A adenosina é
a droga de escolha para a reversão das taqui-arritmias supraventriculares após
a falha das manobras vagais. Desta forma, conhecer suas propriedades e modo de
administração são fundamentais para quem realiza atendimentos em salas de
emergência.
Seu efeito
antiarrítmico ocorre por agir sobre o nodo atrioventricular, reduzindo seu
tempo de condução (provoca um BAV transitório) e, assim, interrompendo os circuitos
de reentrada.
A rápida
metabolização da adenosina implica numa meia-vida extremamente curta (apenas
alguns segundos). Por conta disso, a sua administração deve ser realizada na
modalidade intravenosa, em bolus (1 a 2 segundos), sempre seguida de um flush
de 20 mL de solução fisiológica e elevação do membro em que está instalado o
acesso venoso utilizado.
A dose
preconizada é de 6mg IV. Caso não haja reversão da arritmia em um a dois
minutos, outra dose, dessa vez de 12mg IV, deve ser administrada. Se ainda for
necessário, uma terceira dose, de 12mg IV pode ser repetida!
Algumas
peculiaridades sobre a administração de adenosina:
- É comum o paciente apresentar um intenso
desconforto torácico (na verdade, uma sensação de morte iminente!) ao receber
essa droga, que dura alguns segundos. O paciente sempre deve ser advertido
dessa possibilidade. - Também é comum a ocorrência de uma assistolia
transitória por alguns segundos, logo antes da reversão da arritmia. Então, não
se assuste se isso ocorrer! - Embora seja raro, a adenosina pode provocar
broncoespasmo. E, caso isso ocorra, ele
pode ser revertido com uso de metilxantinas, como a teofilina e a aminofilina.
É importante
lembrar que o paciente deve estar monitorizado ao receber essa droga
(cardioscopia, pressão arterial e frequência cardíaca).
A adenosina
não deve ser utilizada nos casos em que há BAV de 2º ou 3º grau, doença do nó
sinusal, FA associada a pré-excitação ventricular, angina pectoris, asma e
DPOC.
É isso! Boa
sorte nos seus plantões!
Autor: Fabiano
André Pereira, médico cirurgião cardiovascular.
Instagram: @drfabianoandre




