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Médicos x Exercícios físicos: os médicos seguem as orientações prescritas? | Colunistas

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Com os avanços tecnológicos em todos as áreas do
conhecimento, a vida do ser humano se tornou mais cômoda e confortável. Com
essa comodidade, não precisamos nos movimentar tanto para cumprir com nossas
tarefas de subsistência e, por vezes, nem ao menos precisamos sair de casa ou
nos levantar, um simples clique resolve tudo. Entretanto, toda essa facilidade
que poupou muito do nosso tempo também trouxe consigo alguns efeitos
colaterais. Hodiernamente, as pessoas têm tomado menos sol e muitas não
praticam nenhum exercício físico. A população em geral está cada vez mais
sedentária, e a população de médicos não está livre dessa realidade.

                A
importância da atividade física para a saúde é um consenso na medicina atual.
Muitos trabalhos afirmam que a prática frequente de exercícios físicos fortalece
o sistema imunológico e o músculo cardíaco, auxilia na liberação de hormônios,
traz maior resistência óssea, muscular e articular, além de auxiliar na
manutenção do peso e na sensação de bem-estar.

                Nós
vamos ao médico quando sentimos que há algo errado com nosso corpo ou nossa
mente, quando algo “de errado” já aconteceu conosco, e esperamos do médico uma
solução para esse problema, um remédio. Ademais, recebemos aconselhamento sobre
como manter nosso corpo e mente saudáveis após a melhora do problema. Dentre
essas orientações, as mais comuns são:

  1. Procure ter uma alimentação saudável;
  2. Beba mais água;
  3. Faça atividade física regularmente.

                No
entanto, esses médicos seguem suas próprias orientações? Ou será que é como diz
o velho ditado “casa de pedreiro, espeto de pau”?

                Para
encontrar uma resposta, montei um questionário com quatro perguntas e
entrevistei 141 estudantes de medicina. Afinal, o estilo de vida que os médicos
têm é reflexo do que viveram em seus anos de preparação.

                Outrossim,
fiquei curiosa para saber se a própria faculdade de medicina e o conhecimento
acerca da importância do exercício físico estimula ou desestimula os alunos a
seguirem tal prática. Lembrando que, para ser considerado como atividade
física, o exercício deve ter, no mínimo, 150 minutos por semana.

                Dos
141 alunos entrevistados, 70,9% fazia atividade física antes de entrar na
faculdade e 29,1% não fazia. Atualmente, 33,3% dos alunos faz atividade física
3 ou mais vezes por semana e 22% faz 2 vezes na semana, enquanto 44,7% não faz
atividade física o suficiente (150 minutos semanais) para não serem
considerados sedentários.

                A
partir desse dado, percebe-se uma queda de 70,9% que seguiam essa prática, para
apenas 55,3% do total de alunos. Então, pode-se entender que a faculdade pode
desestimular a prática de exercícios físicos. Isso ocorre devido a alta carga
horária a que os estudantes de medicina são submetidos, além de matérias com
conteúdos densos que necessitam horas de estudos além das horas de aula.

                No
entanto, 30,5% dos alunos disseram fazer esportes pela atlética de medicina da
faculdade. Dessa forma, apesar dos desestímulos da faculdade, ainda há uma
tentativa da mesma em incentivar a prática de exercícios físicos pelos alunos.

                A
última pergunta que fiz foi se havia intenção dos estudantes em fazerem
atividade física após o término da faculdade. Dos 141 alunos, 78,7% afirmou ter
certeza de que adotará essa prática saudável, 20,6% não tem certeza se fará
exercícios físicos, e 0,7% afirmou que não pretende fazer atividades físicas.

                Tendo
essas respostas em consideração, entende-se que o maior fator que desestimula
tais estudantes a praticarem exercício físico é o estudo em si. Aqueles que não
afirmaram certeza, acredito que seja porque eles não sabem se terão tempo para
tal.

                Minha
conclusão após essa rápida e simples pesquisa foi que muitos estudantes de
medicina estão mais preocupados com o conhecimento, dando a isso maior tempo e
dedicação, do que com a própria saúde física, dando a isso uma menor
importância, tempo e dedicação.

                Em
reflexo disso e sabendo que a medicina está sempre em evolução e que a carga de
trabalho do médico costuma ser alta, muitos deles veem seu tempo se esgotar com
as horas de estudo e trabalho. Somando-se às horas com a família, para aqueles
que têm filhos, sobra pouco ou nenhum tempo para o cuidado físico. Todavia, não
tenho números que apontem a veracidade dessa hipótese.

                A
única coisa que posso concluir com plena certeza é que desejo que meus colegas
estudantes se esforcem para manter uma prática semanal de 150 minutos de
atividade física por semana, para que, no futuro, isso seja algo natural e
fácil de se encaixar em sua rotina.

                Para
aqueles que estudam medicina, sugiro que iniciem uma campanha de incentivo à
prática de atividade física. Incentivem seus colegas dizendo que o exercício
físico ajuda no descanso da mente, num melhor rendimento escolar, e que 30
minutos diários são muito fáceis de se encaixar no dia a dia.

                Apesar de já sabermos disso, um incentivo sempre traz algum resultado. Talvez assim os médicos sigam as próprias orientações prescritas.


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