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Novas nomenclaturas de variantes da COVID-19 contra estigmas geográficos | Colunistas

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SARS-CoV-2 e mutação viral para surgimento de variantes

Os vírus, incluindo o SARS-CoV-2, causador da COVID-19, são dotados de potencial de se mutar com o tempo, de forma a se aprimorar. Em sua maioria, as mudanças promovidas pouco exercem ou não exercem impacto sobre as propriedades do vírus. No entanto, fatores como a não contenção do vírus e a concessão de meios propícios para sua disseminação, além da criação de mecanismos adaptativos, geram alterações que podem, de fato, mudar as características do vírus e provocar maior potencial de dano a possíveis infectados, dando origem às chamadas “variantes”.

Originalmente nomeadas por seus nomes científicos, estes, no entanto, podem ser difíceis de serem pronunciados e lembrados pelo público em geral, além de estarem sujeitos à notificação incorreta. Diante disso, surgiu a designação de acordo com os primeiros locais de identificação da mutação (que, por vezes, é erroneamente visto como seu local de origem), o que levou a gerar estigma geográfico e discriminação a alguns países e seus cidadãos. O próprio SARS-CoV-2 ainda é, por muitas vezes, chamado pejorativamente de “vírus chinês”, em razão de sua suposta origem, e ao povo chinês foi destinado muitas ofensas, o que levou à intensificação de diversas disputas políticas.

A OMS, após manifestação de um ministro indiano, no último dia 11 de maio, pedindo que empresas responsáveis pela gestão de mídias sociais retirassem conteúdo relacionando uma nova variante ao país, veio a alterar a nomenclatura dessas mutações, com a intenção, também, de simplificar ao se referir a cada uma das variantes, retirando, assim, o estima das expressões utilizadas.

Criação dos termos Variante de Interesse e Variante de Preocupação

Mais de 15 meses após a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter decretado estado de pandemia do COVID-19 e desde anunciada a primeira variante do COVID-19, a B.1.351, identificada pela primeira vez na África do Sul em maio de 2020, a entidade vem estudando de perto potenciais mutações do vírus, tendo, inclusive criado a caracterização de Variantes de Interesse (VOIs) e Variantes de Preocupação (VOCs) específicas, de forma a priorizar o monitoramento e a pesquisa globais e, assim, informar com maior clareza a resposta em andamento à pandemia.

As Variantes de Interesse, em relação à variante original, têm em seu genoma mutações que mudam o fenótipo do vírus, além de:

  • Terem sido identificadas como causadoras de transmissão comunitária, de múltiplos casos ou de clusters (agrupamentos de casos) de COVID-19 ou terem sido detectadas em vários países; ou
  • Serem de outra forma avaliada como uma VOI pela OMS em consulta com o Grupo de Trabalho de Evolução do Vírus SARS-CoV-2.

Já as Variantes de Preocupação são variantes do SARS-CoV-2 que se caracterizam, em relação à saúde pública global, por sua significância em:

  • Aumento da transmissibilidade ou alteração prejudicial na epidemiologia da COVID-19; ou
  • Aumento da virulência ou mudança na apresentação clínica da doença; ou
  • Diminuição da eficácia das medidas sociais e de saúde pública ou diagnósticos, vacinas e terapias disponíveis.

A denominação de variantes de acordo com seu local de primeira identificação

De diferentes localidades, cada variante tem sido popularmente designada de acordo com seu suposto local de origem, em termos geográficos como a já citada “variante sul-africana”, além de variantes como a “britânica” (setembro de 2020) e a “brasileira” (novembro de 2020), entre outras. A OMS, por sua vez, nunca aderiu a essas denominações, tendo se restringido a nomear as mutações por suas linhagens, que, ainda assim, foram adotadas apenas no meio científico, em razão da dificuldade de pronúncia e de se lembrar cada nome designado.

Em 12 de maio, o Ministro de Tecnologia da Informação da Índia escreveu a grande parte das empresas de mídia social pedindo-lhes que removessem qualquer conteúdo que fizesse referência a uma “variante indiana” do COVID-19. A manifestação se deu um dia após a OMS anunciar a variante B.1.617, identificada pela primeira vez na Índia, como uma Variante de Preocupação (VOC).

