Entenda neste artigo tudo que você precisa sobre nervos espinhais, incluindo os tipos de plexos, dermátomos e mais informações.
O sistema nervoso periférico desempenha um papel essencial na comunicação entre o cérebro, a medula espinhal e o restante do corpo. Assim, os nervos espinhais, ao emergirem da medula, formam redes complexas de chamadas plexas, responsáveis por distribuir os impulsos nervosos para diferentes regiões corporais.
Além disso, cada nervo espinhal está associado a uma área específica da pele, conhecida como dermatomo, o que permite lesões neurológicas correlacionais com si.
Dessa forma, o objetivo deste artigo é explorar a estrutura e função dos nervos espinhais. Assim, destacamos a importância dos plexos nervosos e explicamos como os dermátomos auxiliam no diagnóstico de doenças neurológicas. Acompanhe!
Como se formam os nervos espinhais?
Os nervos espinhais se originam da medula espinhal, que é protegida pela coluna vertebral. A coluna forma-se pelas vértebras cervicais (7), as torácicas (12), as lombares (5), o sacro e o cóccix. A maioria dos nervos espinhais saem da medula pelos forames intervebrais.
A medula se estende do bulbo até a margem superior da 2ª vertebra lombar. Desse modo , ela apresenta duas intumescências, a cervical e a lombar, sendo que esta última origina os nervos dos membros inferiores.
Porém, sua extensão é menor que a coluna vertebral, dessa maneira, os nervos da região lombar, sacral e coccígea não saem da coluna vertebral no mesmo nível que saem da medula espinhal e suas raízes formam a cauda equina.
Ela em conjunto com os nervos espinhais contribuem para a manutenção da homeostasia, fornecendo respostas rápidas e reflexas a vários estímulos.


Nervos espinhais
Os nervos espinhais (n.e.) fazem parte do sistema nervoso periférico, existindo 31 pares: 8 cervicais, 12 torácicos, 5 lombares, 5 sacrais e 1 coccígeo. Eles realizam a comunicação do SNC aos receptores sensitivos, aos músculos e glândulas em todas as partes do corpo.
Os nervos são formados por dois feixes de axônios, chamados de raízes. A raiz posterior é responsável pela condução de estímulos aferentes, ou seja, ela reconhecem os estímulos de dor, calor, frio, tato, pressão e vibração da pele, dos músculos e dos órgãos internos, e os transmitem para o sistema nervoso central; ela é considerada uma raiz sensitiva.
Além disso, ela apresenta gânglios sensitivos, que é uma protuberância onde se encontra os corpos celulares dos neurônios. Já a raiz anterior ela conduz estímulos motores eferentes, ou seja, leva os estímulos do SNC para o periférico, ativando a placa motora muscular fazendo gerar movimentos musculares voluntários. Devido a essas duas raízes, o nervo espinhal é considerado misto.

Um nervo é formado por um conjunto de fascículos, que por sua vez é constituído por um aglomerado de axônios.
Todas essas estruturas apresentam uma membrana protetora de tecido conjuntivo, o axônio é envolto pelo endoneuro, os fascículos pelo perineuro e o nervo pelo epineuro. Quando o n.e. passa pelo forame intervertebrar, sua membrana (epineuro) se funde à dura-mater.

Ramos
Quando o nervo espinhal passa pelo forame intervertebral, ele se divide em vários ramos. O posterior ou dorsal é responsável por inervar os músculos profundos e a pele posterior do tronco. O anterior ou ventral inerva os músculos e estruturas de todos os 4 membros, e a pele lateral e anterior do tronco.
Os ramos meníngeos retornam pelo forame e inervam as vértebras, seus ligamentos, os vasos da medula e suas meninges. Os comunicantes unem o tronco simpática aos n.e., podendo ser pré ou pós-ganglionares.
Plexos
A junção de vários axônios anteriores da origem aos plexos. São essas redes que mantem estimulam os músculos, pois os nervos, com exceção dos torácicos T2 e T12, não inervam diretamente as suas estruturas.
Os torácicos são conhecidos como nervos intercostais e se conectam diretamente nas estruturas.

Cervical
É responsável pela inervação da pele e dos músculos da cabeça, do pescoço e de partes superiores do tórax e do ombro. É formado pelas raízes dos n.e. C1, C2, C3 e C4.

Branquial

É responsável pela inervação muscular e cutânea dos membros superiores e do ombro. Assim, forma-se pelas raízes dos nervos C5, C6, C7, C8 e T1.
Ele forma 5 principais ramos, o nervo axilar (responsável pelo deltoide e redondo menor), nervo musculocutâneo (responsável pelos músculos anteriores do braço), nervo radial (responsável pelos músculos posteriores do braço e antebraço), nervo mediano (responsável pela região antebraquial anterior e alguns músculos da mão) e nervo ulnar (responsável pelos músculos anteromediais do antebraço e a maioria da mão).
Lombar
É responsável pela inervação da parede abdominal anterolateral, órgãos genitais externos e parte dos membros inferiores. Desse modo, forma-se pelos n.e. L1, L2, L3, L4.
Anestesia epidural geralmente ocorre entre L3 e L5, pois o espaço peridural é maior. A agulha é introduzida lentamente entre os processos espinhosos, até perfurar a dura-máter e chegar no espaço subaracnóideo, lá se injeta o anestésico ou aspira o líquido cerebroespinal em caso de punção lombar.
Plexo sacral e Plexo coccígeo

O plexo sacral é responsável pela inervação dos glúteos, do períneo e dos membros inferiores. Assim, forma-se pelos n.e. L4, L5, S1, S2, S3 e S4. O nervo isquiático tem sua origem nesse plexo.
O plexo coccígeo é responsável por uma pequena parte de pele que recobre o cóccix. Desse modo, forma-se pelos nervos S4 e S5.
Dermátomos
Dermátomos são as superfícies da pele que estão inervadas por uma mesma raiz nervosa sensorial.
É importante conhecer essas áreas para identificar o nervo espinhal afetado e determinar o nível medular da lesão.
Um exemplo dessas áreas é a lesão causada pelo Herpes Zóster, em que o vírus da varicela infecta um nervo específico e provoca lesões apenas no seu dermátomo.

Autora: Alice Loiz
Instragram: @aliceloiz
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Referências
Atlas de Anatomia Humanda Sobotta 24ª ed.
Princípios de Anatomia e Fisiologia Gerard Tortora 14ª ed.
Tratato de Fisiologia Médica Guyton & Hall 12ªed.
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