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O amor como instrumento de cura na medicina | Colunistas

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“O amor é
paciente; o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, nem é arrogante. Não
se porta de maneira inconveniente, não age egoisticamente, não se enfurece
facilmente, não guarda ressentimentos. O amor não se alegra com a injustiça,
pois sua felicidade está na verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo
suporta. ” 1Coríntios 13:4-7

O amor, a
empatia e a compaixão são elementos fundamentais para o processo de cura do
paciente, seja a cura emocional, seja a cura psicológica, seja a cura física.
Mas o que são exatamente esses elementos?  O amor pode ser definido como uma forte
afeição por outra pessoa, nascida de laços de consanguinidade ou de relações
sociais. A empatia pode ser entendida como a capacidade psicológica para sentir
o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por
ela. A compaixão está relacionada a um sentimento de tristeza pela dor do
outro, que desperta a vontade de confortar quem dela padece.

O amor, a
empatia e a compaixão são componentes essenciais para formação do médico, mas
não somente do médico. Esses sentimentos devem estar presentes em toda equipe
de cuidado ao paciente, aos acompanhantes e seus familiares. Em verdade, pensa-se
por que alguém deveria seguir essa profissão sem ser dotado de amor? Quando
falta amor ao que se faz, do que vale a vida? Vamos pensar especificamente no
papel do médico no relacionamento médico-paciente.

O amor é paciente.  Vamos supor aqui um doente com Alzheimer,
nesse perfil de paciente, podemos levar nossa imaginação a um idoso, resistente
ao tratamento e cuidados necessários, ele faz perguntas repetitivas e perde a
memória recente, além disso ele está irritado, porém apático. Junto dele nos
deparamos com uma família que não reconhece mais o seu “vovô”, a família está
exausta, ninguém sabe mais o que fazer, nem a quem procurar. Você é o médico.

O amor é bondoso. Um dia, você médico
se depara com uma paciente portadora de bipolaridade, ela chega ao seu
consultório praticamente arrastada pelo marido, está em fase de mania, já fez
inúmeras dívidas e se veste de forma imprópria. A paciente não quer se tratar,
afirma não estar doente. O marido a ponto de pedir o divórcio, não sabe o que
ela tem e te procura como última esperança para o amor deles.

O amor não inveja, não se vangloria, nem é
arrogante.
Há anos sofrendo de depressão e carregando consigo uma lista de
tentativas e ideações suicidadas, um jovem é levado a você médico por sua mãe
evangélica que participa de campanhas de orações e é assídua em votos com Deus
para ver seu filho curado. Após o início do tratamento, o jovem apresenta
respostas positivas e com o tempo você o considerou curado. A família embora
agradecida, sempre atribuiu todo o mérito a Deus, como está seu ego nesse
momento? Há maturidade para além de religiões, respeitar a fé dos pacientes e
entender talvez que a fé tenha tido boa parcela na cura?

O amor não se porta de maneira
inconveniente.
Uma paciente pós-bariátrica, chega para consulta com excesso
de pele por todo o corpo para avaliação da plástica, tudo ocorre bem e vocês
decidem marcar o procedimento. Durante a cirurgia, por algum motivo a paciente
começa a ouvir tudo o que está sendo falado pela equipe, o que ela ouviu você
falando?

O amor não age egoisticamente.  Um
senhor de 58 anos chega ao seu consultório com queixa de fezes com sangue, após
uma anamnese e exame físico detalhados e revisão de exames solicitados,
conclui-se que o paciente está com câncer de reto. O câncer está em estado
avançado e infiltrado, porém o paciente não está debilitado e teria condições
de fazer a cirurgia, o que daria a “cura” ao paciente, entretanto o paciente no
momento em que soube que teria que conviver com uma bolsa de colostomia pelo
resto da vida decide não realizar o tratamento. O paciente quer apenas o
cuidado sintomático e prefere viver por menos tempo. Na hora da cirurgia você,
médico cirurgião, está inconformado com a decisão do paciente, pois você
poderia curá-lo. Qual sua conduta neste momento?

