Confira um artigo completo que falamos sobre Neuropatias Periféricas para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.
Boa leitura!
Definição de Neuropatias Periféricas
De modo geral, os estudiosos designam o termo neuropatia para um conjunto de patologias que acometem o sistema nervoso periférico (SNP).
Neuropatia afeta os nervos periféricos, que são os responsáveis por encaminhar informações do cérebro e da medula espinhal para o restante do corpo.
Causas e complicações das Neuropatias Periféricas
Algumas complicações mais graves da Neuropatias Periféricas pode causar danos permanentes aos nervos, sendo algumas vezes um problema incapacitante e até mesmo fatal. O aparecimento das Neuropatias Periféricas (NP) é de certo modo variável e as causas são inúmeras, pois nem sempre é fácil pontuar a causa.
Tendo em vista que há diversos fatores que podem estar por trás deste problema, uma análise clínica sequencial e lógica é a melhor conduta médica para o diagnóstico e o tratamento, se possível precoce. Isso se dá através da combinação do quadro clínico, do exame de eletroneuromiografia (ENMG) e dos exames laboratoriais.
Em grande parte, é possível a definição da etiologia da neuropatia, permitindo assim saber o prognóstico e o tratamento da doença.
HORA DA REVISÃO: O sistema nervoso é composto por fibras (nervos), gânglios nervosos e órgãos terminais. Além disso, a função do SNP é realizar a conexão do sistema nervoso central com as outras partes do corpo humano. O SNP é um termo muito utilizado em neuroanatomia para designar a parte do sistema nervoso no qual os neurônios ou seus processos estão relacionados a uma espécie de célula satélite periférica, conhecida como célula de Schwann. Além disso, compreende os nervos cranianos, com exceção do nervo óptico, as raízes espinais, o gânglio dorsal, os troncos dos nervos periféricos, as ramificações terminais e o sistema nervoso autônomo.
Fibras Nervosas
As fibras nervosas são prolongamentos finos dos neurônios, em especial dos axônios e seus invólucros gliais. As fibras nervosas são muito importantes, pois realizam a condução dos impulsos nervosos para o sistema nervoso central e também no sentido contrário. Ademais, elas se organizam em feixes e cada feixe forma um nervo.
Cada fibra nervosa é envolta por uma camada conjuntiva denominada endoneuro, cada feixe é envolto por uma bainha conjuntiva denominada perineuro e o conjunto de feixes agrupados paralelamente formam um nervo.
O nervo também é envolto por uma bainha de tecido conjuntivo chamada epineuro. No corpo humano existe um número muito grande de nervos. Seu conjunto forma a rede nervosa. O endoneuro circunda cada fibra nervosa e é composto por tecido conjuntivo frouxo produzido pelas células de Schwann, composto por colágeno reticular tipo III e alguns poucos fibroblastos.
Além disso, possui capilares em seu interior, os quais são revestidos por endotélio não fenestrado, unido por junções de oclusão. Existem três tipos de fibras nervosas: fibras motoras, sensitivas e autonômicas.
As fibras motoras controlam os movimentos, nesse sentido, se houver algum dano nas fibras motoras, poderá acarretar fraqueza, atrofia, fasciculações, lembrando que fasciculações são contrações visíveis, finas e rápidas, algumas vezes vermiculares, espontâneas e intermitentes das fibras musculares. Além disso, danos nas fibras motoras podem causar alterações dos reflexos osteotendíneos.
As fibras sensitivas, que transmitem as sensações, dor, tato, ao serem acometidas, apresentam alterações na sensibilidade.
As fibras nervosas sensitivas irão se subdividir em fibras grossas e finas. O acometimento de fibras grossas irá causar problemas na sensibilidade vibratória, no tato de pressão e até mesmo na propriocepção, também conhecida como cinestesia, que é o termo utilizado para caracterizar a capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão. J
á o acometimento de fibras finas irá comprometer, principalmente, a dor e a temperatura. As fibras autonômicas inervam os órgãos e glândulas e, se forem acometidas, podem acarretar em hipotensão postural, disfunção erétil, gastroparesia, além de alterações na motilidade intestinal, como por exemplo, constipação ou diarreia.
Epidemiologia das Neuropatias Periféricas
A prevalência das Neuropatias Periféricas (NP) no mundo é em torno de 2 a 4%. Nota-se que em pessoas com idade superior a 55 anos a prevalência aumenta para 8%.
