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O dilema por trás do país já considerado exemplo em tempos pandêmicos|Colunistas

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Conheça agora a história de Israel, o país exemplo dos tempos pandêmicos.

A Terra de Israel é o berço do povo judeu. Uma parte importante da longa história do país se passou lá, com dois mil anos sendo registrados na Bíblia; e nela, sua identidade cultural, religiosa e nacional foi formada, e sua presença física foi mantida através dos séculos, mesmo após a maioria do povo ter sido exilada.

Durante o longo período de dispersão, o povo judeu nunca cortou nem esqueceu sua conexão com a Terra. Após o estabelecimento do Estado de Israel em 1948, a independência judaica, perdida dois mil anos antes, foi renovada.

Israel e os tempos pandêmicos

Esse povo que possui grandiosa determinação e está acostumado a diversas situações adversas se tornou exemplo na era do Covid-19, apresentando números de infectados baixíssimos, exemplo de vacinação mundial e aparência de quase superação da doença.

Contudo, apesar de Israel ter sido um dos primeiros a implementar o programa amplo de vacinação (o país havia começado sua campanha de vacinação em dezembro de 2020, usando imunizantes feitos com a tecnologia de RNA mensageiro e em abril, mais de 60% da população já estava vacinada com as duas doses), adotado medidas que se tornaram exemplo para o restante do mundo e praticamente voltado ao cotidiano normal após números satisfatórios (com a queda de casos devido à imunização coletiva – quando o número de pessoas vacinadas chega a um nível capaz de frear a disseminação da doença-, Israel decidiu reabrir a economia em março e foi o primeiro país do mundo a suspender todas as restrições; a população voltou a frequentar bares e lotar as praias, além de poder viajar para o exterior), as infecções infelizmente voltaram a aumentar recentemente, alertando a população mundial. Dessa forma, o país começou a se preocupar com o cenário e solicitou em caráter de urgência, como uma forma de tentar conter esse avanço, a terceira dose de vacinação, gerando um reforço. Atualmente, inclusive, o país se prepara para a quarta dose de vacinação, indo contra a opinião de muitos especialistas que acham errado a quarta remessa já ser iniciada.

Alguns cientistas abordam que a diminuição da imunidade gerada pela vacina pode ser a causa da nova onda vivenciada no país. Ademais, outros especialistas apontam a diminuição do fluxo de vacinação como possível causa, tendo em vista que apesar do país ter sido pioneiro, o programa de vacinação teve uma leve desaceleração nos últimos tempos, gerando complicação, já que o número de “não vacinados” entra em uma espécie de platô (prova disso é que apenas 62% da população israelense recebeu as duas doses de vacinação). Contudo, é importante ressaltar que não houve interrupções no fornecimento de vacinas, mas a desinformação atrelada a hesitação pode ter sido variáveis que influenciaram nessa baixa nos números de vacinação.

Essa hesitação tem preocupado os chefes de governo, tendo em vista que a maior parcela de casos e agravamentos são de pessoas que não tomaram nenhuma dose das vacinas. Acredita-se que essa hesitação é decorrente de notícias falsas sobre efeitos colaterais duradouros das vacinas, crenças religiosas, como também a desinformação; assim, embora não exista uma única estratégia para enfrentar a hesitação diante da vacina, quanto mais entendermos as forças sociais, econômicas e políticas que estão por trás desse comportamento, mais capazes seremos de encontrar soluções e reverter tal fenômeno que cada vez ganha mais força e adeptos.

Ademais, a chegada da variante Delta pode ter influenciado no aumento desses índices, afetando assim a proteção que a vacina antes garantia, já que a nova cepa é muito mais transmissível. Concomitantemente, como já foi citado, a diminuição da imunidade gerada pela vacina Pfizer pode ter sido aliada quando se fala do aumento de infectados (estudos apontaram que a proteção contra infecções mais leves e assintomáticas diminui gradualmente, é importante ressaltar, contudo, que apesar dessa queda, a vacinação ainda previne um número significativo de casos graves e deve ser tomada por toda a população, tendo em vista a comprovada eficácia da mesma e também ao fato que as esquema que está sendo pensado de doses de reforço superará essa possível queda imunológica de maneira efetiva).

Além do mais, outro fator levantado seria a rapidez com que o país interrompeu as medidas restritivas para controlar a pandemia, sendo necessário, assim, que outros países tenham o caso de Israel em mente antes de adotarem medidas mais flexíveis. Prova disso é que Israel já voltou a adotar medidas de distanciamento e uso de máscaras, como uma tentativa de realmente conseguir conter os novos casos.

Dessa forma, os cientistas apostam e torcem que a exposição repetida à infecção por covid-19 atrelada a proteção da vacina e a imunidade natural de infecções anteriores torne a doença menos arriscada, tornando em uma doença recorrente, mas com pouca gravidade.

E importante ressaltar, contudo, que com as medidas de vacinação e protocolos de segurança já readotados, as infecções por Covid-19 estão decrescendo novamente em Israel.

Referências:

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-58545780

https://www.revistaquestaodeciencia.com.br/artigo/2021/06/14/por-que-algumas-pessoas-hesitam-em-tomar-vacinas

https://butantan.gov.br/noticias/por-que-a-variante-delta-passou-a-preocupar-paises-ja-avancados-na-vacinacao-entenda-o-que-aconteceu-nos-estados-unidos-em-israel-e-no-reino-unido

https://veja.abril.com.br/saude/as-licoes-de-israel-exemplo-mundial-em-vacinacao-contra-a-covid-19/



O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


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