O câncer ( nome dado a neoplasia de origem maligna), consegue ativar os genes da angiogênese e os genes da telomerase. Normalmente , o gene da telomerase é ativado no período embrionário, tal enzima faz com que não ocorra o desgaste do telômero, o qual sofre uma diminuição a cada divisão celular. A cada vez que ocorre uma divisão celular, o telômero diminui, quando está diminuindo quer dizer que a célula está envelhecendo. Se o câncer consegue ativar a telomerase isso quer dizer que tal neoplasia maligna não envelhece , o que acarreta num estado descontrolado de multiplicação.
Outro fato é a ativação de genes que resultam na angiogênese. É conhecido entre nós que o gene da angiogênese é ativado no período embrionário e em algumas fases da vida. Contudo, em estados de neoplasias malignas, ocorre a ativação do gene da angiogênese. A partir dos vasos criados pelo câncer, suas células conseguem entrar na corrente sanguínea e se “espalhar” pelo corpo, isso é um dos fatores para explicar o fenômeno de metástase característica da neoplasia maligna. A diferença entre a neoplasia maligna e benigna é o grau de invasão nos outros tecidos, portanto, a neoplasia benigna não tem a capacidade de ativar os genes da telomerase nem da angiogênese, ficando no seu local de origem.
Análise sobre alterações cromossômicas
As alterações cromossômicas encontradas nas neoplasias podem ser inespecíficas (generalizadas), como quebras e rearranjos observados nas síndromes com deficiência de reparo do DNA, e alguns tipos de aneuploidia, vistos nas pré-leucemias, ou específicas para determinados tipos de tumores. Nas leucemias e nos linfomas tais alterações consistem de translocações recíprocas balanceadas. Algumas trissomias também predispõem ao câncer. Na trissomia do cromossomo 21 (Síndrome de Down), o risco de leucemia está aumentado 30 vezes m relação ao risco para uma população geral. Já na Síndrome de Klinefelter (47, XXY), há risco de câncer de mama. Na maioria dos linfomas e leucemias, uma alteração cromossômica específica (primária) na neoplasia humana seja responsável, e/ou necessária para o desenvolvimento de transformação maligna. Esta alteração primária pode ser seguida por mudanças cromossômicas secundárias, que são importantes na evolução das doenças. Elas ativam os oncogenes não envolvidos no primeiro evento cromossômico e resultam em uma cascata de ativações oncogênicas transitórias ou permanentes, sendo responsáveis pela progressão do tumor e metástases. Nos tumores sólidos, as alterações cromossômicas mais frequentes são as deleções. Além destas, são encontradas também translocações cromossômicas constantes e nos tumores mistos foram observadas translocações. As alterações encontradas nas neoplasias são as regiões coradas homogeneamente (segmentos de DNA amplificados visíveis em células tumorais metafásicas inseridos em um dos cromossomos) e os duplos-diminutos (pequenos fragmentos distribuídos entre os cromossomos). As regiões de coloração homogênea e os duplos-diminutos são frequentes em células cancerosas, mas raros em células normais
Os oncogenes
A maioria dos oncogenes (“genes do câncer”) se origina a partir de proto-oncogenes, que são genes com quatro reguladores básicos do crescimento celular normal: fatores de crescimento; receptores de fatores de crescimento; moléculas transdutoras de sinal e fatores de transcrição nuclear. A partir do momento que ocorre uma mutação em um proto-oncogene, ele se torna um oncogene, ou seja, um gene cujo produto ativo pode levar a um crescimento celular desregulado, e à diferenciação . Os oncogenes são dominantes em nível celular, isto é, é necessária apenas uma única copia de um oncogene mutado para contribuir o processo multietapas de progressão tumoral. Os oncogenes são ativados por mutações de ganho de função. Embora os oncogenes sejam encontrados em tumores esporádicos, as mutações oncogênicas de linhagem germinativa que causam síndromes de câncer herdado são incomuns. São utilizadas três abordagens para identificar oncogenes específicos: definição retroviral, experimentos de transfecção e mapeamento em tumores.
Tumor de wilms
O tumor de Wilms (câncer renal infantil) ocorre quando o gene que faz cessar as mitoses nos túbulos renais está ausente, logo, as mitoses não cessam. Após o nascimento, o rim da criança continua com sucessivas divisões como se ainda estivesse no período fetal, desenvolvendo assim um tumor. Nesta doença o padrão de transmissão familiar é autossômico dominante. Apenas uma deleção heterozigota não é suficiente para o desenvolvimento do tumor, que exige um segundo evento genético, que pode ser uma mutação pontual, uma deleção no cromossomo homólogo ou uma recombinação mitótica . Nas formas genéticas, pelo menos uma alteração somática adicional deve ocorrer para que o tumor se desenvolva; mas não-genéticas, são necessárias duas alterações somáticas numa célula, para a malignização . O gene TP53, também é um gene de supressão tumoral, quando alterado ou deletado causa uma grande variedade de tumores. O gene TP53, codifica um fator de transcrição, denominado p53, que interfere no ciclo celular, interrompendo-o na fase G1 e regulando a entrada das células em apoptose. Nesta fase, a célula deve corrigir os erros de replicação do DNA, e caso sejam irreparáveis interromper a divisão. Se uma célula perde o gene TP53 ou se esse gene sofrer mutação e não funcionar adequadamente, a célula pode se tornar cancerosa.
Referências
PATOLOGIA.Bases Patológicas das Doenças ROBBINS 9 ED
WILLARD, H. F. Thompson Thompson Genética médica. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. V. 8o edição.
Centro Universitário de Brasília Faculdade de Ciências da Saúde https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/123456789/2497/2/9864661.pdf
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