Os
3 grandes perigos
Pesquisadores descobriram que não fumar, beber moderadamente e manter um estilo de vida saudável podem adicionar anos de “disability-free life” (algo como “vida sem comorbidades ou problemas de saúde”). Suas análises envolveram material estudado entre 1998 e 2012, coletado do National Health and Retirement Study, com dados de aproximadamente 15 mil americanos com idades entre 50 e 89 anos.
A parcela mais saudável nunca fumou cigarros, não era obesa (massa corporal entre 18.5 e 29.9 kg/m²), e beberam álcool moderadamente (menos do que 14 drinks por semana para homens e menos de 7 drinks para mulheres). Comparados com toda população americana eles tiveram uma expectativa de vida 7 anos maior e uma estimativa de que uma comorbidade leve 6 anos para “aparecer”.
Segundo artigo do Medscape, achados dos
doutores Neil Mehta, PhD, e Mikko Myrskylä, PhD, foram publicados em Julho de
19 no periódico Health Affairs e indicam a magnitude dos ganhos de
saúde que podem ser adquiridos se mais americanos adotarem comportamentos de “baixo
risco”. Pesquisas prévias focaram nos efeitos de saúde de um único
comportamento, como fumar ou beber muito álcool. Estudando os efeitos de
múltiplos comportamentos de saúde praticados simultaneamente se providencia
novas evidências que melhores níveis de saúde podem ser obtidos sem o uso de “life-extending
medical technologies” (tecnologias em saúde que promovam maior
longevidade).
Eles encontraram uma diferença marcante entre os
melhores e piores perfis. Mulheres de 50 anos que tiveram um bom comportamento
em saúde nos três fatores viveram 12 anos a mais que mulheres da mesma idade
que nunca fumaram, foram obesas e que não bebiam com frequência ou
eventualmente. Para homens a expectativa de vida entre o pior perfil e o melhor
perfil foi uma diferença de aproximadamente 11 anos.
Cada um dos três fatores de risco foi associado
independentemente com um risco de se ter uma comorbidade mais precoce, sendo a
obesidade o fator mais importante. Homens obesos, na média, desenvolveram uma
comorbidade aproximadamente aos 63 anos, o que é 3 a 6 anos menos do que quando
comparado com a parcela não obesa.
Pessoas com todos os três bons fatores tiveram o maior
período de “latência” para o início de uma comorbidade, sendo que os homens
neste grupo tiveram o primeiro problema de saúde “crônica” por volta dos 72.1
anos e as mulheres entre 75.2 anos.
O
estudo não avaliou fatores genéticos.
Qual a melhor atividade
física para se obter uma maior longevidade?
Atividade
física é boa para a saúde, mas importa em qual atividade física a pessoa está
engajada? Novas evidências sugerem que sim, e nós temos um vencedor…
Investigadores
analisaram dados de um estudo “long-term” (realizado já por um
considerável período), o Copenhagen City Heart Study. Este estudo
prospectivo populacional, iniciado em 1976 e que teve 8577 participantes ao
longo dos 25 anos, avaliou vários aspectos de risco cardiovascular. Pessoas
sedentárias foram comparados com aquelas que realizam esportes tais como: tênis,
badminton, futebol, corridas, andar de bicicleta, ginástica, natação, entre
outras.
| Atividade | Anos “a mais” de vida |
| Tênis | 9.7 |
| Badminton | 6.2 |
| Futebol | 4.7 |
| Cycling (“andar de bicicleta”) | 3.7 |
| Natação | 3.4 |
| Jogging (“corrida”) | 3.2 |
|
Low-intensity calisthenics (“exercícios de relaxamento”) |
3.1 |
|
Health club activities (“atividades internas”) |
1.5 |
Cada tipo de atividade física foi associado com
maior longevidade comparado ao estar sedentário. Esta informação foi associada
com maior expectativa de vida comparado ao estar sedentário. Atividade física
parece estar fortemente associada com a melhora da expectativa de vida.
Ponto
de vista
Com o foco em números como pressão arterial,
colesterol, glicemia e medicações em saúde talvez nós estejamos perdendo o que
seria a verdadeira chave para uma vida saudável. Ou, então, talvez jogadores de
tênis apenas deem um “sentido” e “propósito” para sua vida. Alternativamente, o
maior ganho e os maiores níveis de educação podem ser associados com maior
longevidade.
