Anúncio

O que são transtornos alimentares? | Colunistas

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Transtornos alimentares (TA), na sociedade atual, são presentes na maioria dos adolescentes e jovens adultos. Primordialmente é necessário entender quais são os tipos de transtornos, acerca da mudança comportamental manifestada no paciente e, posteriormente, entender as comorbidades desencadeadas por esses TAs. De acordo com  o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V: American Psychiatric Association), estão incluídos no grupo de transtornos alimentares: a Pica, o Transtorno de Ruminação, Transtorno Alimentar Restritivo/Evitativo, Anorexia Nervosa,  Bulimia Nervosa e o Transtorno de Compulsão Alimentar.

Neste artigo será apresentado e explicado o quadro de bulimia nervosa, associando brevemente aos riscos e problemas que o comportamento bulímico  pode desencadear.

BULIMIA

A Bulimia é um transtorno alimentar caracterizado por episódios de ingestão alimentar, compulsoriamente, em um curto período de tempo, associados a comportamentos compensatórios inapropriados com finalidade de interromper o ganho de peso; e autoavaliação acerca do porte físico e pelo peso corporal. Tais hábitos acerca da doença reservam uma predisposição ao paciente de desencadear problemas gastrointestinais como refluxo laringofaríngeo, DRGE, síndrome da ruminação, entre outros.

Estudos acerca da epidemiologia de bulimia nervosa (BN) em brasileiros apresentaram uma incidência de aproximadamente 13 casos a cada 100 mil indivíduos por ano, ressaltando que cerca de 1,5 % dos transtornos alimentares são diagnosticados como bulimia, em mulheres na faixa da adolescência à adulto. Os homens heterossexuais não demonstram taxas significativas comparados aos homossexuais, que apresentam taxa menor que 0.2 %. O quadro de  bulimia é desencadeado a partir da necessidade do paciente em manter o falso controle entre o’que se ingere e o’que se gasta, ambos relacionados à autopercepção corporal.

Tipos de bulimia

O grande estigma por trás da bulimia se associa a padrões estéticos, baixa autoestima, regressão por necessidade de adequação corporal e principalmente medo de ganho de peso. Segundo a DSM, os padrões comportamentais classificam a bulimia em dois tipos:

  • BN com comportamento purgativo:  neste caso o paciente apresenta episódios de emese (vômito) induzido, geralmente associado ao uso abusivo de laxantes, diuréticos e enemas e
  •  BN não purgativo: neste caso o paciente se submete a longas jornadas de jejum e exercício intenso, sem intercorrência de vômitos ou uso de fármacos.

O padrão comportamental em mulheres, que possuem esse TA, exibem uma personalidade com baixa autoestima, ansiosa,  perfeccionista, incapaz de encontrar prazer/ satisfação na vida e, sempre atribui problemas e questionamentos acercas de situações corriqueiras, apresentando grande grau de exigência, incapacidade de atingir a felicidade e desfrutar da vida. Estudos confirmam que pessoas com esse diagnóstico são mais propensas a apresentarem problemas ao desenvolver relacionamentos interpessoais e sustentar redes sociais. Na comunidade masculina é observado uma incidência menor em diagnósticos de BN, relatando que a prática de exercícios compensatórios  é o único padrão comportamental evidenciado por eles.

Doença do refluxo Gastroesofágico  associado a BN

Por definição, a Doença do Refluxo Gastroesofágico é uma afecção crônica associada ao refluxo retrógrado do conteúdo gastroduodenal, sentido esôfago,  gerando lesão tecidual, metaplasia e displasia. Cerca de 40% da população adulta é diagnosticada com esse quadro, sendo a população feminina mais acometida. O organismo humano possui 4 maneiras fisiológicas de proteger a via aérea superior das alterações do fluxo gástrico:

  • Esfíncter esofágico superior: formado pelo músculo cricofaríngeo e uma porção de fibras musculares do esôfago distal
  • Esfíncter esofágico inferior:  localizado no nível do Hiato diafragmático, acima da junção gastroesofágica, responsável pela deglutição devido a sincronização de abertura e fechamento afim de e prevenir o escape de conteúdo alimentar gastroesofágico para aparelhos superiores (como boca, cavidade nasal, laringe, faringe).
  • Mucosa esofágica
  • Ondas motoras esofágicas

O esfíncter esofágico inferior  regula a pressão entre estômago e esôfago (sendo a esôfagica maior que a pressão no estômago). Em casos de desequilíbrio, a pressão gástrica torna-se maior do que a do esfíncter propriamente dito, levando a regurgitação do conteúdo. Esta diminuição de pressão pelo esfíncter deve ser investigada, acima de tudo em casos de afrouxamento muscular, hérnia de hiato ou relaxamento transitório.

