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Metrorragia: principais etiologias do sangramento uterino anormal

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Tudo que você precisa saber sobre o sangramento uterino (metrorragia) e quando ele deve ser considerado anormal.

A metrorragia consiste em uma condição relativamente comum e pode afetar mulheres em diversas fases da vida reprodutiva. Estima-se que até 25% das mulheres em idade fértil experimentem algum episódio de sangramento uterino anormal ao longo de um ano.

Além disso, pode ocorrer devido a alterações hormonais, troca de métodos contraceptivos, pré-menopausa, inflamação uterina, endometriose ou infecções sexualmente transmissíveis, entre outras causas.

O que é metrorragia?

A metrorragia consiste no sangramento do útero, fora da época apropriada do ciclo menstrual.  A presença de metrorragia em mulheres acima dos 40 anos deve sempre levantar a suspeita de carcinoma de endométrio, demandando o exame sob microscópio de parte do tecido do endométrio.

Contudo, na maioria dos casos, a metrorragia se deve às demais causas, não malignas. Diversos fatores podem contribuir para essa condição, e entender suas causas é essencial para um diagnóstico preciso e tratamento eficaz.

Hiperplasia endometrial

A hiperplasia endometrial representa uma proliferação anormal das glândulas do endométrio, com um acometimento difuso ou focal, e com possibilidade de evoluir para neoplasia maligna. A causa dessa patologia é o estímulo estrogênico persistente ou na ausência de ação progestogênica.

Pode-se classificar a hiperplasia endometrial em duas categorias, com ou sem atipias citológicas. A presença dessas alterações celulares aumentam o risco para o desenvolvimento de câncer de endométrio.

O principal sintoma é o sangramento uterino anormal devido ou crescimento aumentado do endométrio. Outros sintomas como dor abdominal com cólicas e aumento discreto do útero podem estar presentes.

Diagnóstico

O diagnóstico da hiperplasia endometrial é histopatológico, ou seja, precisa de biópsia para sua confirmação e classificação. Existem várias técnicas para a retirada do material uterino como curetagem, escovado ou lavagem endometrial e histeroscopia.

O ultrassom transvaginal deve ser o primeiro exame, pois ele consegue avaliar a espessura do endométrio e com isso, direcionar a investigação mais apropriada.

Tratamento da hiperplasia endometrial

O tratamento da hiperplasia endometrial inclui o uso de progestágenos, pode-se administrá-los por via oral ou através de dispositivos intrauterinos liberadores de levonorgestrel, para equilibrar os níveis hormonais e reduzir o espessamento do endométrio.

Casos mais graves, especialmente aqueles com atipia, podem necessitar de uma histerectomia para prevenir a progressão para câncer endometrial. Acompanhamento regular com biópsias endometriais e ultrassonografias transvaginais é essencial para monitorar a resposta ao tratamento. Além disso, a perda de peso e um estilo de vida saudável podem ajudar a controlar a condição.

Metrorragia no climatério

Segundo a Organização Mundial da Saúde, define-se o climatério como uma fase biológica da vida e não um processo patológico, que compreende a transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher.

Assim, o climatério não é uma doença, e sim uma fase natural da vida da mulher e muitas passam por ela sem queixas ou necessidade de medicamentos. Outras têm sintomas que variam na sua diversidade e intensidade. No entanto, em ambos os casos, é fundamental que haja, nessa fase da vida, um acompanhamento sistemático visando à promoção da saúde, o diagnóstico precoce, o tratamento imediato dos agravos e a prevenção de danos. Qualquer mulher que apresente sangramento uterino anormal deverá ser investigada.

Exames 

O exame pélvico é essencial incluindo exame retal. Baseado em sólidas evidências, o rastreamento em mulheres assintomáticas com ultra-sonografia transvaginal poderá resultar em exames adicionais desnecessários, dolorosos e com riscos de infecção e sangramento.

A maioria dos cânceres endometriais é diagnosticada pelos sintomas referidos, e em alta proporção dos casos, o diagnóstico é feito em estágios precoces, apresentando altos índices de sobrevida. O rastreamento desta neoplasia em população de risco, por meio do uso de diferentes métodos e, não somente um, é a mais adequada maneira de se promover o diagnóstico precoce.