No estudo de Copenhagen, jogadores de tênis e
“corredores” tiveram a mais baixa pressão arterial sistólica e os mais baixos
níveis de colesterol e o menor uso de medicações.
O estudo EPIC
Dez anos atrás, o estudo EPIC, através de dados de 23
mil alemães entre 35 e 65 anos, concluiu alguns fatores relacionados à saúde:
1)
nunca fumar;
2)
manter massa corporal menor do que 30 kg/m2;
3)
praticar 3.5 horas de atividade física por semana;
4) aderir a uma dieta saudável (grande ingesta de
frutas, vegetais e grãos, além de baixo consumo de carne).
Foi
descoberto que pessoas que aderiram aos quatro fatores tiveram 93% menos risco
de desenvolver diabetes, 81% menos risco de ataque cardíaco, 50% menos risco de
infarto e 36% menos risco de câncer. Simplesmente mantendo um IMC menor ou
dentro do que seria adequado para aquele indivíduo já há uma redução em 67% de
doenças crônicas.
Quando nós prescrevemos uma medicação, os pacientes
acreditam que precisam dela, mas podem não perceber que eles podem ganhar
alguns benefícios apenas com mudança no estilo de vida. Parar ou evitar a
medicação é um fator motivacional que não utilizamos o suficiente.
Maior otimismo = maior longevidade?
Maiores níveis de otimismo, este sentimento que nos
diz que, de alguma forma, as coisas ficarão “bem”, estão ligados a uma maior
longevidade?
Para responder esta questão foram utilizados dois
estudos de coorte: o Nurses’ Health Study (com aproximadamente 10 anos e
um “follow-up” de 70,000 mulheres) e o Veterans Affairs Normative
Aging Study (com aproximadamente 30 anos e um “follow-up” de 1400
mulheres). Os participantes foram questionados o quão fortemente eles
concordavam com a seguinte expressão: “Em tempos incertos, eu geralmente
espero o melhor” e “No geral, eu espero que mais coisas boas aconteçam
comigo do que coisas ruins”. Com isto, tinha-se uma pontuação de otimismo.
Altas pontuações foram fortemente ligadas a uma maior
sobrevivência. Mulheres que obtiveram as
maiores pontuações de otimismo viveram 15% mais do que aquelas com as menores.
Homens que estavam entre os mais otimistas viveram 11% a mais do que aqueles que
obtiveram as piores pontuações.
Como
médicos, nós devemos encorajar nossos pacientes com a famosa frase que encerra
o filme “A Vida de Brian”, feito pela companhia inglesa Monty Python e
eternizada na voz de Eric Idle: “Olhe sempre para o lado bom da vida”.
Viver mais… mas,
viver melhor?!
Uma variante comum de um gene associado à longevidade também pode melhorar o aprendizado e a memória – e 1 em cada 5 pessoas o possui, mostra um novo estudo.
Em três coortes independentes e uma meta-análise, ter uma única cópia da variante KL-VS do gene klotho foi associado ao desempenho cognitivo aprimorado em testes padrão, independentemente de outros fatores relevantes, dizem os pesquisadores.
“É tentador especular que o aumento dos níveis de klotho ou a simulação de suas atividades de aprimoramento da cognição com drogas podem aumentar as funções cognitivas e ajudar a melhorar déficits em distúrbios cognitivos, como doença de Alzheimer ou esquizofrenia”, o autor principal, Lennart Mucke, MD, diretor do Instituto Gladstone de Doença neurológica e professor de neurociência da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), disse ao Medscape Medical News.
“Há muito que sabemos sobre influências genéticas prejudiciais à saúde cognitiva, como portar o alelo APOE ε4. A descoberta de que transportar um alelo 1 KL-VS pode conferir benefícios às funções cognitivas pode contribuir para a nossa compreensão de prever e promover a saúde cerebral no envelhecimento e doença – particularmente em uma era emergente da medicina personalizada “, a principal autora, Dena Dubal, MD, PhD, professora assistente de neurologia, David A. Coulter investiu cadeira em envelhecimento e neurodegeneração na UCSF, acrescentou em comentários ao Medscape Medical News.