A DRGE pode ainda ser extra-esofágica, traqueal-brônquica e/ou laringofaríngea, sendo denominado Refluxo Laringofaríngeo (RLF). Esse quadro geralmente acomete as cordas vocais, principalmente em homens, que são os mais atingidos por essa comorbidade.  Neste quadro o paciente apresenta disfunção do esfíncter esofágico superior, e regurgitação em posição vertical ao longo do dia. Estudos epidemiológicos mostram que a sensação de queimação, pigarro e inflamação laríngea acometem mais de 85 % dos casos de RFL. Isso ocorre devido a eructação de gases estomacais e hiperacidez do líquido regurgitado,  ressaltando que a mucosa laríngea é extremamente sensível a substâncias químicas, e mesmo com episódios esporádicos de refluxo, o quadro inflamatório ainda sim é desencadeado .

Como a bulimia se apresenta:

Os sintomas mais comuns do Refluxo Laringofaríngeo incluem: disfonia, rouquidão, tosse seca, disfagia, halitose, lesão inflamatória, laringe, edema e amigdalite. Os vômitos auto-induzidos na BN desencadeiam manifestações clínicas que abrangem todos os quadros citados acima, como irritação da mucosa oral, hiperplasia de amígdalas, língua saburrosa , entre outros.

As manifestações clínicas no paciente estão exclusivamente ligadas a frequência e quantidade de regurgitação induzida pelo mesmo. Estudos relataram disfonia (do tipo orgânica) em mulheres com BN, nelas há presença de rouquidão, voz mais grave e alterações laríngeas pré associadas a RLF.

Diagnóstico e tratamento 

Primeiramente, é importante que o profissional de saúde deixe o paciente o mais confortável e seguro possível, para que ele possa dar mais detalhes e informações pertinentes para definição de tratamento. A técnica de acolhimento e a constante recordação de confidencialidade  podem ajudar o paciente a se sentir acolhido e disposto a descrever todo o recordatório do transtorno.

O quadro de BN é geralmente tratado a partir de terapia e uso de medicamentos. Em suma, as abordagem com terapia cognitivo-comportamental (TCC) mostraram grande avanço em diminuir os sintomas de compulsão alimentar e purgação, além de sua associação com antidepressivos melhorarem o quadro de depressão e ansiedade do paciente. As TCC são estruturadas a partir de protocolos breves e focados na sintomatologia do indivíduo em tratamento e possuem grau de aceitação maior que o uso de antipsicóticos e antidepressivos, pelo paciente, em casos que não remissão espontânea.

Conclusão

Ao final, o quadro de bulimia nervosa é desencadeado a partir de um conjunto de fatores externos, sociais e mentais. Acerca disso, é essencial que o profissional de saúde tenha conhecimento dos sinais de BN, saiba sustentar a relação médico-paciente e tenha conhecimentos das enfermidades acarretadas pelas práticas bulímicas e purgativas.

Autora: Maria Eduarda Garcia Viana Paiva

Instagram: @mariaduddag


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

As terapias cognitivo-comportamentais no tratamento da bulimia nervosa: uma revisão – https://www.scielo.br/j/jbpsiq/a/qcpgTHhwypWCcMx4pHsCM9b/?format=html⟨=pt

Bulimia nervosa: revisão da literatura – https://www.scielo.br/j/prc/a/qVcfMLXrbvk758BBJ7LKqHf/?lang=pt

Refluxo laringofaríngeo e bulimia nervosa: alterações vocais e larínegas – https://www.scielo.br/j/rcefac/a/gLXZP4sRfX3yxVxsbqCd7kG/?lang=pt

Leituras Relacionadas

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Comece os estudos com o apoio certo, desde o Ciclo Básico até o R1

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