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O aumento do tabagismo passivo em crianças durante a pandemia | Colunistas

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O tabagismo é uma doença crônica, muito prevalente no Brasil e mundialmente, que gera diversos prejuízos à saúde física e emocional das pessoas, e em geral essas consequências são amplamente divulgadas e conhecidas pela população.

Porém, um tema pouco abordado é o tabagismo passivo, que de acordo com a Organização Mundial de saúde (OMS) é responsável por 1,2 milhões de mortes no mundo por ano e tem como uma das principais vítimas as crianças.

Especialmente no período de pandemia, em que o isolamento social é uma das medidas preventivas mais eficazes contra a COVID-19, uma relevante consequência na saúde infantil foi a maior exposição ao tabagismo passivo pela convivência com familiares fumantes.  Dessa forma, o tabagismo passivo em crianças, que foi potencializado durante a pandemia, causa diversos danos à saúde desse grupo de pessoas e precisa ser discutido.

Tabagismo Passivo

O tabagismo é uma doença crônica causada pelo consumo de produtos à base de tabaco, que têm como princípio ativo a nicotina e gera dependência química. De acordo com a OMS, o tabagismo é classificado como a maior causa evitável isolada de adoecimento e mortes precoces mundialmente. Esta doença é considerada a principal causa de câncer de pulmão e pode aumentar as chances de desenvolver outros tipos de câncer, como no esôfago, laringe, entre outros. Além das neoplasias malignas, existe o aumento da probabilidade de ocorrerem acidentes cerebrovasculares, e de piora das Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas (DPOC).  Dessa forma, se observa que esse é um grave problema de saúde brasileira e mundial pela alta prevalência e diversos prejuízos à saúde como um todo.

Porém, uma consequência desse hábito é o tabagismo passivo, que se caracteriza pela inalação da fumaça liberada pelo fumo do tabaco difundida no ambiente e de acordo com a OMS é responsável por 1,2 milhões de mortes no mundo por ano. Esta fumaça pode levar aos indivíduos que a inalam seis vezes mais nicotina, sete vezes mais monóxido de carbono e cinquenta vezes mais compostos carcinogênicos que o tabagista em si. Dessa forma, o tabagismo especialmente quando praticado em ambientes fechados, tem como consequência o prejuízo da saúde de todos os que estão presentes no mesmo ambiente.

Impactos do tabagismo passivo em crianças

As crianças têm direito a um desenvolvimento biopsicossocial adequado, que envolve um cuidado integral em diversas esferas, incluindo o convívio familiar. Especialmente no momento de pandemia, ocorreu um aumento do contato entre as crianças e seus responsáveis, porém em famílias com membros fumantes, isso resultou em uma maior exposição infantil ao tabagismo passivo. Esse fator é muito negativo para o desenvolvimento da criança, pois gera diversos prejuízos à sua integridade física e mental.

O grupo que mais sofre os com os prejuízos do tabagismo passivo estão na faixa etária de 5 anos ou menos. Isso ocorre porque nesta idade o aparelho respiratório ainda apresenta um desenvolvimento incompleto e a inalação de substâncias tóxicas por quilo peso é muito alta, a depender da quantidade e frequência de exposição ao tabaco, fator que aumenta as chances de desenvolver doenças respiratórias agudas que são a principal causa de hospitalizações e maior responsável pela morbimortalidade de crianças nessa faixa etária, entre outras doenças. Dessa forma, os impactos na saúde infantil podem se refletir em curto e médio prazo, gerando diversos distúrbios dos quais alguns se destacam.

Consequências momentâneas e a longo prazo do tabagismo passivo infantil

As crianças fumantes passivas têm maior probabilidade de apresentar diversas complicações à sua saúde momentaneamente ou com o passar dos anos de exposição. Estas apresentam maiores chances de contrair doenças respiratórias agudas que indivíduos da mesma idade sem essa exposição, além de que aparentemente são mais imunodeprimidas, pois tem maior propensão a terem associadas duas ou mais patologias.

Os efeitos instantâneos do tabagismo passivo são a irritação da mucosa oral e nasal, olhos e pulmão da criança; náuseas, cefaleia, tosse, coriza, entre outros. Além disso, crianças portadoras de asma podem apresentar crises asmáticas no mesmo momento.

As consequências a longo prazo do convívio de crianças com tabagistas são a maior incidência de rinite, otite, laringite, tonsilite, bronquite, pneumonia e aumento na frequência de crises asmáticas. Dessa forma, além destas doenças ainda podem ocorrer manifestações tardias na vida deste indivíduo, havendo uma maior predisposição à diversos tipos de câncer, em especial no pulmão, cardiopatias e redução da função respiratória.

Outra consequência relevante da exposição de crianças à fumaça do tabaco no ambiente, é a maior necessidade de atendimento médico para esse grupo. De acordo com o Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, em comparação com crianças não expostas, os que sofrem com o tabagismo passivo são a maior parte dentre o número total de pacientes pediátricos com quatro idas ou mais ao Pronto-Socorro por ano, e com necessidade de antibioticoterapia duas vezes ou mais ao ano.

Considerando todos os danos à integridade física da criança que o tabagismo passivo traz, ainda existem consequências psicológicas. Ter um membro adulto da família que seja fumante, aumenta a propensão desse jovem normalizar este hábito e se tornar tabagista na adolescência e vida adulta, o que gera ainda mais prejuízos à sua saúde.

Possíveis condutas diante do tabagismo passivo infantil

Analisando os impactos do tabagismo passivo na saúde da criança, é possível inferir que as consequências negativas tanto para sua saúde física quanto mental são diversas. Adicionalmente, a permanência das crianças em casa durante a pandemia com familiares fumantes aumenta ainda mais sua exposição a este problema. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o tabagismo passivo deve ser enxergado como uma doença pediátrica pela sua influência clínica e social nas doenças respiratórias infantis, e deve ser combatido.  

Dessa forma, é importante que os pediatras e profissionais da saúde em geral incentivem os membros das famílias a deixarem de fumar e a adotarem hábitos mais saudáveis para beneficiar a si próprios e suas crianças. Este objetivo pode ser alcançado através do diálogo, promoção de tratamentos anti-tabagismo ou até encaminhamento para profissionais e programas especializados para este fim, já que no Sistema Único de Saúde (SUS) existe o “Programa Nacional de Combate ao Tabagismo”. Estas medidas podem ser associadas à realização de campanhas de conscientização para combater o tabagismo passivo infantil, que precisa ser erradicado para garantir o bem-estar de forma integral às crianças.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


REFERÊNCIAS:

Tabagismo. Instituto Nacional do Câncer. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tabagismo

Coelho, S. A., Rocha, S. A., & Jong, L. C. (2013). Consequências do tabagismo passivo em crianças. Ciência, Cuidado E Saúde, 11(2), 294-301. https://doi.org/10.4025/cienccuidsaude.v11i2.10281

Tabagismo: O Papel do Pediatra. Sociedade Brasileira de Pediatria. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/publicacoes/Pneumo-DocCientifico-Tabagismo.pdf

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