É de suma importância para a saúde mental futura os cuidados que são fornecidos para criança no início da vida. Observa-se que o desenvolvimento emocional tem um marco muito importante nos primeiros instantes de vida e tem caráter contínuo, com isso requer a participação efetiva das pessoas que estarão envolvidas nestes cuidados, para proporciona um ambiente adequado e consequentemente um bom desenvolvimento mental e físico.
O crescimento emocional depende de um cuidado materno que não agrida o desenvolvimento natural do bebê, especialmente quando a mulher vive o estado de preocupação materna primária.
A mãe adequada é aquela que consegue ajustar-se às necessidades de desenvolvimento de seu filho e neste começo é o representante mais importante para o bebê, já que a mesma poderá garantir um ambiente suficientemente bom.
A mãe é de suma importância desde antes do nascimento, devido a sua ligação com ele, já que a interação entre mãe e filho tem início no momento da concepção. O aumento da secreção hormonal durante a gravidez, necessário para manter o feto vivo, proporciona à mãe uma sensação de bem-estar. O fenômeno fisiológico do crescimento do feto deve, portanto, ser acompanhado do preparo psicológico, que pode ser enfatizado no preparo da mulher para a chegada do bebê.
No parto e no pós-parto, há uma interrupção nessa aproximação do binômio mãe-filho. Depois do nascimento, devido principalmente as quedas hormonais e até mesmo o aumento da pressão quanto aos cuidados que a mesma deve fornecer, várias mães não sentem desejo de amamentá-lo, carregá-lo e até mesmo cuidá-lo. Logo, é necessário a valorização da mesma, principalmente despertando-a sua importância, com a ajuda da equipe dos multiprofissionais à medida que a mãe começa a entender o processo do cuidado e aplicá-lo na criança.
Observe-se que é importante inserir a mãe nos cuidados ao bebê desde os primeiros instantes da chegada do bebê ao AC, as interações iniciais entre a mãe e o recém-nascido (RN) são descritas como um processo comunicativo e de apego materno, considerando-se uma ação que estimula a adaptação mãe-filho, uma fase de ajustamento, na qual o bebê passa a fazer parte do mundo externo.
Manter a mãe e a criança juntas logo após o nascimento estimula a operação de mecanismos sensoriais, hormonais, fisiológicos, imunológicos e comportamentais, que vinculam os pais ao bebê. O aconchego resultante da interação sensorial estreita dá à criança a sensação de pertencimento, e referência insubstituível para a estruturação de sua personalidade.
É notório destacar o benefício a nível de organismo, em que há destaque para sistemas neuroquímicos, como os da ocitocina e vasopressina, desenvolvidos no cérebro da criança, que operam em sintonia com o afeto propiciado pela mãe, e esse afeto será retribuído através do reforço do equilíbrio emocional ou gerando agressividade e outros comportamentos sociais.
Definição de AC:
Após o nascimento e liberação da sala de parto, a mãe e o RN saudáveis devem ir para um local que permita a eles ficarem juntos até a alta hospitalar.
AC é um sistema hospitalar em que o recém-nascido sadio, logo após o nascimento, permanece ao lado da mãe 24 horas por dia, num mesmo ambiente, até a alta hospitalar. Este sistema permite à equipe multiprofissional realizar o cuidado direto, o controle do ambiente e a articulação com outros setores, possibilitando a prevenção de infecções e contribuindo para a saúde do binômio mãe-filho, ou seja, um espaço para criar vínculos
Benefícios do AC:
O AC reflete, como um espaço que facilita o cuidado materno, ou seja, devido a necessidade que a mulher tem de manter-se em um ambiente livre de experiências traumáticas. Nesta perspectiva, o cuidado dos profissionais é exercido para promover um ambiente de amor, de prazer e de compartilhamento de saberes, sendo fundamental para propiciar a mãe um suporte necessário já que é tão importante o cuidado com a mãe e não só com bebê, pois é preciso “cuidar de quem cuida”.
O AC favorece o relacionamento mãe-filho, proporciona satisfação, tranquilidade e confiança pessoal, a partir do momento em que as mães podem observar e atender seus filhos sempre que forem solicitadas. Elas passam a se sentir mais seguras e confiantes.
O que observa é o seguinte: fora do Alojamento Conjunto, a mãe escuta o choro de criança e logo imagina que é o do seu filho e que o mesmo está em sofrimento, enquanto no AC o choro é reduzido pelo pronto atendimento que a mãe oferece. Isso transmite segurança e diminui a ansiedade dos pais que permanecem com seus filhos, se comparados com aqueles que têm contato menor contato com a criança
O AC tem sido valorizado e recomendado no mundo inteiro pelas inúmeras vantagens: Convivência contínua entre mãe e bebê gerando estabelecimento precoce do vínculo afetivo entre a mãe e o seu filho; promoção do aleitamento materno; oportunidade para aprenderem noções básicas dos cuidados com os RNs; troca de experiências com outras mães; diminuição do risco de infecção hospitalar; bebês em alojamento conjunto choram menos e dormem mais
Permanência em AC:
Quanto as mães, devem ser livres de condições que impossibilitem ou contraindiquem o contato com os RNs;
Quanto ao RN, devem estar apresentando boa vitalidade, capacidade de sucção e controle térmico. Em geral, esses RNs têm mais de 2.000 g, mais de 35 semanas de gestação e índice de Apgar maior que seis no quinto minuto.
Referências bibliográficas:
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Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.