São organismos heterotróficos de variadas dimensões que pertencem a um reino próprio (Reino Fungi), desta forma, é papel da Micologia estudar todas as características dos fungos, incluindo suas propriedades genéticas e bioquímicas, sua taxonomia e seu uso para os humanos.
Eles são organismos eucariontes, ou seja, providos de núcleo celular, onde se encontram o material genético, DNA (ácido desoxirribonucleico) e RNA (ácido ribonucleico), uma das características que os inclui no domínio Eukarya. Nutrem-se por absorção através da liberação de enzimas que auxiliam na degradação de matéria orgânica e inorgânica.
Assim, favorecendo sua colonização em diferentes ambientes seja na água, solo ou ar. Além de habitarem regiões com temperaturas acima de 100ºC, ou abaixo de zero. Além disso, produzem inúmeras substâncias conhecidas como metabólitos secundários que são utilizados em diversos setores industriais, como alimentício, farmacêutico, bebidas, têxteis etc.
Curiosidades gerais sobre os fungos
São imóveis, de fácil cultura. Sua parede celular é constituída por polissacarídeos (glicanas e quitina) e proteínas (ligadas a moléculas de manose – manoproteínas). São de fácil crescimento, aeróbios (maioria) ou anaeróbios facultativos (leveduras).
Eles têm glicogênio como material de reserva. Organizados em células únicas (leveduras) e colônias filamentosas multicelulares (bolores e cogumelos). Crescimento lento de 7-15 dias, e a sua colônia já tem características específicas da espécie.
Sua identificação pode ser feita através de uma lâmina e hidróxido de potássio que geram resultados de identificação de fungos (porque são dimórficos).
Os fungos apresentam esporos que podem ser sexuados ou não, eles se desprendem do fungo e vão para o meio ambiente (solo, animais e ar). Por isso a transmissão de micose é muito fácil, mas a grande maioria das micoses são oportunistas.
O problema dos fungos é o tratamento, pois muito uso de antifúngicos acaba com a flora bacteriana intestinal que pode abaixar mais a imunidade e nos deixar susceptíveis a micoses oportunistas. Agentes psicotrópicos são sintetizados a partir de fungos (assim como, Penicilina também é sintetizada), existem fungos que produzem toxina e elas que causam o problema.
Micologia: estrutura da célula fúngica
A célula fúngica é constituída por uma membrana plasmática e por organelas que se encontram dispersas no citoplasma, além disso, é revestida por uma camada protetora externa denominada parede celular, que além de proteção, é responsável pelo formato e comunicação intercelular.
Dentre todas as estruturas celulares fúngicas a parede celular é considerada a mais importante devido sua composição e complexidade, pois é responsável pela proteção, formato e comunicação intracelular.
As suas variedades de funções estão relacionadas com sua composição. Os principais componentes da parede fúngica são Glicanas, Quitinas e Mananas, sendo que as quantidades desses componentes podem variar de acordo com cada espécie e gênero de fungos.
Além disso, dentre os componentes analisados observou-se o predomínio de Glicanas e Quitinas. Além disso, observa-se que as quantidades desses componentes na parede variam de acordo com o gênero e a espécie. Porém para uma caracterização completa da parede fúngica são necessários mais estudos para identificação de outros componentes da parede.
Micologia: tipos de micoses
- Superficiais: Ficam no pelo ou cabelo (camadas superficiais).
- Cutâneas ou Dermatomicoses: Epiderme mais profunda (pelos, pele e unhas).
- Subcutânea: Derme, tecido cutâneo (traumatismo), nos músculos e na fáscia.
Temos como exemplo a Esporotricose (Sporothrix schenckii. Estão na natureza, solo, vegetais, madeira e espinhos. Transmitida por arranhões, mordidas, de plantas etc. cria granulomas na pele, se propagando em rastro), a Doença de Jorge Lobo (micose de pele causada por Locazia loboi, muito comum em comunidades indígenas, principalmente na região amazônica; gera lesões queloides como uma resposta inflamatória) e a Cromoblastomicose (causada pelo Fonsecaea pedrosoi; lesão colorida, gosta de clima tropical e meio rural, transmitido por traumas de pele, com lesões que são complicadas de tratar (purulenta, com necrose).
- Sistêmica ou Profunda: Órgãos e sistemas internos, com foco primário no pulmão. Tem como principal transmissão a inalação (onde o primeiro foco é o pulmão e o segundo pode causar doença cutânea, óssea ou neurológica). Nosso pulmão é quente, úmido e altamente vascularizado (pode muito facilmente passar para circulação sistêmica) Todas as micoses são mais propícias em pacientes imunodeprimidos (com imunodeficiência ou HIV).
Temos como exemplo a Histoplasmose (por Histoplasma capsulatum. Tem nas fezes de morcego e pombo; demora para se desenvolver e são fagocitados por macrófagos, com sintomas de perda de peso e suor noturno e com um quadro semelhante a gripe; pode levar a uma hepatoesplenomegalia por conta da infecção prolongada), a Criptococose (por Cryotococcus neoformas ou Cryptococcus gatti, nas fezes de pombo, quando infecta alguém pode deixar um esporo que anos depois gera sintomas em imunodeprimidos e geralmente leva a meningoencefalite) e a Paracoccidioidomicose (fungo Paracoccidioides brasiliensisicose, fungo dimórfico presente no solo e levedura no hospedeiro, podendo ser assintomática, sintomática e crônica; causando lesões de pele que podem se confundir com outras doenças cutâneas).
- Oportunistas: A Cândida é uma, que se aproveita de uma variação de imunidade para conseguir crescer (drogas antibacterianas, imunossupressoras, AIDS, irradiação, corticoides etc.). Muito presente em grávidas, porque elas precisam de uma imunossupressão para que o sistema imune não expulse o feto.
Temos como exemplo a Aspergilose (doenças que se localiza nos pulmões, ouvido, SNC e globo ocular; gerando a Aspergilose Alérgica, um tipo de bronquite).
Micologia: conclusão
Assim como outros diversos seres vivos, os fungos são fundamentais para o equilíbrio de ecossistemas. Eles auxiliam no crescimento e saúde das árvores, atuam na decomposição, podem ser usados como biopesticidas, fazem parte do processo de compostagem, atuam como fonte de alimentos e dão origem a outros produtos alimentícios.
Além disso, diversas descobertas científicas foram feitas usando os fungos. Segundo estudiosos, os micélios podem salvar o mundo.
De acordo com a ONU, alguns fungos podem ajudar até mesmo no combate à poluição por plásticos.
AUTORA: Emily S. Silveira
INSTAGRAM: @emyslvr
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.
Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.
Sugestão de leitura
- Micoses de Pele: epidemiologia, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento | Colunistas
- Doenças Infecciosas Virais e Parasitárias: Saiba Tudo!