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O cuidado humanizado do paciente com demência | Colunistas

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DEMÊNCIA

Demência é um termo utilizado para definir um conjunto de alterações
cognitivas e/ou comportamentais patológicas presentes, sobretudo, no envelhecimento.

Essas doenças não têm uma causa específica, associa-se a estilo de vida,
hereditariedade e doenças de base, como hipertensão e diabetes. É possível ler mais a respeito do assunto no texto “Diabetes: hiperglicemia aumenta o riso de demências” clicando aqui.

fonte: https://drauziovarella.uol.com.br/entrevistas-2/memoria-dos-idosos-
entrevista/

A característica mais frequente é o déficit de memória e a forma mais comum de demência é a Doença de Alzheimer.

No entanto, é preciso ressaltar que nem todo esquecimento é demência e nem toda demência é Alzheimer.

Há um declínio cognitivo fisiológico no processo de envelhecimento. Além disso, há diversas formas de demência além da Doença de Alzheimer, as quais possuem clínica semelhante e diagnóstico complexo. 

A família é um dos principais contribuintes no processo que visa identificar as mudanças ocorridas. Assim, é preciso que uma equipe multiprofissional especifique se os sintomas são comuns à idade ou patológicos, diagnosticar, e, então, receitar os devidos cuidados.

O PACIENTE

O aumento da expectativa de vida é uma conquista dos avanços tecnológicos, principalmente na área da saúde. Entretanto, essa mudança carrega consigo um ônus individual coletivo: o medo do envelhecimento. 

Esse medo encontra raízes no sentimento de culpa, de incômodo, de não pertencimento. Aquela pessoa que outrora se via e era visto como um alicerce, passa a se ver, então, como o foco do cuidado daqueles de quem cuidava. Ainda que os cuidadores e familiares não vejam o idoso dessa forma, é frequente essa visão de si.

Desse modo, é de suma importância zelar pela identidade e individualidade da pessoa em processo demencial, a fim de manter sua dignidade enquanto indivíduo e sua autopercepção.

 DESUMANIZAÇÃO

A desumanização aqui discutida consiste no fato de retirar a autonomia do ser, desconsiderar seus aspectos sentimentais e psicológicos, infantilizar, excluir, subestimar.

O modelo biomédico da medicina ascendeu o foco na doença em detrimento do cuidado centrado na figura do paciente. Entretanto, o ato de desumanizar um paciente com demência não se restringe ao médico.

Manso (2019) salienta que o mais importante não é olhar para as habilidades cognitivas da pessoa com demência, mas reconhecer e zelar pela individualidade, a qual é perdida, muitas vezes, por interações sociais disfuncionais e não pelo processo patológico.

A humanização do paciente e do ente querido é um pilar para que seu adoecimento não seja potencializado e sua saúde mental e física, bem como sua qualidade de vida sejam preservadas; afinal, a pessoa doente ainda é o indivíduo dotado de aspectos subjetivos e individuais que lhe constituíam a personalidade antes do diagnóstico.

Para tanto, é imprescindível a empatia por parte dos que estão diante desse indivíduo. Se colocar no lugar do outro é sempre um exercício muito difícil, porém nobre e necessário, tanto na relação médico-paciente, quanto (e principalmente) na relação familiar.

CUIDADO

Cuidar – do latim, “cogitare” e “cura” – significa cogitar, aplicar atenção, ter cuidado. 

Cuidado: “aplicação de capricho e zelo, esmero; atenção maior, preocupação”, Dicionário Online de Português.

Em essência, o termo cuidado remete a atenção, carinho e, por conseguinte, ou por coincidência, a cura

Cuidar não se restringe à administração medicamentosa. Cuidar abrange atenção, zelo, esmero, relacionamento.

Embora esteja sendo falado de uma doença irreversível, um cuidado adequado pode estimular o processo de cura. Não a cura da doença, mas a cura do ente querido, do indivíduo por trás da figura criada de um doente que, cada vez mais, adoece de outras formas (psicológicas, mentais, sentimentais) a depender do cuidado que recebe.

Todo processo de saúde-doença deve ser centrado na figura do paciente, respeitando os princípios bioéticos de autonomia, beneficência e não maleficência. O médico deve reconhecer a necessidade de sua humanização no processo diagnóstico, na informação e no acolhimento DE seu paciente e familiares.

Não obstante, é preciso chamar atenção à humanização dos cuidados diários, seja da família, seja de um cuidador profissional. Manso defende o cuidado centrado na pessoa com demência baseado em amor, conforto, apego, inclusão, ocupação e identidade.

Ter uma identidade é saber quem se é, na cognição e no sentimento. Significa ter uma sensação de continuidade com o passado; e, portanto, uma “narrativa”, uma história para apresentar aos outros. Devido ao declínio da cognição, as pessoas com demência precisam que os outros “retenham sua história” e respondam a eles como “tu, na singularidade de seu ser”.

(KITWOOD, 1997, p. 43, apud FAZIO, et. al., 2018).

A autora defende 4 princípios para o cuidado da pessoa com demência:

1. Valorizar e respeitar as pessoas com demência e aqueles que cuidam delas; 

2. Tratar pessoas com demência como indivíduos com necessidades únicas; 

3. Ver o mundo a partir da perspectiva da pessoa com demência, de modo a compreender o comportamento da pessoa e o que está sendo comunicado, e validar a experiência subjetiva que está sendo percebida como a realidade do indivíduo; e 

4. Criar um ambiente social positivo em que a pessoa com demência possa experimentar um bem-estar relativo através de cuidados que promovam a construção de relacionamentos.

Ademais, há estratégias mais simples e práticas para o convívio, como mudar a forma de se comunicar, estímulo à independência e à autonomia, atenção a sinais de piora do quadro ou surgimento de outras comorbidades e demais atitudes individualizadas de acordo com seu paciente ou ente, sempre mantendo o contato humanizado.

REFERÊNCIAS

1 BRASIL. Ministério de Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria nº 2.528 de 19 de outubro de 2006 Aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 out. 2006.

2 BAYLE, Filomena C. O demente, a família e as suas necessidades. Aná. Psicológica, Lisboa, v. 22, n. 3, p. 621-627, set. 2004.

3 MASSA, L. D. B. O cuidado ao idoso com demência de Alzheimer: a produção científica da terapia ocupacional. 2016. 278 f. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva). Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2016.

4 NASCIMENTO, Hellen Guedes do; FIGUEIREDO, Ana Elisa Bastos. Demência, familiares cuidadores e serviços de saúde: o cuidado de si e o outro. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 24, n. 4, p. 1381-1392, abril de 2019.

5 GIL, G; TOMMASO, A. B. G. di. Cuidados paliativos no paciente com demência avançada: o que precisamos saber? SBGG: Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, São Paulo, 2016. Disponível em http://www.sbgg-sp.com.br/pro/cuidados-paliativos-no-paciente-com-demencia-avancada-o-que-precisamos-saber/

6 MANSO, Maria Elisa Gonzalez. Cuidado centrado na pessoa para indivíduos com demência. Rev. Longeviver, Ano I, n. 3, Jul/Ago/Set. São Paulo, 2019: ISSN 2596-027X

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