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Mucormicose – entenda o “fungo preto” e sua relação com a Covid-19 – PARTE 2 | Colunistas

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Sintomas

Os sintomas da mucormicose podem contemplar:

Figura 4: Sintomas comuns à mucormicose
Fonte: Arquivo pessoal de João Pedro Almeida Lira

Como podemos ver, a maioria dos sintomas iniciais também podem ser relacionados a uma gripe comum ou à COVID-19, o que leva a um atraso na busca por auxílio médico.

Muitos pacientes só buscam auxílio médico após chegarem ao estágio de cegueira, o que necessita da remoção do globo ocular com o intuito de evitar a proliferação do vírus e seu deslocamento para o cérebro e evitar uma fatalidade.

Figura 5: (A) Ptose e edema palpebral, desencadeada por diabetes incontrolada. (B) Úlcera palatina necrótica purulenta, desencadeada por diabetes incontrolada. (C) Necrose cutânea, desencadeada por neutropenia persistente pós-quimioterapia. (D) Mucormicose rinocerebral em criança de 2 anos, desencadeada por leucemia linfoblástica aguda, com resultado letal.
Fonte:  Editada de Cornely (2019)

Diagnóstico

Os exames de sangue para determinação do diagnóstico têm um valor extremamente limitado, uma vez que as hemoculturas raramente são positivas.

Os exames de imagem, também, não são de grande valia para realização do diagnóstico, visto que os achados são análogos aos achados da COVID-19, com surgimento de consolidações e vidro fosco. Sendo a tomografia computadorizada mais aconselhada para follow-up dos avanços da doença.  

O diagnóstico, então, torna-se relativamente complicado e necessita de minuciosa avaliação clínica, onde avalia-se os sintomas já emergidos até o momento.

A realização de exame histopatológico, com a biópsia do local, é fonte de diagnóstico mais completo, porém, necessita de grande suspeita ou apresentação de sintomas tardios para solicitação do exame.

Tratamento

O único tratamento possível direcionado a este fungo é a cirurgia para retirada de tecido necrosados associada à injeção intravenosa antifúngica, que deve ser aplicada todos os dias durante pelo menos duas semanas. O tratamento é extremamente complexo e caro, utilizando-se formulações lipídicas como anfotericina B combinadas com isavucnazol. O custo de cada dose gira em torno de R$ 2.081,00, com o total do tratamento em torno de R$ 29.134,00.

Manejo do paciente:

  • Necessita-se tratar os níveis de açúcar após a alta dos pacientes;
  • Controle de diabetes e cetoacidose diabética;
  • Redução de esteroides à com meta na descontinuação;
  • Descontinuar drogas imunomoduladoras;
  • Não há necessidade de profilaxia antifúngica;
  • Desbridamento cirúrgico extensivo para remoção de partes necrosadas;
  • Inserir cateter venoso central de inserção periférica (PICC);
  • Manter hidratação sistêmica adequada;
  • Monitoramento clínico e com imagens para detectar a progressão da doença.

Prognóstico

Conforme já informado, o índice de mortalidade para acometidos pela enfermidade é superior a 50%.

Intervenções cirúrgicas e medicamentosas estão diretamente relacionadas ao aumento do prognóstico positivo, levando a uma diminuição nas taxas de mortalidade quando associadas ao manejo multidisciplinar, com a atuação de vários profissionais, como:

  • Microbiologista;
  • Intensivista;
  • Neurologista;
  • Oftalmologista;
  • Otorrinolaringologista;
  • Odontólogo;
  • Cirurgião – bucomaxilofacial ou plástico;
  • Bioquímico;
  • Radiologista.

O pior prognóstico é verificado em pacientes com neoplasias hematológicas, diabetes mellitus descontrolada e transplantados de medula óssea.

A disseminação da doença para o sistema nervoso central é associada a taxas de mortalidade superiores à 80%.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


REFERÊNCIAS

Ahmed, A. Mycetoma laboratory diagnosis: Review article. PLOS: Negleted Tropical Diseases. 2017.

Cornely, O. et al. Global guideline for the diagnosis and management of mucormycosis: an initiative of the European Confederation of Medical Mycology in cooperation with the Mycoses Study Group Education and Research Consortium. Lancet Infectious Disease. 2019.

ICMR. Mucormycosis Advisory From ICMR In COVID19 time. ICMR Guidelines. 2021. 

Ruiz, I. El tratamiento de la mucormicosis (cigomicosis) en el siglo xxi. Revista Iberoamericana de Micollogia. 2018.

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