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Minha Experiência no Internato da Especialidade De Cirurgia Geral | Colunistas

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Minha experiência no internato da especialidade de Cirurgia Geral não foi nada do que eu esperava para ser melhor do que eu imaginava. Afinal, devo deixar claro que eu que nunca tive afinidade e muito menos facilidade nas áreas cirúrgicas, sempre fui mais da clínica médica, temia com a ideia da necessidade de ter que passar pelos dois períodos de estágio que passo na cirurgia geral na minha faculdade (Quinto ano – Enfermaria, Sexto Ano – PS da Cirurgia Geral), devo confessar que inclusive chorei antes de iniciar esses estágios.

Justamente por conta dessa minha “aversão”, gostaria de citar neste texto uma pessoa crucial na minha trajetória na medicina, que nos momentos que antecederam minha passagem pelos períodos de estágio na Cirurgia Geral me deu muita força com os ensinamentos que ela me transmitiu em vida. Essa pessoa era a minha mãe, ela me dizia: “Filha, aquilo pelo qual não temos muita afinidade ou facilidade em exercer e/ou aprender é o que precisamos mais nos dedicar e estudar, pois é algo que não virá fácil em nossas mentes na hora que precisarmos, e você não deve fechar seu coração e sua mente para as coisas que você não gosta, você deve aprender ao máximo com elas”.

E foi com essa fala dela na minha cabeça e no meu coração que eu realizei os estágios na Cirurgia Geral no internato, e acabei sendo de certa forma surpreendida, positivamente, por essa especialidade.

A importância da “Cirurgia Geral” no internato

A Cirurgia Geral é de extrema importância no internato, pois ela é uma das 5 Grandes Áreas da Medicina, isso por si só já indicaria a sua relevância. Contudo essa relevância vai um pouco mais além, pois é nessa especialidade em que o interno, de maneira geral, terá contato com uma grande parcela dos procedimentos médicos que ele poderá ter que realizar em algum momento durante seus futuros plantões em PS – como suturas, colocações de drenos, de sondas e de drenagem de abscessos.

Além do fato que nesse estágio você consegue ter uma melhor visão quando o caso necessita de uma avaliação em conjunto com a Cirurgia Geral ou quando não há essa necessidade, e você consegue abordar melhor o nível de gravidade do doente que você examinará em seus futuros plantões e entender se precisará de cirurgia imediata ou se necessitará de maior abordagem de investigações clínicas. Então, de maneira geral, a meu ver esses pontos citados são os que conferem uma maior importância dessa especialidade no internato.

O que mais gostei

Dentre as características dessa especialidade que eu mais gostei e, como já disse, me surpreenderam positivamente ao longo desses estágios os quais passei na Cirurgia Geral foi a assertividade e agilidade, muitas vezes exigidas pela rotina dentro dessa área, com que os residentes, preceptores e chefes destrinchavam a medicina baseada em evidências, para assegurar um tratamento efetivo e eficaz com os recursos que eles tinham no momento, assim como com as condições que os pacientes lhe traziam e não apenas condições biológicas intrínsecas às doenças abarcadas pela Cirurgia Geral, mas também as condições psicossociais, que muitas vezes norteavam a vida desses pacientes.

Além disso, algo que gostei muito foi a possibilidade de poder expandir meus horizontes com relação aos limites que me empunha dentro dessa especialidade, como exemplo nunca pensei que conseguiria realizar um boa sutura ou então drenar abscesso e muito menos passar um acesso venoso central, só que com o incentivo dos residentes, preceptores e chefes eu me vi realizando esses procedimentos da forma mais adequada possível para uma interna, ou melhor, para uma interna com “zero” aptidões cirúrgicas. Claro que nem sempre esse incentivo veio da forma mais amena, digamos assim, contudo com relação a essa parte deixarei para as minhas ponderações quanto às características que não gostei muito.

Outro fator importante de ser abordado, é que, principalmente, na enfermaria da Cirurgia Geral houve muito academicismo quando passei por esse estágio, discussões a beira leito, questionamentos que nos faziam ampliar nossos horizontes para além da obviedade dos diagnósticos diferenciais e do manejo das diferentes causas e consequências das diversas patologias que acometiam os mais diferentes pacientes internados na enfermaria da Cirúrgica.

Sendo assim, a maneira teórico-científica quanto a empírica, com relação à troca de experiências de casos assistidos pelos residentes, preceptores e chefes, assim como a forma de abordagem mais assertiva e ágil com que a realidade holística do paciente era abordada na Cirurgia, que eu muitas vezes julguei que não seria da rotina do Cirurgião ter nem um pouco desse tipo de abordagem, esses estágios foram inesperadamente positivos.

O que menos gostei

Como já elenquei existem sim algumas ponderações a serem feitas com relação a características e abordagens que eu não gostei do internato de Cirurgia Geral, iniciarei falando sobre o incentivo que nem sempre veio de forma amena. Para falar a verdade, meu primeiro medo com relação à área da Cirurgia Geral era com relação ao tipo de ambiente que era nutrido entre seus diferentes participantes seja dos residentes aos chefes, então imagina o que eu projetava que seria a forma com que esse ambiente iria afetar uma interna alheia ao interesse cirúrgico como eu?

