa etária pediátrica de modo que, segundo dados de 2018, 3 a cada 10 crianças atendidas no SUS, entre 5-9 anos de idade, estão acima do peso, totalizando 4,4 milhões de crianças acima do peso.
O gráfico abaixo, com dados de 2018 do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), evidencia melhor a situação do Brasil:

Imagem: Dados SISVAN, 2018. Fonte: Campanha Prevenção da Obesidade Infantil, 2019.
Definição de Obesidade
A obesidade é o acúmulo excessivo de gordura corporal devido ao desequilíbrio entre ganho e perda de energia, que resulta em um balanço energético positivo em uma extensão capaz de acarretar prejuízos à saúde.
Além disso, a “importância” da obesidade deve-se ao fato desta estar associada a um estado pró-inflamatório, repercussão negativa na imunidade, a aterosclerose e doenças, como hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes mellitus tipo 2, culminando na síndrome metabólica, na qual, a resistência à insulina e hiperinsulinemia evidenciam a relação entre a obesidade e demais acometimentos.
E, mais especificamente na infância e na adolescência, o excesso de peso está relacionado ao surgimento precoce das patologias citadas.
É possível prevenir a Obesidade na Pediatria
Apesar de ser uma doença crônica grave, a obesidade pode ser precocemente prevenida e a importância nesta prevenção relaciona-se exatamente com aquela associação da obesidade com doenças crônicas do adulto que podem surgir na infância trazendo prejuízos que vão desde a imunidade até desempenho escolar reduzido, passando por problemas na autoestima e convívio social das crianças.
Ao final deste material iremos abordar um pouco sobre estratégias de prevenção que podem ser realizadas desde o pré-natal.
SE LIGA NO CONCEITO! Na obesidade, há um balanço energético positivo devido ao ganho de energia, sem proporcional perda da mesma.
Fisiopatologia da Obesidade
A fisiopatologia da obesidade está relacionada com o papel endócrino do tecido adiposo, pois este não é apenas um reservatório de energia, mas um órgão secretório ativo que expressa receptores que respondem aos sistemas hormonais, bem ao sistema nervoso central (SNC).
Como veremos a seguir, de modo resumido, alguns mecanismos relacionados com a obesidade estão intimamente relacionados a resistência insulínica e a síndrome metabólica, pois tais patologias estão intimamente relacionadas em parte dos pacientes obesos.
O acúmulo de gordura nos órgãos intra-abdominais predispõe a resistência insulínica, bem como a dislipidemia, e o acúmulo de gordura visceral, avaliada pela medida da circunferência abdominal, é um forte preditor de síndrome metabólica na idade adulta, atuando não apenas nos distúrbios metabólicos, mas também no espessamento das artérias, predispondo à aterosclerose.
Além disso, o aumento da gordura visceral também está relacionado a outras condições, como apneia do sono, esteatose hepática, síndrome dos ovários policísticos e hiperandrogenismo.

Imagem: Gordura visceral e subcutânea. Fonte: https://incrivel.club/inspiracao-dicas/cuanta-grasa-debe-haber-en-un-organismo-sano-606110
Além de ácidos graxos livres, o tecido adiposo secreta adipocitocinas, que são peptídeos com funções na regulação do metabolismo de glicose e lipídeos, do acúmulo e gasto energético, bem como são responsáveis por efeitos anti e pró-inflamatórios. Das adipocitocinas, a que mais se destaca é a leptina, que age no hipotálamo inibindo a ingesta alimentar (sensação de saciedade) e aumentando o gasto energético.
Pessoas obesas têm níveis elevados de leptina, os quais se relacionam com a massa do tecido adiposo; no entanto, nos obesos, há uma reduzida sensibilidade à leptina, o que culmina na resistência aos efeitos da mesma nestas pessoas.

Imagem: Hipertrofia do tecido adiposo induz a infiltração e proliferação de macrófagos e alteração na secreção de adipocinas, levando a inflamação crônica de baixa intensidade. Este quadro, associado ao aumento de ácidos graxos livres circulantes, provoca aumento de ingestão alimentar, diminuição do gasto energético, além da alteração na homeostase de tecidos periféricos, como músculo e fígado, promovendo acúmulo ectópico de gordura, inflamação e resistência à insulina. Fonte: https://www.researchgate.net/figure/Figura-1-Hipertrofia-do-tecido-adiposo-induz-a-infiltracao-e-proliferacao-de-macrofagos_fig1_315020572
Proteínas são produzidas por adipócitos diferenciados e também são responsáveis pela fisiopatologia da obesidade, estas são chamadas de adiponectinas e possuem efeito antidiabético, antiaterogênico e anti-inflamatório.
No entanto, as adiponectinas estão reduzidas nas pessoas com obesidade o que resulta na redução daqueles seus efeitos, predispondo então a resistência insulínica, aterosclerose e efeito pró-inflamatório comum aos indivíduos obesos.
Um estudo realizado com 439 crianças e adolescentes obesos verificou que os níveis de adiponectinas reduziam com o aumento da obesidade, e os valores mais baixos da adiponectina foram observados naqueles com maior grau de resistência à insulina. Outras citocinas inflamatórias também estão aumentadas na obesidade, tais como o fator de necrose tumoral-α (TNF-α) e a interleucina-6 (IL-6), que atuam como mediadores da resistência à insulina na obesidade, além de atuarem na oxidação do LDL, favorecendo a aterosclerose.