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Melasma e o risco do uso indiscriminado de clareadores | Colunistas

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Manchas na pele são umas das principais causas de consulta
dermatológica por trazer grande prejuízo estético e, consequentemente, à
qualidade de vida dos pacientes.

O melasma é discromia adquirida que decorre da hipertrofia
melanocitica e da disfunção melanogênica. Trata-se de uma desordem da
pigmentação muito comum que acomete de 15 a 35% das mulheres adultas
brasileiras. Prevalece entre a segunda e quartas décadas de vida em pessoas dos
fototipos mais altos, em geral de III a V. Não se sabe ao certo um único fator
causal, mas sabe-se que há influência hormonal, história familiar, porém
sabe-se que o principal fator de risco é a exposição solar. Sabe-se também que
a radiação ultravioleta aumenta a atividade melanogênica e aumenta a capacidade
de transferência de melanossomos na área de pele acometida pelo melasma. Alguns
medicamentos fototóxicos como os anticonvulsivantes e fenotiazinas também podem
ser desencadeantes. Outro fator seria o estresse, que libera ACTH e MSH, o que
ativa melanocortina dos melanócitos e induz melanogênese.

Clinicamente, o melasma se apresenta como lesões acastanhadas a
enegrecidas, simétricas, irregulares e de limites nítidos em áreas
fotoexpostas, especialmente face.

A fisiopatologia ainda não é totalmente clara, mas envolve um padrão
alterado de interação dermo epidérmica com aumento da liberação de citocinas
melanogênicas, além de um componente vascular. Ou seja, melasma pode ser considerada uma doença cutânea crônica,
multifatorial e que requer tratamento contínuo preventivo e terapêutico.

Abordagem do paciente com melasma

O tratamento tem se mostrado desafiador e não se pode dizer que é curativo. A primeira opção terapêutica baseia-se na fotoproteção, camuflagem das lesões e produtos que inibem a síntese de melanina.

Como segunda linha de tratamento, temos os peelings químicos,
microagulhamento com ou sem drug delivery e as novas tecnologias, como os
laseres de picossegundos.

Veremos a seguir os principais clareadores disponíveis no mercado
brasileiro e seu mecanismo de ação.

Clareador Mecanismo de ação
Hidroquinona
2-4% creme
Inibição da tirosinase.
Ácido
azelaico 15% em gel ou 20% em creme
Ação antiproliferativa e citotóxica
seletiva contra melanócitos hiperativos.
Inibição da tirosinase.
Ácido
ascórbico (até 20%)
Quelante do cobre.
Despigmentante.
Tretinoina
de 0,025% a 0,1% em creme
Inibe tirosinase.
Acelera turnover epidérmico, removendo
grânulos de pigmento.
Acido
kójico 1-4%
Inibe a tirosinase.
Corticoides
tópicos:
Ação anti-metabólita nos melanócitos.
Ácido
tranexâmico tópico
Atividade antiplasmina (ação no
componente vascular do melasma).
Alfa
arbutin 1-6%
Inibe tirosinase.
Combinação
tríplice: tretinoina 0,05% + fluocinolona 0,01% + hidroquinona 4%.
Ação combinada dos três agentes.

Fonte: autoria própria

Sobre os riscos do tratamento

Apesar dos clareadores serem a melhor opção para o tratamento dos
distúrbios da pigmentação, a sua prescrição requer algumas considerações.

O uso incorreto, por tempo prolongado ou em quantidades excessivas,
pode levar a complicações de curto e longo prazo, que prejudicam mais a
qualidade de vida do paciente do que a mancha propriamente dita.

Dentre as complicações mais comuns, estão a dermatite de contato
irritativa, a ocronose exógena, atrofia cutânea e hipopigmentação.

É importante o reconhecimento precoce das complicações para uma rápida
ação curativa. Enquanto isso, a educação do paciente sobre o uso de forma
apropriada se torna imperativa. Ainda mais com a possibilidade de compra de
clareadores sem prescrição e, muitas vezes, em concentrações acima do
permitido.

A hidroquinona é um dos clareadores mais potentes e se torna segura e
efetiva se usada corretamente. As complicações são tão mais frequentes quanto
maior a superfície tratada, e com a associação com outros abrasivos, como a
resorcina.

Dentre as principais complicações com hidroquinona, podemos destacar a
ocronose exógena, a repigmentação anormal da pele, a dermatite de contato
irritativa, alérgica e despigmentação pós inflamatória.

A ocronose exógena se manifesta por máculas azul acinzentadas em face,
especialmente regiões malares e bochechas. Diferentemente da ocronose endógena
(alcaptonuria), a exógena não apresenta anormalidades sistêmicas nem urinarias.

A patogênese decorre da inibição do ácido homogentisico, o que eleva a
seu acúmulo na pele e depósito na derme, que pode ser revelado na histologia,
como fibras em formato de “banana” na derme papilar. A condição geralmente
melhora com a interrupção do tratamento, mas pode ser permanente.

Já os corticoides tópicos, muito usados nas combinações tríplices
(fórmula de Kligman), têm efeitos colaterais que dependem da sua potência. Dentre
os principais efeitos adversos estão a atrofia, as estrias, foliculite, acne, hipertricose,
púrpura, hipopigmentação e eritema persistente com telangectasias.

Se usado em grandes áreas, pode até haver absorção sistêmica e,
consequentemente, hiperglicemia, inibição eixo hipotálamo-hipófise-adrenal,
síndrome de Cushing, osteoporose e necrose asséptica do fêmur.

O ácido retinóico é o outro clareador mais usado, sensibilizante e,
por isso, não deve ser exposto ao sol. Existem pessoas com dermatite alérgica
de contato a retinoides, por isso é importante fazer um teste de contato antes
da prescrição de retinoides em maiores concentrações.

Os demais clareadores apresentados são mais seguros e toleráveis.

De qualquer forma, é importante orientar o paciente sobre os riscos
possíveis de cada medicação prescrita e acompanhamento regular no
dermatologista.

Resumo das orientações:

Diante do que foi exposto até agora, consideramos melasma uma doença
crônica que se caracteriza por hiperpigmentação de áreas expostas da pele e que
se constitui um grande problema estético e social para os pacientes que o
possuem.

O tratamento não deve ser intempestivo, a fim de evitar piora da
hipercromia pela pigmentação pós-inflamatória de tratamentos muito agressivos,
como por exemplo, peelings profundos.

Basicamente deve-se orientar o paciente quanto a importância para o
resto da vida de uma fotoproteção contra UVA, UVB, bloqueio físico e com cor. Devemos
estimular o uso de roupas com proteção UV e chapéus que diminuem as áreas do
corpo expostas ao Sol.

Sempre procurar um dermatologista para acompanhamento e melhor indicação do tratamento.

Autoria: Amália Pires

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