1.
O que são gerações e como elas se dividem?
Sociologicamente, uma geração pode
ser definida, por um grupo de pessoas que compartilham um determinado período
de nascimento (décadas estabelecidas, em geral) e, consequentemente, têm em
comum uma série de vivências socioculturais e etapas cruciais para o
desenvolvimento desse conjunto social.
Este conceito foi relatado por
Kupperschmidt, em 2000. Além disso, Chiuzi e outros pesquisadores, em 2011,
apontaram para a necessidade de considerar que as diferentes gerações também
são produtos de múltiplos eventos históricos e, dessa maneira, tornam-se, em
parte, um fenômeno social. Assim, há sempre uma linha tênue entre conceitos
multifatoriais e práticas geracionais, que influem em diversos âmbitos,
inclusive no rendimento profissional.
Nesse contexto, têm sido estudadas
e bem estabelecidas três gerações atuantes no mercado de trabalho: Baby Boomers
(1940 – 1960), nascidos no contexto pós II Guerra Mundial, educados com muita
disciplina e rigidez; Geração X (1960 – 1980), marcada por uma era de movimentos
radicais e revolucionários; Geração Y (1980 – 2000), inserida em uma era de
revolução tecnológica e, no Brasil, uma economia instável e volátil. Uma
característica essencial desta geração é o acesso irrestrito à internet e aos
diferentes tipos de telas. Dessa forma, esse período transicional é marcado
pela ultra velocidade de acontecimentos de eventos e os impactos sociais dos
rápidos avanços tecnológicos, bem como suas contradições.
2.
Geração Y ou Millennials: construção e
características
A geração Y, também conhecida como
os “Millennials”, teve seu início em uma época de importantes evoluções
tecnológicas associadas ao processo de globalização. Na literatura, tem-se como
principal base os nascimentos entre 1965 e 1977. É marcada pelo acesso irrestrito
às redes de comunicação social, com predomínio da facilidade e instantaneidade
na busca por contato e informação.
Essa é uma característica que os
diferencia bastante quando comparada às gerações anteriores com as quais
dividem o mercado de trabalho que foram marcadas por uma necessidade de
persistência e paciência no que tange ao acesso à informação.
Uma ilustração disso são as
plataformas que disponibilizam uma gama de artigos científicos, a exemplo da
Scielo e da PubMed, que marcam a facilidade de obtê-los em questão de segundos,
o que é muito contrastante em relação à geração X, por exemplo.
Como foi definido inicialmente, os
aspectos socioculturais e a construção social das gerações refletem seus
valores e práticas, inclusive as profissionais. Assim, tem-se apontado como
características importantes dos Millennials a individualidade, a facilidade em
lidar com o manejo de tecnologias e a preferência por flexibilidade. Nos
cenários de trabalho, é fundamental identificar esses fatores e gerir de
maneira adequada o choque de gerações, preservando uma hierarquia.
3.
Convivência multigeracional e a Medicina
Desde o meio acadêmico, é notório o
contraste geracional presente no contexto médico. O conhecimento tecnológico na
ponta dos dedos da geração Y e a sobriedade e valorização do clássico pela
geração X que, em geral, representa os profissionais responsáveis pela educação
médica.
A troca de saberes e a necessidade
de adaptação de ambos, se bem utilizada, resulta em um meio harmonioso e
compartilhado. É necessário entender a dinâmica das gerações, respeitar e saber
lidar com suas diferenças. Concomitantemente, a Medicina tem avançado junto a
essa Revolução Tecnológica e é fundamental conciliar os saberes tradicionais e
estes avanços.
4.
Millennials e a Medicina: Perspectivas Futuras
Tem-se falado muito sobre a
necessidade de adaptar-se às evoluções e dinâmicas envolvidas nas relações
entre os grupos sociais e a mistura entre as diferentes gerações. Não se pode
esquecer o clássico, afinal, a Medicina é a arte do cuidado e do toque.
Tem-se avançado em exames
complementares, técnicas de diagnóstico e testes moleculares. A Tecnologia em
Saúde tem contribuído substancialmente para melhorias. Cabe à geração Y
investir esforços nos avanços, consolidar bases e jamais perder a essência das
Ciências Médicas. Cada vez mais a Medicina tem avançado para a personalização,
a denominada “Medicina Personalizada”, e esta característica é fundamental para
a progressão da eficiência.