O câncer de pulmão é um câncer muito comum e um sítio metastático para vários outros cânceres. A maioria são os carcinomas broncogênicos, assim chamados por se originarem do epitélio brônquico ou bronquiolar. Os tumores podem formar massas intrabrônquicas, penetrando na parede do brônquio e invadir o parênquima pulmonar e até mesmo invadir estruturas vizinhas como o mediastino, pericárdio, esôfago, nervos, parede torácica e região cervical.
Existem os cânceres de pequenas células, cerca de 70-80% e de não pequenas células, que representam aproximadamente 20-25%. É o segundo tipo de câncer em incidência e a principal causa de morte por câncer no mundo. Dentre os carcinomas de não pequenas células, tem-se:
- Escamocelular: o mais relacionado ao fumo (30%).
- Adenocarcinoma: é o mais prevalente atualmente (40%).
- Carcinoma de grandes células (10%).
Vale a pena salientar que em alguns casos podem haver combinação dos dois tipos de neoplasias.
Fatores de risco
Como fatores de risco, temos o tabagismo, exposição ambiental, doenças pulmonares preexistentes como DPOC e fibrose pulmonar e também fatores genéticos.
Sinais e sintomas
Esse tipo de câncer é geralmente insidioso, ou seja, sintomas só aparecem em estágio avançado. No momento do diagnóstico, que muitas vezes é suspeito por um achado acidental na radiografia, a maioria já possui sítio de metástase. Como principais sinais e sintomas temos a perda de peso, febre baixa, tosse, rouquidão, dor torácica, dispneia, hemoptise, infecções recorrentes, fadiga e perda de apetite. São sintomas geralmente inespecíficos e que podem se confundir com outras doenças pulmonares.
Adenocarcinoma
É o tipo mais comum e mais observado nos não tabagistas. Os adenocarcinomas começam nas células que revestem os alvéolos e produzem substâncias como muco. Geralmente ocorre em periferia e, por isso, prefere-se biópsia transtorácica guiada em vez de broncoscopia para o diagnóstico. É o mais comum em mulheres, pacientes não fumantes e menores de 45 anos.
Características:
- Atipia nuclear e núcleos pleomórficos.
- Células colunares que, por isso, podem preencher a cavidade alveolar.
- Tecido neoplásico que “imita” células glandulares.
Carcinoma Escamocelular
Ele é responsável por 25-30% dos casos, ocorre mais em homens e em áreas centrais do pulmão, por isso deve-se usar broncoscopia para análise. As células podem se soltar, formando exfoliação ou secreção. Um teste que pode revelar esse tipo de câncer é o teste do escarro.
Características:
- Na maioria das vezes é precedido por metaplasia escamosa do epitélio brônquico devido à irritação crônica e, então, se torna o Carcinoma Escamocelular.
- Possui forte associação com o tabagismo.
- Na análise histológica podemos observar uma proliferação de células escamosas com núcleos pleomórficos, nucléolos evidentes e citoplasma eosinofílico.
- Presença de queratinização: há formação de bulbos/ninhos de cebola com queratina e frequente diferenciação de perólas córneas.
- Pode haver lesão cavitária em brônquio.

Carcinoma de grandes células
É uma grande massa periférica, rara e de mau prognóstico. Esse tipo de tumor pode aparecer em qualquer parte do pulmão e tende a crescer e se disseminar rapidamente, o que pode tornar o tratamento mais difícil. Um subtipo de carcinoma de grandes células, conhecido como carcinoma neuroendócrino de grandes células, é um tumor de crescimento rápido, muito semelhante ao câncer de pulmão de pequenas células.
Características:
- Na histologia podemos observar a formação de ninhos ou cordões.
- Há células gigantes, poligonais, com citoplasma abundante e nucléolos proeminentes.
- Há pleomorfismo nuclear, atipia e muita mitose.
Carcinoma de pequenas células
É muito agressivo, sendo difícil a cirurgia e possuindo muitas metástases. Quando o paciente descobre, na grande maioria das vezes já tem metástase pra vários locais. Tem localização mais central e não apresenta cavitação (diferente do escamocelular). É mais comum em homens, idosos e tabagistas. Como esse câncer cresce rapidamente, tende a responder bem à quimioterapia e a radioterapia. No entanto, a maioria dos pacientes terá recidiva da doença em algum momento.
Características:
- Pode gerar uma síndrome paraneoplásica
- É derivado de células neuroendócrinas
- Na histologia é possível observar cordões, agrupamentos e rosetas
- Células com muito volume de núcleo e pouco de citoplasma
- Forte relação com tabagismo
Diagnóstico
O diagnóstico é feito por anamnese e exame físico, radiografia de tórax e hemograma. Porém, existem outros exames que podem ajudar na investigação, como broncoscopia, citologia do escarro (alguns tumores de localização central podem esfoliar células malignas no escarro, como o escamocelular), toracocentese, toracoscopia, biopsia transtorácica guiada por TC.
Tratamento
O tratamento pode ser feito com cirurgia, quimioterapia adjuvante (depois da cirurgia) e neoadjuvante (antes da cirurgia), além de radioterapia.
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REFERÊNCIAS
1. Araujo LH, Baldotto C, De Castro G, Katz A, Ferreira CG, Mathias C, et al. Câncer de pulmão no Brasil. J Bras Pneumol. 2018;44(1):55–64.
2. Robbins & Cotran – Patologia – Bases Patológicas das Doenças, 8ª ed., Elsevier/Medicina Nacionais, Rio de Janeiro, 2010. ABBAS, A.K.; KUMAR, V.; MITCHELL, R.N. Fundamentos de Patologia – Robbins & Cotran – 8ª ed., Elsevier/Medicina Nacionais, Rio de Janeiro, 2012


