Anúncio

Uma reflexão sobre a medicina preventiva

medicina-preventiva_-uma-especialidade-voltada-a-prevenção-e-ao-cuidado-Leonardo Cardoso

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

Ser médico… Um desejo permeado por inúmeros objetivos para aqueles que optam por esse caminho. Para alguns representa o status social, o aumento das reservas financeiras, a chance de ser reconhecido. Para outros é a forma encontrada de ajudar o próximo, de mudar um pouquinho o mundo, de cumprir, de certa forma, um chamado que ultrapassa uma simples vontade. 

Hipócrates, pai da medicina, disse em certa ocasião que deveríamos “curar quando possível, aliviar quando necessário e consolar sempre”. Em sua visão sempre há algo que podemos fazer por nossos pacientes. Mas, será que esse é sempre o caminho a ser percorrido? Será que precisamos intervir na história de nossos pacientes apenas quando eles ficam doentes? Ou será que há algo que podemos fazer antes desse processo? É justamente sobre isso que quero conversar com você hoje.

Contexto sobre o surgimento da medicina preventiva

Por muito tempo acreditou-se que saúde era apenas a ausência de um processo patológico. Ou seja, se o indivíduo não apresentasse uma dor, queixa ou mal-estar, era considerado saudável e, portanto, alguém com saúde.

No entanto, tal visão não expressa, de fato, a realidade. Prova disso é que quando recorremos à Organização Mundial da Saúde (OMS), vemos que sua definição para saúde vai muito além da ausência de doenças, englobando “um estado de completo bem-estar físico, mental e social”.

Mas, se saúde é tudo isso, como conseguir alcançar a plenitude dessa definição quando levamos em conta que passamos seis anos na graduação aprendendo a manejar doenças e quadros descompensados? É com o intuito de resolver essa problemática (se não no todo, pelo menos em parte) que surgiu a medicina preventiva.

A medicina preventiva é uma especialidade médica cujo objetivo principal é a atuação antes do estabelecimento de uma doença, conseguindo, com isso, reduzir o impacto que as enfermidades trazem para a vida do indivíduo, além de possibilitar uma melhora da qualidade de vida dos pacientes que estejam em tratamento para outras causas. Ou seja, a medicina preventiva é a especialidade que lança mão de intervenções no presente visando reduzir riscos que são projetados no aparecimento ou piora de doenças no futuro. 

Profissional de medicina preventiva

Para isso, o médico que é especialista em medicina preventiva tem a prerrogativa de atuar em todos os níveis de atenção à saúde. Além de prevenir doenças, sua função é de também reduzir o impacto que patologias já instaladas possam causar no cotidiano dos pacientes, tendo como meta a melhoria da qualidade de vida desses. 

Ganhando força a partir dos anos 1980, inicialmente nos Estados Unidos, a medicina preventiva surgiu dada a preocupação com os altos gastos do sistema de saúde americano. Estudos já comprovaram que a cada 1 dólar investido na Atenção Primária à Saúde (APS), que é a porta de entrada (ou pelo menos deveria ser) para os demais níveis de atenção à saúde, 4 dólares são economizados no futuro. Economia essa que pode ser vista tanto no sistema público quanto no sistema privado. Isso mostra a importância de voltarmos nossos olhos e investimentos para a prevenção e promoção da saúde. Para tanto faz-se necessário o conhecimento do funcionamento do processo saúde-doença e a compreensão da importância do diagnóstico precoce (sem, no entanto, submeter o paciente a intervenções desnecessárias nesse caminho).

Quatro níveis de prevenção

Um pilar importante dentro da medicina preventiva é a educação em saúde, visto que é preciso que o médico invista tempo para orientar o paciente sobre suas atividades, seus hábitos de vida e sobre o estilo que adota em seu cotidiano, para que dessa forma seja possível a intervenção em um dos quatro níveis de prevenção:

  • Primário: busca pela prevenção da doença, ou seja, atuação antes da doença de fato ocorrer;
  • Secundário: busca de um diagnóstico precoce para que se possa tratar a doença ainda em estágio inicial, ou seja, atuação logo após a doença ter se instalado;
  • Terciário: busca pela redução de sintomas e complicações que a doença possa ocasionar, ou seja, atuação ao longo do curso da doença visando reduzir seu impacto na qualidade de vida do indivíduo;
  • Quaternário: busca pela não realização de procedimentos desnecessários, ou seja, após a doença atingir um nível em que a cura não é mais possível, busca-se a atuação para que sejam evitados que tratamentos, ações e procedimentos que não ajudarão na manutenção do bem-estar do paciente. 

Diante de tudo o que conversamos até agora é possível ver a importância da medicina preventiva. Contudo, podemos ir além ao expandirmos nossa visão e notarmos que com o tempo os pacientes acabaram se tornando apenas órgãos e que a medicina passou a ser submetida de forma exclusiva à economia de mercado. Isso é visualizado através de Arouca que fala que ela passou a privilegiar a doença e a morte em detrimento da saúde e da vida.

No livro “Cartas a um jovem médico”, Adib Jatene diz que o médico precisa ser especialista em gente. Isso não significa que devemos abrir mão da técnica e do conhecimento. Esses são de extrema importância e é por causa deles que conseguimos exercer nossa profissão e assim cuidar do próximo. A questão é que precisamos ir além e lembrarmos que estamos cuidado de outro ser humano. Ser humano esse que possui uma história, uma família, sonhos, anseios, medos, angústias, uma vida… 

Em “O mestre da sensibilidade”, Augusto Cury ao se referir a Jesus diz que “nunca alguém tão grande se fez tão pequeno para tornar os pequenos grandes”. Ao longo desses quase 5 anos convivendo diariamente com a medicina acredito que esse deva ser nosso pensamento a cada dia. Diante de todo nosso conhecimento, técnica e currículo é preciso que nós nos façamos pequenos para que tornemos nossos pacientes grandes. 

E, nesse ponto, a medicina preventiva enquanto especialidade vem auxiliar ao trazer para o centro do atendimento o paciente como um todo e as variáveis que o compõem, como família, o ambiente em que vive e o estilo de vida que adota. Olhemos, então, com mais carinho para essa especialidade e abramos nossos ouvidos para o que ela tem a nos dizer. Assim como esse período que vivemos trouxe a telemedicina como uma ferramenta que veio para ficar, a medicina preventiva vem ganhando força e pode ser considerada uma das especialidades médicas do futuro. Mas, isso é assunto para uma próxima conversa. 

Autor: Leonardo Cardoso

Instagram: @notfakeleonardo

Referências:


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

Não vá embora ainda!

Temos conteúdos 100% gratuitos para você!

🎁 Minicursos com certificado + e-books

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