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Modelos de relação médico-paciente e como estes influem na prática médica | Colunistas

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Ao longo das centenas de anos de profissão médica, diversas alterações na
relação médico-paciente são relatadas na literatura. Dentre os modelos
de relação propostos

ressaltam-se os sugeridos pelo Dr. Robert Veatch, descritos a seguir:

  1. Sacerdotal ou paternalista: em que há dominação do médico em relação ao paciente, que se apresenta submisso. É baseado na tradição hipocrática, envolvendo uma relação paternalista, em que se pode observar limitada atuação do paciente na tomada de decisões.
  2. Engenheiro ou informativo: no qual a relação de poder do paciente é variável e o médico adapta-se ao paciente. Neste caso, a autoridade ainda é mantida pelo médico ao repassar as informações, porém o paciente exerce o poder na relação, agindo como a pessoa que demanda os serviços prestados pelo médico.
  3. Colegial: que apresenta relações de poder igualitárias, em que pode haver negociação entre ambas as partes, entretanto, sem manutenção da autoridade do médico.
  4. Contratualista: em que a autoridade e o poder são compartilhados, gerando compromissos entre ambas as partes envolvidas na relação. O médico mantém a autoridade, em virtude de seus conhecimentos técnicos e científicos, porém o paciente é considerado um ser autônomo, participando ativamente dos cuidados em saúde ao ser esclarecido e responsabilizado quanto às medidas necessárias sobre o estilo de vida e autocuidado necessários à sua condição.

Tendo em vista as flutuações ocorridas
nestes modelos de relação ao longo da prática médica, ressalta-se a importância
da relação na adesão do tratamento e no melhor exercício da medicina e como
estas flutuações acompanham as modificações sociais inerentes às transformações
cronológicas sociais.

A relação hipocrática,
tradicionalmente paternalista, torna-se defasada a medida em que os laços
estreitam-se, o médico torna-se mais diligente e avalia seu paciente como um
individuo complexo, abordando a influência dos estados psíquicos na saúde
física dos pacientes.

O modelo de aproximação entre médico e
paciente cai em desuso a partir do relatório Flexner (1910), que prevê
a fragmentação da medicina em especializações, criando, portanto, a residência
médica. Estas modificações contribuem 
grandemente com o conhecimento técnico-científico, entretanto, pecam no
quesito da relação médico-paciente, pois desconsidera a opinião do paciente e
cria novamente uma barreira entre ambas as partes.

            Atualmente,
novas correntes tentam resgatar a humanização desta relação, na tentativa de
abordar o paciente de forma biopsicossocial, buscando conhecer as queixas e os
fatores intrínsecos e extrínsecos que possam contribuir com as informações
coletadas na anamnese e exame físico para otimização do diagnóstico e
tratamento.

Elucidar o paciente, dentro
dos limites possíveis, evidenciando os benefícios e
malefícios dos tratamentos oferecidos para cada situação, permite maior
autonomia do paciente sem a perda da autoridade médica. A evolução tecnológica
também pode ser um fator aliado ou adversário ao médico, tendo em vista a
facilidade da obtenção de informações por meio da internet sobre condições
apresentadas pelo próprio paciente que podem ser confrontadas com a conduta
médica.

            Outro
aspecto interessante quanto à inserção de tecnologias nesta
dinâmica é a utilização da telemedicina. Esta prática, relativamente nova, se
mal utilizada, pode afastar o médico do paciente, visto que apenas a primeira
consulta é obrigatoriamente presencial. Em contrapartida, pode permitir
comunicação quase instantânea entre as partes, rápido acesso médico às
informações obtidas em exames complementares e monitorização ou, até mesmo, democratização
do acesso de pacientes ao atendimento médico, mesmo em regiões remotas,
principalmente daqueles que apresentam limitados recursos para o deslocamento.

Aspectos psicodinâmicos de
transferência e contra-transferências são observados nesta relação, o que pode
comprometer ou facilitar esta prática. A transferência é o processo em que o
paciente projeta sentimentos originários de outros relacionamentos que nada se
relacionam ao médico, podendo ser de caráter positivo, quando vivencia o
relacionamento de maneira agradável, ou negativo, tornando-se pouco cooperativo
com o médico. O profissional, por sua vez, realiza a contra-transferência,
processo no qual também projeta sentimentos e conflitos vivenciados
anteriormente ao paciente.

Outro processo que
pode ocorrer é a resistência. Neste mecanismo pode ocorrer recusa do paciente
em realizar exames propostos ou o tratamento de forma adequada. Este revela-se
de forma inconsciente e é um fator prejudicial à relação, invariavelmente. A
multiplicidade destes processos é rica e requer análise adequada por parte do
médico e paciente.

            O
contato deficiente ainda pode acarretar em processos judiciais, erros de
compreensão
por parte do paciente quanto ao tratamento e eventuais iatrogênias médicas.

            A
aquisição
de competências de comunicação, inclusive, é abordada em diversas escolas no
módulo de humanidades, estimulando a empatia. Esta relação pode ser construída
sob os aspecto de diversas nuances, por meio da escuta ativa, do relato de
experiências pessoais de doença e da desmistificação da figura paternalista do
médico no contexto das relações interpessoais, mesmo dentro do consultório ou
do hospital.

Apesar de configurar-se como uma relação de grande relevância, sua construção depende de processos complexos e sofre influência sociais, econômicas, culturais e psicológicas e, por isso, necessita de atenção por parte do médico, de forma a alcançar melhores resultados terapêuticos e promover qualidade de vida.

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