Anúncio

Novas diretrizes para o diagnóstico de fibromialgia | Colunistas

Caso clínico de dislipidemia- Sanar

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Antes
de abordar as novas diretrizes para o diagnóstico de fibromialgia, é
interessante recordar a definição dessa doença.

A
fibromialgia é uma síndrome, caracterizada por uma dor musculoesquelética
difusa e crônica. Há um distúrbio no processamento da dor associado a outras
características secundárias. Ela não é uma doença autoimune ou inflamatória,
mas pesquisas sugerem que envolve o sistema nervoso. O paciente com essa doença
apresenta alta sensibilidade ao toque e à compressão da musculatura, pelo
examinador ou por qualquer outra pessoa. Aliados a esse sintoma característico
estão: fadiga ou cansaço, distúrbios do sono, rigidez matinal, parestesias de
extremidades, sensação subjetiva de edema e distúrbios cognitivos, com
alteração de atenção e memória.

A
fibromialgia é uma doença reumatológica e, segundo a Sociedade Brasileira de
Reumatologia, é muito frequente. De acordo com a Sociedade Brasileira de
Reumatologia, cerca de 5% dos pacientes que vão em um consultório de Clínica
Médica são diagnosticados com fibromialgia, ao passo que 10 a 15% dos que vão
ao consultório de Reumatologia apresentam essa condição. Ainda, a fibromialgia
é mais prevalente em mulheres do que em homens, possivelmente devido a questões
hormonais. De acordo com a American College of Rheumatology, 2 a 4% das
pessoas são afetadas pela fibromialgia.

Em
geral, a fibromialgia é uma condição diagnosticada mais em mulheres na faixa
etária de 30 a 60 anos. O seu diagnóstico é clínico, sendo solicitados exames
apenas para diagnóstico diferencial. Torna-se difícil diagnosticar os pacientes
com fibromialgia na prática diária, visto que não há um marcador laboratorial
objetivo ou indícios em exames de imagem. Sendo assim, por vezes, o diagnóstico
varia com a experiência de cada médico.

A
American College of Rheumatology descreve os critérios diagnósticos da fibromialgia,
no exame físico do paciente. Os primeiros critérios que padronizaram o
diagnóstico foram publicados no ano de 1990, os quais definiram os 18 pontos
distribuídos no corpo que poderiam indicar sensibilidade aumentada. Contudo,
embora aceitos no meio científico, esses critérios foram criticados por não
abordarem com devida relevância os demais sintomas, como fadiga, distúrbios do
sono e déficit cognitivo.

Sendo
assim, a ACR publicou no ano de 2010 novos critérios, que incluíam esses sintomas
secundários. O diagnóstico fundamentado nesses critérios é baseado no número de
regiões dolorosas do corpo e na presença e gravidade da fadiga, do sono não
reparador e da dificuldade cognitiva. Um ponto interessante dessa publicação é
a exclusão da palpação dos pontos dolorosos.

            O paciente é diagnosticado com
fibromialgia se as seguintes três condições são satisfeitas:

  • Índice de dor
    generalizada (Widespread Pain Index
    WPI) maior ou igual a 7 e pontuação da escala de severidade dos sintomas (Symptom Severity – SS) maior ou igual a 5
    OU WPI entre 3 a 6 e pontuação da escala de SS maior ou igual a 9;
  • Os sintomas devem
    estar presentes em um nível similar por no mínimo 3 meses;
  • O paciente não
    deve ter outra condição de saúde que explicaria a dor.

Widespread Pain Index (WPI)

Este
índice avalia o número de áreas em que o paciente teve dor generalizada pelo
menos nos últimos sete dias. Cada área corresponde a 1 ponto e este índice pode
variar entre as pontuações 0 a 19.

As
possíveis áreas dolorosas são:

  • Cintura escapular
    esquerda;
  • Cintura escapular
    direita;
  • Membro superior
    esquerdo proximal;
  • Membro superior
    direito proximal;
  • Membro superior
    esquerdo distal;
  • Membro superior
    direito distal;
  • Quadril (nádega,
    trocanter) esquerdo;
  • Quadril (nádega,
    trocanter) direito;
  • Membro inferior
    esquerdo proximal;
  • Membro inferior
    direito proximal;
  • Membro inferior
    esquerdo distal;
  • Membro inferior
    direito distal;
  • Mandíbula
    esquerda;
  • Mandíbula direita;
  • Região anterior
    do tórax;
  • Abdome;
  • Região posterior
    do tórax;
  • Região lombar;
  • Pescoço.

Aqui está uma imagem para nos guiar com relação a essas regiões:

Fonte: www.oregonpainguidance.org

Escala de Severidade dos Sintomas

            A Escala de Severidade dos Sintomas
resulta em uma pontuação que é obtida pela soma da gravidade dos três sintomas
principais: fadiga, sono não reparador e sintomas cognitivos e da gravidade dos
sintomas somáticos gerais.

            Considere como sintomas somáticos
gerais: dor muscular, síndrome do intestino irritável, cansaço, problemas de
pensamento ou memória, fraqueza muscular, dor de cabeça, dor ou cãibras no
abdome, dormência ou formigamento, tontura, insônia, depressão, constipação,
dor na parte superior do abdome, náuseas, nervosismo, dor no peito, visão
turva, febre, diarreia, boca seca, coceira, respiração ofegante, fenômeno de
Raynaud, urticária, zumbido nos ouvidos, vômito, azia, úlceras orais, perda de
ou mudança no sabor, convulsões, olhos secos, falta de ar, perda de apetite, erupção
cutânea, sensibilidade ao sol, dificuldades auditivas, contusões fáceis, queda
de cabelo, micção frequente, dor ao urinar e espasmos na bexiga.

            Primeiro, com relação aos sintomas
principais, atribua a correta pontuação de acordo com o nível de gravidade
desses sintomas ao longo dos últimos 7 dias:

  • 0 = nenhum problema;
  • 1 = problemas
    leves ou intermitentes;
  • 2 = problemas
    moderados ou frequentemente presentes;
  • 3 = Problemas
    intensos ou contínuos.

Em seguida, com relação aos sintomas
somáticos gerais, pontuar se o paciente apresenta:

  • 0 = nenhum sintoma;
  • 1 = poucos sintomas;
  • 2 = um número
    moderado de sintomas;
  • 3 = muitos
    sintomas.

E como fica o teste dos pontos
dolorosos?

            O diagnóstico de fibromialgia pode
ser feito utilizando apenas os critérios publicados pela ACR em 2010, contudo a
aplicação deles junto aos critérios de 1990 aumentam a probabilidade de um
diagnóstico correto.

            O que se tem observado é que a
medida dos pontos dolorosos não era muito utilizada na clínica e varia conforme
a pressão exercida pelo examinador. Entretanto eles podem ser úteis no
diagnóstico quando são utilizados em conjunto com os critérios de 2010.

            Muitos diagnósticos positivos de
fibromialgia ocorrem quando são contados 6 a 18 pontos dolorosos e o
diagnóstico é fortemente negativo quando são mensurados de 2 a 3 pontos
dolorosos.

Autor:
Gabriela Silva Bochi

Instagram:
@gabriela_bochi

Facebook: gabriela.s.bochi

Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Comece os estudos com o apoio certo, desde o Ciclo Básico até o R1

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