Nos países desenvolvidos, a causa mais comum das NP é o diabetes mellitus, pois há uma maior incidência de pessoas diabéticas nos países desenvolvidos, como por exemplo, nos Estados Unidos. Em termos globais, a hanseníase continua sendo a maior causa de neuropatia.
No Brasil, a dor crônica é condição clínica bastante frequente, acometendo entre 28 e 41% da população brasileira. Os dados sobre a prevalência de dor com característica neuropática na população em geral não são fidedignos, devido a grande heterogeneidade dos estudos realizados no território brasileiro, as diferentes definições e os métodos de avaliação utilizados.
Quadro Clínico das Neuropatias Periféricas (NP)
O quadro clínico das neuropatias periféricas possui algumas manifestações clínicas das NP que variam muito. Algumas manifestações clínicas podem ter diversas combinações quanto a presença e a intensidade dos sinais e sintomas sensitivos, autonômicos e motores, seguindo a fibra que é acometida.
Alguns parâmetros devem ser considerados na avaliação e na classificação das Neuropatias Periféricas, dentre eles, destacam-se: a velocidade de instalação que pode ser classificada como aguda, subaguda e crônica; e o tipo de fibra nervosa envolvida: motora, sensitiva, autonômica ou mista. Isso vai revelar quais são as possíveis complicações.
Caso um indivíduo tenha a fibra nervosa motora prejudicada, o paciente poderá apresentar dores musculares, alterações dos reflexos osteotendíneos, dentre outros, além disso, o paciente pode ter mais de uma fibra acometida, no caso das fibras mistas.
Ademais, o tamanho da fibra nervosa envolvida: grossa, fina ou mista também é importante, visto que os sinais e sintomas poderão revelar qual tipo de fibra foi acometido: as fibras grossas irão causar problemas na sensibilidade vibratória, no tato de pressão (protopático) e até mesmo na propriocepção. Já as fibras finas, terão comprometimento, principalmente, da dor e da temperatura.
Outro parâmetro a ser considerado é a distribuição, sendo proximal, distal e difusa. Tal fato irá determinar o local onde a fibra será comprometida. Ademais, o padrão de acometimento nervoso também é relevante, podendo ser mononeuropatia, mononeuropatia múltipla, polineuropatia.
O último fator é a patologia, que pode ser classificada quanto a degeneração axonal, desmielinização segmentar ou mista. Na degeneração axonal não há modificações que indiquem degeneração dos axônios, tais como restos de mielina em células de Schwann ou macrófagos. Na desmielinização segmentar há acometimento interno isolado ou múltiplo da bainha de mielina.
Ao se avaliar o panorama clínico, nos pacientes em que a história e o exame neurológico sugerem o diagnóstico de Neuropatias Periféricas, a confirmação pode ser realizada pelo exame de eletroneuromiografia (ENMG).
Pode-se, então, classificar a distribuição do acometimento periférico, podendo ser mononeuropatia, mononeuropatia múltipla ou polineuropatia, tal como o tipo de acometimento fisiopatológico, seja ele axonal ou desmielinizante.
Já o estudo anatomopatológico mostra diversos processos distintos que podem estar presentes em várias combinações em um mesmo paciente. São eles: degeneração walleriana, desmielinização segmentar e degeneração axonal.
Na fibra nervosa, o elemento que é considerado mais suscetível é a mielina, acometida de forma primária ou secundária. Como dito anteriormente, a degeneração focal da bainha de mielina com preservação do axônio é chamada de desmielinização segmentar.
A degeneração walleriana pode ocorrer se houver uma interrupção focal do axônio. A degeneração axonal centrípeta resulta em uma lesão metabólica do neurônio. Em ambas, ocorre a degeneração secundária da mielina. As neuropatias periféricas podem ser classificadas em mononeuropatia, mononeuropatia múltipla e polineuropatia e tal classificação é de extrema importância para o diagnóstico diferencial.
A mononeuropatia ou mononeurite, é um tipo de neuropatia que só acarreta um único nervo periférico ou craniano. É importante que haja a diferenciação da neuropatia periférica da neuropatia autonômica. Essa diferenciação é feita por meio da limitação da extensão, haja vista que a mononeuropatia é um trauma localizado. Geralmente, a neuropatia do nervo ulnar é uma das mais comuns, devido a compressão na região do cotovelo. A mais comum é a síndrome do túnel do carpo, provocada pela compressão do nervo mediano no túnel carpiano.