Seu estudo foi publicado em 8 de maio na Cell Reports.
Fio da Vida
O gene klotho foi descoberto em 1997 e nomeado para a deusa mitológica grega do destino, que gira o fio da vida. É um regulador do envelhecimento que, quando superexpressado, prolonga a vida útil e, quando interrompido, acelera o envelhecimento, observam os pesquisadores. Demonstrou-se que níveis mais altos de klotho aumentam a vida útil de camundongos e nemátodos. Nas pessoas, um único alelo da variante KL-VS do klotho promove a longevidade e reduz as doenças cardíacas relacionadas à idade.
No presente estudo, os pesquisadores descobriram que pessoas que tinham 1 cópia da variante KL-VS tiveram um desempenho melhor em uma bateria de testes cognitivos do que aquelas que não a possuíam, independentemente da idade, sexo ou presença do alelo APOE ε4, o principal fator de risco genético para a doença de Alzheimer. Mais de 700 pessoas, com idades entre 52 e 85 anos, foram testadas como parte de três estudos. Nenhum tinha sinal de demência. Consistente com estudos anteriores, 20% a 25% dos pacientes tinham 1 cópia da variante KL-VS.
Os pesquisadores também relatam que camundongos transgênicos com superexpressão sistêmica do klotho tiveram melhor desempenho do que controles em vários testes de aprendizado e memória. O aumento dos níveis de klotho nos camundongos aumentou a plasticidade sináptica e o GluN2B sináptico enriquecido, uma subunidade N-metil-D-aspartato com funções fey na aprendizagem e na memória, dizem eles. “Surpreendentemente, os efeitos do klotho também foram evidentes em ratos jovens e não se correlacionaram com a idade em humanos, sugerindo independência do processo de envelhecimento”, observam os pesquisadores em seu artigo. “Aumentar o klotho ou seus efeitos pode melhorar a cognição em diferentes estágios da vida e neutralizar o declínio cognitivo”, eles escrevem.
Dr. Mucke observou que estão em andamento estudos para explorar o potencial terapêutico do klotho. “Também estamos trabalhando duro para desvendar ainda mais os mecanismos pelos quais o klotho aprimora as funções cognitivas e pelos quais o envelhecimento e a doença reduzem os níveis de klotho no cérebro”, disse ele. “Estamos investigando em humanos como o transporte da variante KL-VS do gene klotho influencia a anatomia e as conexões de rede do cérebro normal, envelhecido e doente”, acrescentou o Dr. Dubal. “Será importante também determinar como essa variante pode alterar riscos ou benefícios para a cognição em uma ampla gama de distúrbios neurológicos”, disse ela.
O estudo foi financiado pela Coulter-Weeks Foundation, SD Bechtel, Jr., Foundation, Institutos Nacionais de Saúde, MetLife Foundation, Federação Americana de Pesquisa sobre o Envelhecimento e a Hillblom Aging Network. Os autores não declararam relações financeiras relevantes.
Este último tópico
e artigo foi traduzido, sem alterações, de sua respectiva fonte de publicação (Medscape):
https://www.medscape.com/viewarticle/824997, sendo a autora
Megan Brooks.
CONCLUSÃO
O tema “Viver mais, com mais saúde: novidades da medicina sobre longevidade”, através de revisão bibliográfica de artigos publicados no Medscape, mostra que a maior parcela de descobertas sobre “fatos médicos” que levam a uma maior longevidade estão associados à cuidados no estilo de vida ou ao chamado MEV, “Mudança no estilo de vida”, e não necessariamente à “novos medicamentos” ou “novas tecnologias”.
Cessar hábitos como o tabagismo ou o consumo de álcool, ter um IMC adequado para sexo/idade e praticar esportes com frequência são fatores que podem aumentar em muito a longevidade de um indivíduo ou comunidade. Reforçar iniciativa de Medicina Preventiva e Cuidados e Educação em Saúde pode ampliar em muito a estimativa de vida de uma população.
O
respectivo texto foi baseado nas publicações do Medscape mencionadas na
Bibliografia.