  • Teste da progesterona
  • Ultra-sonografia pélvica transvaginal
  • Biópsia de endométrio
  • Curetagem uterina com dilatação do colo
  • Histeroscopia com biópsia endometrial

Além do desconforto, existe ainda o risco associado de doenças como a anemia e outras com maior potencial de gravidade, como o câncer uterino. Naquelas pacientes que sangram após a menopausa, o risco de câncer endometrial é significativamente elevado.

Neoplasia de endométrio

O câncer de endométrio é um dos tumores ginecológicos mais frequentes. Acomete principalmente mulheres após a menopausa, em geral, acima dos 60 anos. Apenas 20%, ou menos, das mulheres com câncer de endométrio estão na fase de pré-menopausa. Menos de 5% estão abaixo dos 40 anos de idade. O câncer de endométrio é um tumor altamente curável na maioria das mulheres.

O tumor de endométrio pode se originar em uma lesão pré-maligna (hiperplasia atípica) ou se instalar já com características malignas. Além disso, caso não reconheça-se a tempo, o tumor crescerá localmente e, além de infiltrar superficialmente a mucosa do endométrio, poderá penetrar em direção à camada muscular do útero, o miométrio.

Adenocarcinoma é um tipo de câncer que se origina nos tecidos glandulares, formados por células com capacidades de secretar substâncias para o organismo. Esse tipo de tumor maligno pode se desenvolver em diversos órgãos do corpo, incluindo próstata, estômago, intestino, pulmões, mamas, útero ou no pâncreas, por exemplo.

Sinais e sintomas do câncer de endométrio

Cerca de 90% dos pacientes diagnosticados com câncer de endométrio tem sangramento vaginal, como sangramento entre as menstruações ou após a menopausa. Esse sintoma também pode ocorrer em algumas condições não cancerígenas, mas é importante consultar imediatamente um médico sempre que ocorrer qualquer sangramento irregular.

Em cerca de 10% dos casos, o corrimento associado ao câncer de endométrio não tem sangue. Qualquer corrimento anormal deve ser relatado ao seu médico.

Dor pélvica e perda de Peso

Dor na pelve, massa anormal na pelve e perda de peso também podem ser sintomas de câncer de endométrio. Esses sintomas são mais comuns em fases mais avançadas da doença.

Ainda assim, qualquer atraso em procurar ajuda médica pode permitir que a doença progrida ainda mais, diminuindo as chances de sucesso no tratamento.

Diagnóstico 

O diagnóstico do câncer endometrial é feito através de:

  • Ultrassonografia transvaginal: avalia a espessura do endométrio
  • Biópsia endometrial: coleta de tecido endometrial para exame histopatológico
  • Histeroscopia: exame visual do interior do útero com biópsia dirigida
  • Curetagem uterina: procedimento para obter amostras de tecido endometrial.

Tratamento

O tratamento depende do estágio do câncer, da saúde geral da paciente e de suas preferências. A histerectomia é o tratamento primário, frequentemente acompanhada pela remoção dos ovários e trompas de falópio (salpingo-ooforectomia) e linfadenectomia.

Assim, utiliza-se a radioterapia em estágios avançados ou como terapia adjuvante pós-cirurgia. Já a terapia hormonal com progestágenos ou moduladores seletivos dos receptores de estrogênio é utilizada para tumores com receptores hormonais positivos.

Pratique com o caso clínico sobre sangramento uterino anormal!

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Referências bibliográficas

  • Practice bulletin no. 128: Diagnosis of abnormal uterine bleeding in reproductive-aged women. Obstet Gynecol 120 (1):197-206, 2012. doi: 10.1097/AOG.0b013e318262e320

  • Practice bulletin no. 136: Management of abnormal uterine bleeding associated with ovulatory dysfunction. Obstet Gynecol 122 (1):176-185, 2013. doi: 10.1097/01.AOG.0000431815.52679.bb

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