Um artigo de revisão do New England Journal of Medicine (NEJM) sumarizou evidências atuais sobre a ação da cafeína quanto aos seus efeitos psicotrópicos: apesar da melhora na performance cognitiva e no nível de vigília, ingestões exacerbadas podem induzir ansiedade e aumento de latência do início do sono.
Qual o X da questão?
A cafeína é o agente psicoativo mais consumido em todo o mundo. Natural ou em aditivos sintéticos como bebidas e fórmulas farmacêuticas, tem sua ação notavelmente confirmada em redução de fadiga e controle álgico.
Diversos profissionais, como médicos (e em especial plantonistas), fazem o consumo incessante de cafeína, como forma de otimizar sua performance e produtividade.
O que precisa ser discutido, porém, é: até que ponto o consumo deixa de ser benéfico e se torna possivelmente tóxico?
Efeitos do consumo de cafeína

A cafeína inibe os receptores adenosínicos, uma vez que sua estrutura molecular é similar à da adenosina.
Em doses moderadas (40 a 300mg), a cafeína pode antagonizar os efeitos da adenosina e reduzir fadiga e aumentar o estado de alerta, embora tais benefícios não sejam detectados em indivíduos os quais estejam em privação de sono importante.
Os efeitos adversos da ingesta exacerbada podem incluir disforia, insônia, inquietação, ansiedade e agitação psicomotora.
O que concluiu a revisão do NEJM?
As evidências pontuadas pelo artigo sugerem que não há correlação entre o consumo de café e o aumento do risco de doenças cardiovasculares e câncer.
Na verdade, o consumo de 3 a 5 doses de café diariamente tem sido consistentemente associada à redução da probabilidade do desenvolvimento de doenças crônicas.
Para adultos que não mulheres gestantes, a dose máxima diária até o aparecimento dos efeitos adversos indesejados é de 400 mg. Para mulheres gestantes ou em lactação, o valor de referência cai para a metade, 200 mg.
Não há evidência substancial que justifique o uso de cafeína na prevenção de doenças crônicas. Contudo, para os indivíduos adultos que não sejam gestante, lactantes ou que tenham condições de saúde específicas, o consumo moderado de cafeína pode estar presente num estilo de vida saudável.
Leia na íntegra: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMra1816604
Coffee, Caffeine, and Health. ob M. van Dam, Ph.D., Frank B. Hu, M.D., Ph.D., and Walter C. Willett, M.D., Dr.P.H.



