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Medicamento da Pfizer como alternativa para a COVID-19 | Colunistas

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Introdução

Quem acha que a relação entre a farmacêutica Pfizer e a COVID-19 só se resume em vacina, está muito enganado. No dia 28 de julho de 2021, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) recebeu da Pfizer a solicitação de autorização para o uso emergencial do medicamento XELJANZ® (citrato de tofacitinibe) para o tratamento da COVID-19. 

Sobre o fármaco

Trata-se de um imunossupressor, administrado oralmente, com apresentação de 5mg, indicado para artrite reumatoide, artrite psoriásica e colite ulcerativa. Seu mecanismo se resume em inibir seletivamente as quinases Janus (JAK) – JAK1, JAK2 e JAK3 e, em grau menor, o TyK2. As JAK estão associadas aos os receptores de citocina do tipo I e tipo II. Desse modo, com as citocinas do processo inflamatório se ligando a esses receptores, as quinases Janus fosforilam resíduos de tirosina. Isso impactará a proteína STAT, localizada em meio intracelular, fazendo-a se aproximar da região fosforilada para ser ativada e, consequentemente, no núcleo celular, ela induzirá os genes específicos para os efeitos daquela citocina que se ligou aos receptores do tipo I e tipo II. Esse processo caracteriza a via JAK-STAT. O tofacitinibe bloqueia essa via, por isso, impede a sinalização de citocinas como IL-2, -4, -7, -9, -15 e -21, as quais têm papeis importante na ativação, proliferação e função dos linfócitos. 

A farmacocinética do XELJANZ® revela uma absorção rápida, com pico plasmático de 0,5-1 hora, biodisponibilidade oral de 74%, metabolização primariamente pela CYP3A4 com contribuição secundária da CYP2C19 e com eliminação hepática (70%) e renal (30%). 

Mecanismo de ação

Relação entre o fármaco e a COVID-19

O citrato de tofacitinibe pode compor o grupo de fármacos já liberados em caráter emergencial pela ANVISA para o tratamento da COVID-19. Até o momento, já fazem parte o Rendesivir, Casirivimabe e imdevimabe, Benlanivimabe, Sotrovimabe, Regkirona e Baricitinibe. Este último, a saber, faz parte dos inibidores da JAK.  

Um estudo duplo-cego brasileiro, inclusive financiado pela própria Pfizer, publicado em julho deste ano no New England Journal Of Medicine, comparou os efeitos do tofacitinibe com os do placebo em pacientes com pneumonia pela COVID-19. A amostra foi composta por 289 pacientes, de 15 locais diferentes, maiores de 18 anos e com diagnóstico confirmado de infecção por SARS-COV-2. O estudo avaliou dois desfechos em 28 dias de tratamento, o primeiro se referia a quantidade de morte ou a insuficiência respiratória, já o segundo considerou a incidência cumulativa de óbito. Realizou-se um processo de randomização e 144 pacientes foram selecionados para receber a medicação. Os resultados do desfecho primário revelaram que 18,1% dos pacientes medicados morreram ou apresentaram insuficiência respiratória, em contrapartida, esse valor foi de 29% no grupo placebo. Sobre o desfecho secundário, notou-se 2,8% de óbitos no grupo do tofacitinibe e 5,5% no placebo. Vale dizer que ambos os grupos também receberam tratamentos concomitantes conforme os protocolos locais.  O estudo concluiu que o uso do tofacitinibe reduziu a mortalidade hospitalar ou a insuficiência respiratória em até 28 dias. 

Uma revisão sistemática com metanálise publicada em maio deste ano pela Clinical Epidemiology and Global Health revelou uma significativa associação entre os inibidores da JAK, isto é, outros fármacos além do tofacitinibe, e o risco de mortalidade de pacientes com a COVID-19, indicando menor mortalidade dos participantes que utilizaram esses imunossupressores. Outra revisão sistemática com metanálise publicada em julho de 2021 pela International Immunopharmacology também corrobora com o estudo brasileiro concluindo que os inibidores das JAK promovem um melhor resultado clínico de pacientes hospitalizados. Além disso, esse artigo afirma que tais fármacos são seguros para o tratamento da infecção do SARS-COV-2. Nesse estudo é exposto que a taxa de mortalidade por qualquer causa entre os pacientes que receberam esses fármacos foi de 4,1% e a taxa de recuperação clínica foi de 85,1%.

E a Pfizer não para por aqui, ela iniciou um estudo clínico (NCT04960202) para avaliar a eficácia do composto PF-07321332 (um antiviral, inibidor de proteases) na prevenção da infecção e dos sintomas causados pelo SARS-COV-2. O projeto, inclusive, adicionou sete estados brasileiros à pesquisa e o seu término está previsto para 8 de abril de 2022.  

Conclusão

Por fim, percebe-se um benefício do uso dos inibidores da JAK em pacientes hospitalizados com a COVID-19. Inclusive a ANVISA já aprovou, em caráter emergencial, uma medicação dessa classe farmacológica, o Baricitinibe, da farmacêutica Eli Lilly. Agora, a Pfizer deseja incluir o citrato de tofacitinibe como mais uma opção ao tratamento e, ainda, já prepara outro fármaco para o combate da infecção do SARS-COV-2. Pois é, no cenário da COVID-19, nem só de vacina vive a Pfizer, mas de todo arsenal terapêutico possível.    

Autor: Edy Alyson Costa Ribeiro

Instagram: @e.alysonribeiro


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

ABBAS, Abul K. et al. Imunologia Celular e Molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015.

CHEN, Ching-Yi et al. Clinical efficacy and safety of Janus kinase inhibitors for COVID-19: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. International Immunopharmacology, [S.L.], v. 99, p. 108027-108036, out. 2021. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.intimp.2021.108027.

GUIMARÃES, Patrícia O. et al. Tofacitinib in Patients Hospitalized with Covid-19 Pneumonia. New England Journal Of Medicine, [S.L.], v. 385, n. 5, p. 406-415, 29 jul. 2021. Massachusetts Medical Society. http://dx.doi.org/10.1056/nejmoa2101643.

WIJAYA, Indra et al. The use of Janus Kinase inhibitors in hospitalized patients with COVID-19: systematic review and meta-analysis. Clinical Epidemiology And Global Health, [S.L.], v. 11, p. 100755-100763, jul. 2021. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.cegh.2021.100755..

XELJANZ®. Responsável técnico Liliana R. S. Bersan. São Paulo: Pfizer, 2014. Bula de Remédio (Profissionais da saúde).

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