O trato respiratório é dividido basicamente em dois compartimentos: o superior e o inferior. O trato respiratório superior é composto por nariz, seios paranasais e faringe, e o inferior é formado pela traqueia, brônquios e pulmões.
Dentre as afecções mais comuns desse sistema, encontram-se as viroses respiratórias. Por se tratar da mesma classe microbiológica, os mais diversos vírus possuem medidas de prevenção semelhantes.
As viroses respiratórias
As infecções virais respiratórias são comumente categorizadas seguindo o contexto da síndrome que o paciente apresenta. Nesse sentido, são reconhecidos sintomas de rinofaringite, síndrome gripal, faringite, sinusite, bronquiolite e pneumonia, não específicos de determinado agente. A rinofaringite, por exemplo, apresenta-se como um quadro mais brando de afecção respiratória superior, sendo que a febre dura não mais que 48 horas e o curso total da doença é de cerca de 7 dias. Em contrapartida, a síndrome gripal evolui com sintomas constitucionais, febre alta persistente, rinorreia, tosse e maior risco de evolução para pneumonia.
Os principais vírus reconhecidos são os coronavírus, adenovírus, rinovírus, influenza e vírus sincicial respiratório.
SARS-CoV-2 x Influenza
O SARS-CoV-2, vírus causador da pandemia iniciada no ano de 2020, é categorizado dentro da família dos coronavírus. Apesar de serem de espécies diferentes, ambos os vírus apresentam semelhanças inerentes à sua microbiologia. Febre, fadiga, congestão nasal, tosse, dispneia e possibilidade de desenvolvimento de pneumonia são sinais e sintomas compatíveis para ambos os agentes.
Entretanto, o novo coronavírus apresenta-se com sintomas mais intensos e que podem evoluir rapidamente para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
Medidas de prevenção
Somando-se a outrascompatibilidadesdas diversas classes virais, as medidas de prevenção também são equivalentes. O principal hábito a ser reiterado é a higienização das mãos com água e sabão sempre que possível. A combinação destas duas substâncias elimina partículas e sujidades não visíveis a olho nu.
A lavagem das mãos pode ser substituída por uso de álcool 70%. Outra medida comportamental de suma importância é a etiqueta respiratória, de modo que se evite espirrar e tossir em público sem oclusão do nariz e/ou boca, próximo a alimentos e bebidas ou próximo a pessoas passíveis de serem contaminadas. Indivíduos sintomáticos devem preconizar o isolamento social, além de não compartilhar objetos de uso pessoal com outrem.
No que diz respeito ao SARS-Cov-2, é necessária também a adesão ao uso correto da máscara, de modo que o nariz e a boca sejam completamente cobertos, sem possibilidade de vazão de ar. Além disso, a máscara não deve ser tocada na região exterior, pois se encontra presumivelmente contaminada pelo ambiente e pelo contato com indivíduos sintomáticos.
De forma semelhante,não é recomendado o toque em qualquer parte da face após contato com superfícies possivelmente contaminadas. É recomendado o uso de máscaras cirúrgicas, N95 ou PFF2, que devem ser armazenadas em saco de papel, já que se forem acondicionadas em plástico há maior chance de permanência da umidade e contaminação das mesmas.
Para mais, outra atitude de grande repercussão é a educação das crianças com instrução de todas as medidas supracitadas.
Conclusão
Intervenções simples e econômicas são as mais eficazes como medidas de prevenção de contaminação e disseminação dos vírus. A habituação a essas medidas reduz a chance de aumento do número de casos de infecção por influenza e de emergir nova pandemia. Ou seja, as medidas adotadas atualmente contra o novo coronavírus também são eficientes no controle da gripe.
A dificuldade inerente às medidas de prevenção concerne à adesão da comunidade, de modo a não subestimar a responsabilidade individual no controle das viroses respiratórias.
Autora: Maria Izabel de Azevedo Ferreira.
Instagram: @azevmabel
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.
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Referências
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