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Minha experiência no internato da especialidade de endocrinologia e metabologia | Colunistas

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Minha Experiência no Internato da Especialidade de Endocrinologia e Metabologia, foi muito enriquecedora e eu acredito que tenha sido de longe um dos estágios mais importantes que eu passei no internato. A Endocrinologia é uma especialidade vital para a formação da carreira médica e isso se deve principalmente pela sua incidência na população. Em 2013, o Ministério da Saúde realizou a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS/2013) como um inquérito nacional de base domiciliar, realizada em parceria entre a Fiocruz e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com um questionário individual, os sujeitos entrevistados autorrelataram suas doenças crônicas diagnosticadas por médicos e entre as mais incidentes estavam: Diabetes mellitus e a Hipertensão arterial, como já era de se esperar.

Sem dúvida nenhuma, como médico ou estudante de medicina, você com certeza irá passar pelo menos uma vez na vida pela seguinte situação:  um paciente, de aproximadamente 40 anos ou mais, chega ao ambulatório pedindo pelo famoso ‘’check up’’. Ao longo da anamnese, o paciente aparenta estar em perfeitas condições de saúde e, inclusive, ao se investigar sobre a história patológica pregressa o paciente pode até negar a existência de qualquer doença. Porém, é apenas no momento em que se questiona sobre o uso de algum medicamento que o paciente revela ser portador de uma série de patologias, sendo que as principais são sempre as boas e velhas doenças endócrino-metabólicas. Entre elas, destacam-se a Dislipidemia, Diabetes Mellitus, Obesidade, Tireoideopatias, e as doenças osteometabólicas.

Essa situação se repetiu inúmeras vezes no meu internato, inclusive em estágios das mais variadas especialidades e, ao meu ver, ela ilustra incrivelmente bem a importância da Especialidade de Endocrinologia e Metabologia na nossa formação. Se assumirmos que cada indivíduo pode apresentar mais de uma doença (ou comorbidades), o leque de doenças endócrino metabólicas por indivíduo e a relação entre elas também garantem uma abordagem complexa e de grande necessidade de intervenção médica diferenciada em cada faixa etária. Na mesma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em 2013, pode ser observado, também, que a prevalência de comorbidades aumenta com o aumento da faixa etária: quase 80% dos brasileiros com 60 anos ou mais possui ao menos uma morbidade (ou duas ou mais comorbidades), o que traz um cenário em que cerca de 18 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais relata ter ao menos uma doença crônica.

Por conta de todo esse cenário exposto, pode-se inferir também que a mortalidade e a limitação de atividades do cotidiano também é reflexo da prevalência dessas morbidades mais influentes sobre uma população, pois se espera que populações com maiores prevalências de doenças ou condições endócrino/metabólicas morram mais por essas mesmas doenças ou complicações das mesmas que impedem seus plenos exercícios de atividades cotidianas. Dessa forma, esses pacientes precisarão de uma abordagem continua e normalmente multidisciplinar para que consigam diminuir as limitações e evitar o desfecho negativo de suas patologias.

Dessa forma, os impactos nos serviços de saúde decorrentes do maior peso que doenças como as doenças endócrino-metabólicas trazem, demandam uma organização da rede de atenção à saúde, incluindo medidas preventivas, diagnóstico precoce, o acesso a medicamentos essenciais ao tratamento dessas doenças e reabilitação, que deve ser conhecido e compreendido pelo estudante de medicina.

Em vigência disso, o estágio de Endocrinologia me colocou numa situação dicotômica que mudou meu olhar dentro da medicina. Por um lado, gostei muito de poder aprender mais sobre doenças com grandes incidências na nossa população e ainda mais de saber que a grande maioria do tratamento dessas doenças está disponível no SUS. Por outro lado, o que eu menos gostei e me gerou preocupação foi que mesmo com todos os tratamentos disponíveis, inclusive de forma gratuita para a população, são poucos os pacientes que chegam no ambulatório sabendo da importância da adesão ao tratamento, bem como, da real extensão de sua doença e como a mesma pode trazer limitações das atividades habituais. O estágio de Endocrinologia e Metabologia além de me proporcionar conhecimento VITAL sobre essas doenças tão incidentes me reforçou uma importante lição dentro da medicina: o paciente deve ser encarado como um todo, independentemente da sua queixa inicial na consulta, e as suas patologias de base devem estar em evidência na sua abordagem clínica, pois elas irão interferir diretamente no processo de cuidado da mesma.

Autor(a): Mariana Costa Zoqui, estudante de Medicina da FEMA, Assis- SP.

Instagram: @marizoqui @sanarnafema


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Diretrizes para Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras no Sistema Único de Saúde – SUS. Brasília, 2014. Acesso disponível em: https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2014/junho/04/DIRETRIZES-DOENCAS-RARAS.pdf

Morbimortalidade por doenças crônicas no Brasil: situação atual e futura / Cristiano Siqueira Boccolini. – Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz, 2016. Acesso disponível em: https://saudeamanha.fiocruz.br/wp-content/uploads/2017/11/PJSSaudeAmanha_Texto0022_2016_v05.pdf

Endocrinologia clínica I editor responsável Lucia Vilar; editores associados Claudio Elias Kater [et al.). – [5.ed.). – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013.

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