Já é mais do que
fato de que o mundo está passando cada vez mais por novos descobrimentos
tecnológicos, e na medicina isso não seria diferente. Sendo assim, a cada dia
surge uma nova tecnologia que muda a forma de como nós médicos agimos diante de
um caso clínico ou de um caso cirúrgico. Por isso destaco alguns desses avanços
tecnológicos na medicina e sua importância em algumas áreas:
Atenção básica de saúde
O desenvolver da
tecnologia na atenção primária permitiu o surgimento do PEC (Prontuário
Eletrônico do Cidadão), que possibilita o armazenamento de informações clínicas
a respeito do paciente em um sistema totalmente online. O preenchimento desse
documento individual deve ocorrer em softwares
específicos em cada Unidade Básica de Saúde (UBS). Eventualmente sua aplicação
da maneira correta trouxe diminuição no tempo de espera e também no número de
prontuários extraviados ou mal preenchidos. Simultaneamente ao PEC, foi
instituído o e-SUS, um sistema online que procura promover uma integração da
atenção básica em nível nacional. Entretanto, esses sistemas só possuem uma boa
funcionalidade quando há internet, e sabemos que nem todas as unidades no
Brasil possuem wifi.
Além disso, a
produção de softwares também
influenciam na atenção básica, seja com programas de fornecimento e
preenchimento de tabelas onlines, ou até mesmo mapeamento digital da área
adscrita a uma UBS. Desse modo, o crescimento tecnológico torna o trabalho mais
eficiente e o atendimento do cidadão mais eficaz.
Cirurgia e transplante de órgãos
A tecnologia vem
modificando cada vez mais essa área da medicina, seja com o uso de equipamentos
robóticos que fazem incisões cada vez mais precisas, ou com a IA (Inteligência
artificial) realizando procedimentos.
Porém, a tecnologia
mais atual é o Xenotransplante, que vieram para suprir a necessidade de órgãos
para transplantes. A partir da biotecnologia pode-se realizar transplantes
interespécies, ou seja, transplantar um coração de bovino para um humano. Já
usam-se dessa técnica principalmente para reparo de valva cardíaca, em que
muitas das vezes a sintética não se torna compatível com o paciente. A questão
é que ultimamente estão surgindo mais estudos e mais testes para transplantação
de órgãos. Dessa forma, daqui a alguns anos teremos uma maior quantidade de
vidas salvas, seja por IA, por equipamentos ou até mesmo por xenotransplante,
tudo isso graças ao avanço tecnológico.
Outra grande
tecnologia para essa área da medicina é a realidade virtual, que começou a ser
utilizada em 1990 para simulação cirúrgicas, mas foi apenas por volta dessa
década que esse método passou a ser disseminado e aprimorado. A partir disso,
essa técnica permite o treinamento de cirurgiões, residentes e estudantes de
medicina, para assim obter a melhor forma e mais eficiente de aquisição de
habilidade fundamentais para realização desses procedimentos. Sendo assim,
quanto mais avanço nessa área, menos serão as complicações e intercorrências
durante cirurgias complexas, ou até mesmo pro surgimento de novas técnicas, principalmente
na área da neurocirurgia. Quanto aos cirurgiões e estudantes que estudam pela
realidade virtual, eles estão mais confiantes, possuem a melhor abordagem
cirúrgica e diminuem o tempo do paciente na sala cirúrgica e no leito
hospitalar.
Medicina preventiva
É verdade que o
surgimento e a alta taxa de uso dos relógios e pulseira digitais, trouxeram uma
onda de possibilidades para a medicina preventiva. De batimentos cardíacos até
qualidade de sono, os wearable devices, nome dado a essa tecnologia, trazem
um maior monitoramento individual da própria saúde, que passa a ser realizado
24h por dia. Sendo assim, sua notabilidade deve-se na maior probabilidade de
prevenir doenças, principalmente as cardíacas, influenciando pessoas a se
preocuparem mais com a prevenção, gerando menos custo aos serviços de saúde.
Realidade Virtual
É claro que essa
tecnologia veio crescendo com o passar dos últimos anos, e sua aplicabilidade
em diversas áreas na medicina só vem aumentando. A RV a princípio foi
disseminada bastante para a simulação cirúrgica como já foi destacado acima,
mas também está começando a ser utilizada em outras áreas da medicina.
De maneira idêntica
a simulação cirúrgica, essa metodologia recentemente passou a ser integrada
para o uso do paciente, e não só de profissionais da área cirúrgica. Um exemplo
disso é o jogo Snoworld disponível para realidade virtual, que possui o objetivo
lúdico de jogar bolas de neve enquanto o corpo produz e libera endorfina
bloqueando a sensação de dor, tendo em vista uma maior eficácia do que a
morfina ou outro fármaco. Ao mesmo tempo essa tecnologia também está sendo
usada como forma para tratamento de psicopatologias como a claustrofobia e o
transtorno do estresse pós traumático. Uma vez que permite a simulação de um
ambiente controlado a ser trabalhado pelo paciente, sem que se ponha realmente ele em uma situação de perigo.
Inclusive, a RV permite ser utilizado por idosos e por deficientes físicos um
ambiente virtual para promoção de saúde física.
Impressora 3D
No ano de 2000 com
o advento dessa tecnologia pode-se imprimir um órgão humano, um rim. Porém, só
com mais 13 anos de estudos que realizaram uma cirurgia de transplante de órgão
impresso. Assim, hoje em dia é gigante a quantidade de estudos e pesquisas relacionadas
a essa área que só tende a aumentar suas aplicações clínicas e cirúrgicas.
Ultimamente, essa tecnologia permite a moldagem e a confecção de órgãos,
membros, ossos, cartilagens, tecidos e até mesmo pele sintética. A grande
aplicabilidade tecnológica dessas impressoras, é a permissão de criar próteses
completamente personalizadas e individuais, ou seja, reduz drasticamente a
possibilidade de rejeição.
Outro grande feito
das impressoras 3D consiste na terapia farmacogenética individualista. Essa sub
técnica permite a formação de medicamentos com dosagem específica para cada
paciente, reduzindo assim a superdosagem, os efeitos colaterais e melhorando os
efeitos do remédio. Apesar desses meios de utilização serem bastantes
eficientes quanto os métodos convencionais, a impressora 3D apenas está sendo
utilizada por hospitais de alta complexidade.
Epigenética
Consiste em uma
nova área da medicina ligado a genética, em que seu objetivo de estudo são os
epigenes. Desde o ano 2010 em diante se vem estudando fatores que podem alterar
o DNA e sua expressão gênica, são os epigenes que quando interagem com
estímulos específicos são capazes de realizar alterações na expressão genética
sem mudar primariamente a sequência que compõe o DNA. Esse conjunto de alterações
são conhecidas como epigenoma, e quando estimulados de forma errônea acarretam
na malformação celular, consequentemente no surgimento de patologias. Dessa
forma, o desenvolvimento da epigenética consiste em um estudo eficaz para
avaliação de marcadores tumorais, crescimento fetal anormal, alzheimer,
huntington, autismo, esquizofrenia entre outras doenças. Ou seja, daqui a
alguns anos poderá ser desenvolvidas terapias epigenéticas que possam amenizar
a expressão dessas patologias e até mesmo descobrirem a cura total.