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Minoxidil oral em baixas doses: segurança cardiovascular em pacientes com hipertensão e arritmias

Minoxidil

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O minoxidil na forma oral (VO) já conquistou seu espaço no tratamento da alopecia androgenética. A adesão costuma ser maior em comparação à via tópica, o que potencializa os resultados e a satisfação com o tratamento.

Inicialmente, o minoxidil VO era utilizado como anti-hipertensivo em doses elevadas (>15 mg/dia). Embora apresentasse eficácia limitada para essa finalidade, observou-se que os pacientes em uso desenvolviam hipertricose difusa — e foi a partir dessa observação que o medicamento passou a integrar de forma definitiva o arsenal terapêutico contra a alopecia androgenética. Para essa indicação, o minoxidil é prescrito em baixas doses (<10 mg/dia).

A principal preocupação dos profissionais ao prescrever a medicação sempre foi o risco cardiovascular. Por isso, era comum a recomendação de avaliação cardiológica prévia para pacientes com arritmia, hipertensão ou outras alterações cardíacas antes de iniciar o tratamento.

Um estudo recente, publicado pela Elsevier, trouxe tranquilidade aos tricologistas e mais segurança para os pacientes que utilizam essa medicação. Trata-se do primeiro estudo a avaliar a segurança do minoxidil VO em baixas doses especificamente em pacientes com hipertensão arterial sistêmica (HAS) ou arritmia. Diversos trabalhos prévios já haviam demonstrado um perfil de segurança favorável na população geral, mas os dados para esse grupo específico ainda eram escassos.

O estudo multicêntrico, retrospectivo, realizado no Brasil e na Espanha, avaliou, entre janeiro de 2018 e dezembro de 2022, 264 pacientes com média de idade de 56,9 anos (variando de 19 a 82 anos). Os critérios de inclusão foram:

  • Diagnóstico de alopecia confirmado por dermatologista;
  • Uso do minoxidil VO por pelo menos 1 mês;
  • Histórico documentado de HAS e/ou arritmia.

A dose de minoxidil VO foi aumentada gradualmente em 128 pacientes, totalizando 382 doses analisadas.

Principais achados do estudo

Considerações gerais

  • O perfil de segurança foi semelhante ao observado na população geral, sem registro de eventos cardiovasculares graves.
  • Efeitos adversos sistêmicos ocorreram em 6,8% dos casos:
    • Tontura/hipotensão postural: 3,1%
    • Retenção de líquidos: 2,6%
    • Mal-estar geral: 0,8%
    • Taquicardia: 0,8%
    • Cefaleia: 0,5%
  • Apenas 1,5% necessitaram suspender o tratamento, principalmente por tontura persistente ou edema.
  • O uso concomitante de três ou mais anti-hipertensivos, especialmente a doxazosina, aumentou o risco de efeitos adversos e de suspensão da medicação.

No subgrupo com arritmia:

  • Houve apenas um caso de edema periorbitário e em membros inferiores, resolvido com redução da dose.
  • Nenhum paciente apresentou agravamento da arritmia ou necessidade de ajuste da medicação antiarrítmica.

Pontos práticos para o consultório

  • O minoxidil VO é, em geral, seguro para hipertensos e pacientes com arritmia estável, desde que haja monitoramento clínico.
  • Avaliar risco-benefício em pacientes polimedicados ou que utilizem bloqueadores alfa-adrenérgicos.
  • Iniciar com doses baixas e titular conforme a tolerância.
  • Considerar avaliação cardiológica prévia em casos de arritmias complexas ou cardiopatias associadas.

Conclusão

O minoxidil VO em baixas doses demonstrou ser seguro e bem tolerado em pacientes hipertensos e/ou com arritmias. Os efeitos adversos cardiovasculares mais comuns foram leves, destacando-se tontura e retenção de líquidos; a taquicardia foi rara.

A necessidade de suspensão do tratamento foi baixa e, quando ocorreu, esteve mais associada ao uso concomitante de múltiplos anti-hipertensivos, especialmente a doxazosina. Os autores em na colaboração com um cardiologista orientam que a maioria dos pacientes hipertensos pode iniciar o tratamento para alopecia sem encaminhamento prévio ao cardiologista, desde que não haja contraindicações absolutas.

Este estudo reforça que, com monitoramento clínico e ajuste individualizado da dose, o minoxidil VO pode ser utilizado de forma segura mesmo em indivíduos com histórico cardiovascular, ampliando as opções terapêuticas no tratamento da alopecia androgenética.

Referências bibliográficas

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