O amor não se enfurece facilmente, nem se
alegra com a injustiça.
O plantão
no pronto atendimento está a maior correria, você acaba de receber dois
pacientes: uma menina que já chegou sem vida e um homem espancado, após os
cuidados iniciais para estabilização do doente, você descobre que na verdade
este homem tinha estuprado e matado a criança, por isso ele chegou espancado
pela comunidade local. Uma situação revoltante, como manter sua ética?

O amor não guarda ressentimentos. O dia está tranquilo, atendimentos
ambulatoriais de rotina, de repente sua ex-namorada adentra ao atendimento para
consulta ginecológica, ao exame físico fica claro que ela está com tricomoníase,
a consulta acaba. No final do expediente, chegou a hora de se encontrar com
alguns colegas de faculdade que estudaram com vocês, se sentiu tentado em expor
sua ex-namorada e atual paciente?

A felicidade do amor está na verdade.  Após
uma longa cirurgia, você já está cansado, louco para ir para casa, hoje é
aniversário de 9 anos da sua filha. A verdade é que a cirurgia de hoje não foi
feita com tanta perfeição e você embora presente, deixou boa parte da cirurgia
na mão do seu R1. Tudo pareceu estar bem e você foi para casa. No outro dia
pela manhã, te ligam do hospital, seu paciente foi a óbito, a família quer uma
explicação e eles te perguntam “O que aconteceu?”.

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo
suporta.
Há pacientes que se tornam
mais chegados do que outros, tratamentos longos e dolorosos criam laços entre
médicos e pacientes. Já faz mais de 8 meses de tratamento, sua paciente não
está mais resistindo, a sua dedicação ao caso é algo visível e a dor do
paciente passou a ser um pouco sua também. Infelizmente, ela se foi e deixou um
certo alívio. Você sofreu, você até creu na cura, imaginando um ente querido
naquela situação, você esperou pacientemente o choro da família cessar, você
suportou até as acusações que fizeram contra você. O amor prevaleceu.

Diante de todas essas situações imaginadas, é
possível notar como o amor é relevante na profissão médica. O amor é
necessário, ele é imprescindível para cuidar do outro, o amor é a única forma
de tratar pessoas que chegam vulneráveis até o consultório, essas pessoas que
muitas vezes olham para você como última fonte de esperança, mesmo que não
queiram admitir isso. O texto bíblico aqui citado não serve como doutrina, peço
que olhem para ele como um texto retirado de um dos livros mais antigos da
história: a bíblia.  De tantas maneiras,
tentamos definir o amor, o que é o amar? É possível amar nossa profissão,
nossos pacientes, nossa jornada, nossa missão sem amor? Será que existe uma
forma de amar sem amor?

Precisamos de amor para amar, porque
precisamos da paciência para cuidar de idosos, da bondade para compreender
doenças psiquiátricas, da humildade para respeitar e quem sabe até acreditar na
fé do outro. A ética é necessária para sermos justos, o respeito para tomarmos
decisões de forma coletiva, ou seja, precisamos de menos relacionamento
verticais e mais horizontais, é necessário ouvir o paciente e dar voz a ele. Também
precisamos de mansidão, pensar antes de agir, levar paz aos nossos doentes e
não fúria, o nosso coração deve estar livre de mágoas, rancores e
ressentimentos, é necessário não só pedir perdão, mas também perdoar. A verdade
liberta nosso coração, será que é possível amar mergulhado em mentiras? A
verdade pode trazer dor momentaneamente, mas é como um remédio para alma, cura.

Em verdade, o amor tudo sofre, tudo crê, tudo
espera e tudo suporta. Se um dia nos depararmos com o nosso coração frio e
endurecido, um coração que não se comove mais com a dor do outro, um coração
sem empatia e compaixão, talvez nós que precisemos de cura. Esse texto é
dedicado aos estudantes, para que se preparem para casos semelhantes que
enfrentarão em sua jornada, mas também é dedicado aos médicos que já não sentem
e nem vivem mais a mais linda oportunidade que a medicina nos dá, a
oportunidade de viver o amor constantemente.

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