O movimento é a base de nossa funcionalidade, desde a nossa respiração e as batidas do coração até as nossas habilidades motoras mais finas.
Segundo, Haywood KM, et al., o desenvolvimento motor é um processo que inclui sequência, continuidade, está relacionado à idade cronológica do indivíduo e recebe habilidades motoras inerentes a ela – e irá evoluir desde movimentos simples para a execução de habilidades altamente inteligíveis.
A importância do
acompanhamento
Esse período entre a gestação e o sexto ano de idade é o mais rico
para a obtenção da aprendizagem. Você sabia que, mesmo na barriga da mãe, a
criança já pode ser estimulada para essas habilidades? Isso se dá pelo fato de
que o crescimento físico, a maturação neurológica e a construção dessas
habilidades estão relacionadas ao comportamento e as esferas físicas,
cognitivas, afetivas e sociais que o cercam. (Xavier J, 2018)
Durantes as visitas pediátricas e até mesmo durante o pré-natal é importante conscientizar os pais sobre a contribuição ao estímulo dessa criança; logo, eles estão ligados às esferas citadas acima. Sendo assim, segundo Gallahue DL, et al, esse é o modelo transacional ligado ao desenvolvimento motor dessa criança na primeira infância e que a acompanhará para o restante de sua vida, veja na figura abaixo:

Reflexos primitivos
É primordial esse acompanhamento com
os bebês, pois a persistência além da idade, a falta deles ou a intensidade
desses reflexos podem levantar a suspeita de algum distúrbio neurológico.
Segundo o Ministério da Saúde (2016), os reflexos que as crianças apresentam
podem se dividir em três grandes grupos:
1-
Os que são normais durante um tempo e depois desaparecem, voltando apenas se o
indivíduo tiver alguma patologia associada, por exemplo: reflexo de Moro, que
desaparece por volta dos 4-6 meses e o sinal de Babinski que, quando bilateral,
pode ser normal até 18 meses.
2-
Os que são normais por um tempo, desaparecem, porém reaparecem devido a alguma
atividade espontânea, como o reflexo de preensão, sucção e marcha.
3-
Os que ficam por toda a vida, como os vários reflexos profundos e os reflexos
cutâneos abdominais.
Confira
mais sobre os reflexos primitivos: https://www.sanarmed.com/reflexo-de-moro-e-outros-reflexos-primitivos-do-recem-nascido-colunistas.
Principais marcos motores,
segundo as Diretrizes de Estimulação precoce do Ministério da Saúde (2016):
1º
mês: Postura característica do bebê em supino: membros flexionados (hipertonia
fisiológica), cabeça oscilante, comumente mais lateralizada, mãos fechadas.
2º
mês: Acompanha visualmente os objetos ou a face humana, com movimentos de
cabeça geralmente até a linha média.
3º
mês: Colocado na posição sentada: mantém a cabeça erguida, podendo ainda
ocorrer oscilações. No final do 3° mês, espera-se aquisição do equilíbrio
cervical.
4º
mês: Gosta de ser colocado na posição sentada, mantendo a cabeça ereta, mas
instável quando o tronco oscila; tronco permanece menos tempo fletido.
5º
mês: Colocado na posição sentada, a cabeça não oscila e começa a sentar com
apoio, mantendo o tronco ereto.
6º
mês: Ao final do 6° mês, a criança já tem domínio sobre os movimentos
rotacionais, mostrando controle sobre algumas transferências, como o rolar.
7º
mês: Boa estabilidade na postura sentada e a retificação do tronco fica mais
evidente.
8º
mês: Com o domínio das rotações, o bebê experimenta posturas diferentes como
sentar de lado (sidesitting) e o
sentar com as pernas estendidas (longsitting),
e tudo isso possibilita a transferência para a postura de gatas e ajoelhado.
9º
mês: A criança engatinha e realiza a transferência de sentado para a posição de
gatas e vice-versa e começa a assumir a posição de joelhos e fica de pé com
apoio.
10º
mês: Inicia marcha lateral com apoio nos móveis e é capaz de caminhar quando
segurado pelas mãos.
11º
mês: Fase marcada pela postura ortostática; a criança realiza marcha lateral e
já é capaz de liberar o apoio de uma das mãos.
1
ano: Capaz de se levantar estendendo ativamente membros inferiores; transfere
da posição ortostática para sentado dissociando, movimentos de membros
inferiores; inicia ficar de pé sem apoio; primeiros passos independentes,
curtos e acelerados, com cadência aumentada em função do déficit de equilíbrio.
2
anos: Melhora do equilíbrio e desempenho da marcha, começa a saltar sobre os
dois pés.
3
anos: Consegue se manter em pé sobre uma única perna. Salta no mesmo local com
ambos os pés. Anda de triciclo.
4
anos: Corre bem, sobe bem escadas.
5
anos: Consegue escovar os dentes e se vestir, com pouca ajuda.
6
anos: Consegue andar de bicicleta com rodinhas.
Para terminar é importante saber que todas
essas fases não devem ser seguidas à risca como regra absoluta, certo? É normal
ocorrer uma pequena variação na ordem desses aparecimentos, porém devemos
informar aos responsáveis que fiquem atentos ao desenvolvimento motor das
crianças e analisem se eles estão demorando muito para atingir os marcos
motores nas idades esperadas, e então deverá fazer uma avaliação mais detalhada
de acordo com cada necessidade e, se necessário, encaminhar a um serviço de
reabilitação motora especializado.
Veja
mais essa dica: https://www.sanarmed.com/dica-de-pediatria-desenvolvimento-neuropsicomotor?term=desenvolvimento%20motor
Autora:
Ana Tainara
Instagram:
@anna.tainara