Então, de certa forma, esse meu medo se mostrou real, pois na cirurgia impera muito a máxima: ”Quando não se aprende pelo amor, se aprende pela dor”, afinal os cirurgiões não querem muito saber se você consegue ou não fazer algo, e sim se você tem competência o suficiente para fazê-lo, talvez em um primeiro momento não seja algo ruim almejar essa competência de seus subordinados. Contudo, muitas vezes na maneira de expressar essa vontade por eficiência, os preceptores e chefes podem pressionar veementemente os residentes, com os famosos “esporros”, que podem ir desde falar algo com mais seriedade e rigidez até um pouco de grito ou de xingamentos.

E dessa maneira os residentes podem acabar ressentidos e retroalimentarem entre si esse ressentimento, o que amplia alguns outros atributos também muito presentes na medicina em geral, só que muitas vezes mais explícitos da Cirurgia Geral, que são a competitividade e a hierarquia, atributos esses que não me apetecem tanto, pois a linha é muito tênue entre o quanto essa competitividade e hierarquia podem ser produtivas e quanto podem se tornar tóxicas na rotina desses residentes, preceptores e chefes.

E, como eu abordei, esses residentes mais ressentidos e abarcados por essa competitividade e hierarquia tóxicas podem acabar atacando-se de R3 a R2 a R1 para poder de alguma forma saírem do sufocamento que a pressão veemente dos preceptores e chefes aplicam sobre eles. Em alguns momentos, sim, recaem sobre os internos esses ressentimentos todos, só que, ao meu ver, isso não é o mais pesado, e sim você ficar imerso dentro desse ambiente que pode tornar-se extremamente tenso, sugando psicologicamente a todos os médicos da área Cirúrgica assim como os internos.

E o pior ocorre quando os pacientes acabam imersos nesse cenário também, por vezes podem ser alvos desses ressentimentos, pois todos acabam ficando cansados desse estresse que lhes é aplicado todos os dias, e desse cansaço quem quer que esteja na frente pode levar o esporro final, digamos assim, sejam internos e/ou pacientes e/ou equipe multidisciplinar.

E muitos cirurgiões e aspirantes a cirurgiões dizem: ”Ah mas ninguém morre de cansaço”, e assim começam quase que a “competir” em quem dorme menos, come menos ou come menos saudável, toma mais café, fica mais tempo sem conseguir realizar sua higiene pessoal de forma adequada. E isso é justamente o contrário do que sempre devemos orientar os pacientes, afinal a medicina prega melhora da qualidade de vida para a promoção de saúde e prevenção de agravos, contudo muitas vezes, na Cirurgia Geral, prega-se o contrário disso.

E até pode ser que cansaço não esteja nas causas de um atestado de óbito, só que comorbidades advindas da falta de cuidados pessoais minimamente adequados com a saúde podem sim acabar como causas em um atestado de óbito, com diabetes, hipertensão, desnutrição, obesidade, depressão etc.

Então para cuidar é preciso se cuidar. Digo isso, justamente, pois me apeguei um pouco aos médicos incríveis e pessoas maravilhosas que acabei descobrindo dentro da cirurgia geral. Sim, vocês precisam ser assertivos, ágeis e competentes, só que sempre buscando cuidar fisicamente e psicologicamente de vocês mesmos e do ambiente de trabalho em que vocês estão, para que vocês possam exercer por muitos anos e, com o mínimo de saúde, essa área que vocês já exercem com tanta maestria.

Conclusão

Portanto, devo confessar que, apesar dos pesares elencados, os pontos positivos das características dos residentes, preceptores e chefes da Cirurgia Geral até que conseguiram fazer com que do medo se fizesse um pouco de leveza, da apreensão foi se fazendo confiança, do cansaço se fez resiliência, das visitas e cirurgias foi se fazendo aprendizado, de cada história tirada e de cada exame físico foi se fazendo a importância do comprometimento com o paciente.

E ao interno que ainda não passou pelos estágios na cirurgia geral, devo incentivar a ir com a cara e a coragem nesses estágios, ou seja, deixe um pouco seus medos dos “esporros” e da rotina cansativa de lado, e lembre-se, mesmo que você seja como eu sem aptidões para a Cirúrgica, esses serão os últimos momentos em que terá contado com essa área, então seu maior medo deve ser não tirar o melhor proveito dos estágios.

Mostre interesse, pergunte, responda independente de qualquer reação dos residentes aos chefes, se voluntarie para fazer os procedimentos, para instrumentar, pois nunca se sabe quando você precisará utilizar esses conhecimentos na sua atuação médica, independente da área que você for seguir. Pois conhecimentos não ocupam espaço e ninguém pode tirar de você, para assim no momento em que um paciente potencialmente cirúrgico entrar pela sua porta você não o encaminhe meramente ao cirurgião, que você possa fazer o máximo por ele em seu PS e o encaminhe de forma assertiva, ágil e com a competência que seu paciente merece e que os cirurgiões que o receberem precisam.

Hoje sei que justamente por ter levado a fala da minha mãe à risca, de ter ido de mente e coração abertos para esses estágios na Cirurgia Geral, sei que não farei cirurgia, só que agradeço demais aos pacientes, às trocas de sonda vesical, de GTT, de colostomia, as suturas, a passagem de central, as instrumentações em cirurgia. Gratidão demais também dos residentes aos chefes por tudo, dos ensinamentos às risadas (sim, descobri que os cirurgiões também dão umas boas risadas e não somente da própria desgraça, digamos assim), vocês se tornaram amigos e inspiração para eu sempre buscar superar meus medos e obstáculos para poder exercer uma medicina de excelência como vocês. E, por fim, devo dizer que gratidão define minha experiência no internato de Cirurgia Geral.


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

título principal da página web – https://www.linkdapagina.com

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