Anúncio

Microbiota: a responsável por “você ser o que você come” | Colunistas.

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

A microbiota é um complexo ecossistema composto por vírus,
bactérias, fungos e protozoários que vivem em relação de codependência com
organismos multicelulares, habitando trato gastrointestinal, canal vaginal,
pele, boca e sistema respiratório. O que parecia apenas funcionar como uma
proteção contra patógenos em troca de abrigo e alimento, vem se mostrando cada
vez mais complexa, surgindo indícios de que esses “serzinhos” microscópicos são
capazes até mesmo de regular as funções neuronais. Decidi trazer para você um
pouquinho do que está rolando no mundo científico sobre o assunto, focando na
microbiota intestinal, que é a que tem maior destaque e você descobrirá logo
abaixo o porquê. Vamos lá?

Microbiota e doenças metabólicas

            70% da
microbiota humana é encontrada no trato gastrointestinal, sendo constituída em
sua maioria por bactérias, cuja composição depende muito da genética e fatores
ambientais, sendo já adquirida ao nascimento. Esses microrganismos funcionam
como auxiliares do nosso sistema endócrino, produzindo substâncias essenciais
para o funcionamento correto de órgãos e sistemas, assim como também modulam
nossa expressão de genes responsáveis por exemplo pela fortificação da barreira
mucosa, metabolismo de xenobióticos e captação de nutrientes.

            Estudos vêm
demonstrando que sua falta, além de obviamente não trazer todos os benefícios
listados acima, já foi associada a obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia e
síndrome metabólica. Há está associada também ao risco de desenvolvimento de
doença aterosclerótica, com fortes evidências de que possui um papel ativo na
fisiopatologia da doença, independente do indivíduo possuir alguma doença
metabólica prévia.

            As
alterações da microbiota, chamada “disbiose” causa problemas para o nosso
organismo: produção incorreta de substâncias essenciais para a realização das
funções fisiológicas e de metabólitos, que podem ser prejudiciais e
potencialmente desencadeadores de doenças/intoxicações.

O papel na imunidade

            É sabido
que esses seres comensais têm papel importante no treinamento e funcionamento
do nosso sistema imune, além de agirem como adjuvantes do sistema imune como um
todo. Isto é em parte confirmado por indivíduos com imunodeficiências primárias
padecerem de infecções causadas por microrganismos considerados constituintes
normais da microbiota.

            A despeito
de ainda não se ter todas as respostas de como funciona esse mecanismo da
imunidade, há indicativos de que ela é auto-reforçada pelas respostas imune e
inata, pretendendo conter a microbiota em locais específicos, barrar a
imunidade e reparar tecidos de forma desassociada à inflamação.

Influência no desenvolvimento cerebral,
comportamento e aprendizado

            Estudos em
animais têm demonstrado que a disbiose, além de influenciar nas doenças
metabólicas e na imunidade como vimos, também pode influenciar no comportamento
de seu hospedeiro, modificando a forma de agir em atividades sociais e até
mesmo na resposta ao estresse e ansiedade. Exatamente, esses seres visíveis
muitas vezes apenas em microscópios eletrônicos são capazes de estarem
relacionados a distúrbios neuropsiquiátricos.

            Foi
observado a existência de um eixo intestino-cérebro e que a redução ou
modificação da microbiota intestinal é capaz de afetar várias etapas da
formação e manutenção do sistema nervoso central, contribuindo então quando
está em desequilíbrio na patogênese de doenças degenerativas como Doença de
Alzheimer.

Mas enfim, como melhorar a microbiota?

            Como você
deve ter percebido, ainda há muitas lacunas para serem preenchidas sobre o
assunto, mas uma coisa é certa: é bem melhor cuidar/manter/melhorar nossa
microbiota para que não tenhamos problemas no futuro. Então para finalizar,
trouxe dicas de como fazer isso:

1.   Alimentação

            “Você é o
que você come”. Este ditado muito usado pelos nossos avós faz muito sentido
quando se trata da microbiota. Foi comprovada que a alimentação é capaz de
modificar a flora intestinal, e uma alimentação equilibrada faz com que não
haja espaço para os microrganismo patogênicos. Cerca de 40% da microbiota intestinal
é modificada durante a vida, e a dieta é a grande responsável.

            É
recomendado que se procure um especialista como um nutricionista ou nutrólogo
para que seja analisada a demanda individual, entretanto, há algumas mudanças
que podem ser feitas, como ingesta de alimentos ricos em probióticos e
prebióticos

Probióticos e prebióticos

Apesar de estarem inseridos na
alimentação, achei interessante colocá-los em destaque. Os probióticos,
descritos por instituições internacionais de saúde como “microrganismos vivos
que quando fornecidos em quantidade adequada, conferem ao benefícios à saúde do
hospedeiro”, e encontrados principalmente em leites fermentados, têm benefícios
provados em diarreia, intolerância à lactose, alergias, doenças inflamatórias
intestinais.

Já os prebióticos são “alimentos
não digeríveis pelo indivíduo que tem como função estimular seletivamente o
crescimento e/ou atividade de uma limitado tipo de bactérias no cólon,
melhorando a saúde do hospedeiro”. Há controvérsias de se realmente são
efetivos e a forma como agem, mas se sabe que provavelmente regulam fatores do
sistema imunológicos, assim como estimulam os receptores “toll-like” nas
células epiteliais intestinais e abrigam células que induzem a expressão de
citocinas anti-inflamatórias. As fibras entram neste grupo.

E há também os simbióticos, que
são a combinação entre probióticos e prebióticos, nos quais são selecionados
para que haja vantagem competitiva dos probióticos quando chegam à flora
intestinal.

2.   Transplante
fecal

            É restrita
a casos recorrentes de diarreia e infecção por Clostridium difficile resistente a antibióticos, sendo os doadores
pessoas saudáveis e com objetivo de restaurar a microbiota do doente. A taxa de
eficácia do tratamento varia entre 87 a 90%, mas ainda é pouco explorada
principalmente por falta de regulamentações e protocolos.

Compartilhe este artigo:

Cursos gratuitos para estudantes de medicina

Anúncio

Minicurso Gratuito

+ Certificado

Fisiologia Celular

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