Mudança da OMS frente à estigmatização geográfica

A OMS, em resposta ao pedido do ministro indiano, em 31 de maio, passou a designar com novos nomes as variantes, de forma a evitar o estigma geográfico, além de simplificar a identificação, por meio de letras do alfabeto grego.

A mudança foi anunciada via Twitter pela epidemiologista técnica da OMS Maria Van Kerkhove, ressaltando que “as nomenclaturas não substituem os nomes científicos existentes (…) que ainda serão utilizados em pesquisa (e pelos órgãos responsáveis pela nomeação original) (…). Nenhum país deveria ser estigmatizado por detectar e reportar variantes”.

Após reunir um grupo de especialistas de todo o mundo, incluindo integrantes de sistemas de nomenclatura existentes (como Pango, GISAID e Nextstrain), especialistas em nomenclatura e taxonomia de vírus, cientistas e autoridades nacionais, a nova nomenclatura das variantes agora se dá desta forma:

Variantes de Preocupação (VOCs)
Nova nomenclatura OMS Linhagem (Pango) Primeira identificação (data, local) Data de designação para o grupo VOC
Alpha B.1.1.7 Setembro de 2020, Reino Unido 18 de dezembro de 2020
Beta B.1.351 Maio de 2020, África do Sul 18 de dezembro de 2020
Gamma P.1 Novembro de 2020, Brasil 11 de janeiro de 2021
Delta B.1.617.2 Outubro de 2020, Índia VOI: 4 de abril de 2021 VOC: 11 de maio de 2021
Variantes de Interesse (VOIs)
Nova nomenclatura OMS Linhagem (Pango) Primeira identificação (data, local) Data de designação para o grupo VOI
Epsilon B.1.427/B.1.429 Março de 2020, EUA 5 de março de 2021
Zeta P.2 Abril de 2020, Brasil 17 de março de 2021
Eta B.1.525 Dezembro de 2020, múltiplos países 17 de março de 2021
Theta P.3 Janeiro de 2021, Filipinas 24 de março de 2021
Iota B.1.526 Novembro de 2020, EUA 24 de março de 2021
Kappa B.1.1617.1 Outubro de 2020, Índia 4 de abril de 2021

OMS e o monitoramento das mudanças do vírus

Com a divulgação da nova nomenclatura para as variantes identificadas da COVID-19, a OMS e suas redes internacionais de especialistas continuam a monitorar as mudanças no vírus para que, se mutações significativas sejam identificadas, faça-se possível informar aos países e ao público sobre quaisquer mudanças que se façam necessárias de forma a reagir à variante, seja através de uma Variante de Interesse ou por uma Variante de Preocupação.

Ainda segundo Van Kerkhove, “há a necessidade global de reforçar a busca por variante (…). Precisamos continuar a fazer tudo que podemos para reduzir a disseminação do SARS-CoV-2”.

Fonte: https://twitter.com/mvankerkhove/status/1399388136287969284

Conclusão

É claro que ainda será difícil de tirar do vocabulário do público a referência das variantes aos seus respectivos locais de origem e introduzir uma nova nomenclatura, também ainda não muito familiar a grande parte das pessoas, mas a ação da OMS acerta na intenção de desestimular a adoção de designações que possam levar a práticas pejorativas e até intensificar disputas políticas. Cabe às entidades responsáveis trazer mais instrumentos para auxiliar na identificação de novas variantes e isto contribuir para que sejam proporcionadas medidas propícias para sua conteção.

Ainda, claro, cabe a todos nós continuar tomando medidas para que não sejam criadas mais variantes, o vírus não possa mais ser disseminado e não sejam perdidas mais vidas.

Autor: Carlos Eduardo Corrêa Louzada

Instagram: @cadulouzada


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências bibliográficas

  1. Reuters – India asks social media firms to remove reference to ‘Indian variant’ of coronavírus – https://www.reuters.com/business/healthcare-pharmaceuticals/india-asks-social-media-firms-remove-reference-indian-variant-coronavirus-2021-05-21/
  2. WHO – WHO announces simple, easy-to-say labels for SARS-CoV-2 Variants of Interest and Concern – https://www.who.int/news/item/31-05-2021-who-announces-simple-easy-to-say-labels-for-sars-cov-2-variants-of-interest-and-concern
  3. Deutsche Welle – UN health body goes Greek to rename coronavirus variants – https://www.dw.com/en/un-health-body-goes-greek-to-rename-coronavirus-variants/a-57733809

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