A
medicina no Brasil é formada pela constante busca de aprimoramento, tendo como
finalidade a conversão das dificuldades encontradas na prática médica. Dentre
tantas dificuldades que podem ser explicitadas, destaca-se a busca de políticas
que promovam a inserção de médicos em cidades do interior.
Programa “Mais
Médicos”: Elefante Branco no país?
Uma
das políticas adotas por governos anteriores foi a criação do programa “Mais
Médicos”, em que profissionais de outras nacionalidades foram contratados para
trabalhar em locais mais ermos. A justificativa para a criação desse programa
foi a falta de médicos no país. Entretanto, segundo os dados apresentados pelo
Conselho Federal de Medicina (CFM), estima-se que o país, em 2020, atingirá a
média de 500.000 médicos. Segundo a entidade, esse número de médicos é
suficiente para atender a demanda da população brasileira.
Segundo
Fernando Weber Matos, presidente do CREMERS, a criação do programa “Mais
Médicos” foi mais uma jogada eleitoreira, em que o foco não estava na resolução
do problema real, que é a valorização do médico e a melhoria na infraestrutura
das unidades de saúde. Desde o fim do programa, voltou à tona no Congresso o Projeto
de Emenda Constitucional (PEC) 454, que trata da criação de planos de carreira
para médicos, que foi proposto desde 2009.
PEC 454: A espera
valerá a pena?
Desde
de 2009, a PEC 454 tramita no Congresso, tendo como intuito a formalização da
carreira de médico federal, além de estipular salários acima de quinze mil
reais para tais profissionais. Sem dúvidas, a aprovação dessa PEC sanaria um
dos problemas enfrentados pelos médicos em cidades do interior: a
desvalorização salarial.
O
projeto é uma ótima opção para os médicos que trabalham em cidades interioranas.
Isso porque é comum entre os médicos relatos afirmando que, com o passar do
tempo, prefeituras deixam de pagar os salários combinados, promovendo uma saída
desses médicos para locais com melhores condições salariais. Desse modo, a
saída desses médicos abre margens para que a sociedade crie preconceitos para
com esses profissionais de saúde, afirmando, por exemplo, que a classe médica é
elitista e irresponsável com o cuidado da população.
Desse
modo, a partir da aprovação da PEC e da consequente inserção de médicos em
interiores, tais estigmas podem ser eliminados, além de promover a valorização
do trabalho médico e a descentralização da atenção médica no país.
O outro lado da
moeda
Sem
dúvidas, a partir do exposto acima, a aprovação da PEC 454 trará diversos
benefícios para a classe médica e para a população como um todo. Entretanto,
essa proposta resolve uma parte do problema do profissional médico.
A
falta de investimento em unidades e nos materiais de trabalho é um importante fator
que pesa na balança ao se pensar em trabalhar em locais mais distantes. O
médico deve, acima de tudo, ter uma rede de atenção que funcione (demanda de
pacientes para um único profissional) tanto para ele como para o paciente, e
aporte de materiais essenciais na prática médica.
Para
demonstrar a importância das condições de trabalho, pesquisa feita pelo CFM
aponta que o principal agente para a não adesão de jovens médicos no serviço público
é a má qualidade do local de trabalho. Essa condição foi escolhida dentre
outras por 96,1% dos indivíduos pesquisados, mostrando, portanto, que esse
fator é de extrema importância na captação de novos médicos para a rede pública.
Por
fim, a aprovação da proposta será uma grande vitória para classe médica, entretanto,
não será motivo para o fim do embate na busca do aprimoramento da prática
médica no país.