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Marcadores de Necrose Miocárdica (MNM): Entenda tudo!

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Confira um artigo completo que falamos sobre os Marcadores de Necrose Miocárdica para esclarecer todas as suas dúvidas. Ao final, confira alguns materiais educativos para complementar ainda mais os seus estudos.

Boa leitura!

Marcadores de Necrose Miocárdica: o que ocorre com as células?

A lesão cardíaca pode ser definida como a ruptura da membrana celular dos miócitos cardíacos, com consequente liberação para o espaço extracelular de enzimas presentes no citoplasma e proteínas estruturais, como troponina, creatinoquinase, mioglobina e lactato desidrogenase, que são conhecidas como biomarcadores.

Quando um número importante de miócitos morrem, seja por necrose, apoptose ou outro mecanismo, esses biomarcadores podem ser detectados no sangue, sendo possível fazer o diagnóstico de lesão miocárdica.

A cinética desses marcadores depende de diversos fatores: o compartimento intracelular das proteínas, o tamanho das moléculas, o fluxo regional linfático e sanguíneo, e a taxa de depuração do marcador. Esses fatores, em conjunto com as características de cada marcador, é o que diferencia o desempenho diagnóstico de cada um desses biomarcadores no diagnóstico das doenças.

A lesão cardíaca pode ser aguda ou crônica e geralmente é considerada irreversível, já que estamos falando de morte celular. A principal causa de lesão cardíaca é a isquemia, resultante de um desiquilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio, presente, por exemplo, nos casos de infarto agudo do miocárdio (IAM). Porém, existem outras causas de lesão cardíaca como os traumas, toxinas, infecção viral entre outros.

Imagem: Após uma lesão cardíaca (por ex., Infarto agudo do miocárdio – IAM), os miócitos sofrem necrose e rompimentos na membrana celular com liberação de proteínas, tais como troponinas e CK-MB, para a circulação sanguínea. Essas moléculas podem ser usadas como biomarcadores para o diagnóstico de algumas doenças como por exemplo o IAM. Fonte: Robbins, 2010.

Em quais patologias utilizar os Marcadores de Necrose Miocárdica?

Os biomarcadores ou marcadores de necrose miocárdica (MNM) são utilizados principalmente no contexto de Síndrome Coronariana Aguda (SCA), com destaque para Infarto agudo do miocárdio (IAM).

Em pacientes que se apresentam com quadro sugestivo de SCA, nos quais o diagnóstico de infarto do miocárdio não está estabelecido, os marcadores bioquímicos são úteis para confirmar o diagnóstico de infarto.

Além disso, os mesmos fornecem importantes informações prognósticas, na medida em que existe uma direta associação entre a elevação dos marcadores séricos e o risco de eventos cardíacos em curto e médio prazo. Porém, além dessa indicação mais comum, esses biomarcadores podem ser usados em outras patologias tais como insuficiência cardíaca, tromboembolismo pulmonar (TEP), miocardites e trauma.

A miocardite aguda é um importante diagnóstico diferencial do IAM, pois pode ter apresentação clínica semelhante, como também elevação dos marcadores de necrose miocárdica, porém, diferente do infarto, na miocardite as artérias coronárias estarão normais.

Nos casos de TEP com sobrecarga cardíaca direita aguda e insuficiência cardíaca, pode haver um padrão crescente ou decrescente de troponinas, porém a elevação tende a ser mais modesta e desaparecer em 40h, diferente da elevação mais prolongada com lesão aguda do miocárdio. Também pode ocorrer liberação de troponina induzida por trauma, como ocorre durante a ressuscitação cardiopulmonar, cardioversão elétrica ou disparo do desfibrilador implantável por cardioversor, indicando lesão miocárdica.

SE LIGA! É importante reconhecer que as troponinas são medidas bioquímicas de necrose miocárdica, mas o diagnóstico de SCA é clínico. Os marcadores não devem ser utilizados com a finalidade diagnóstica em pacientes com SCA com ECG mostrando supra de ST e não se deve aguardar seus resultados para iniciar o tratamento dos pacientes. Seu maior valor em pacientes com SCA com supra de ST é prognóstico.

Quais são os marcadores mais importantes?

Existem vários marcadores de necrose miocárdica, com diferentes sensibilidades e especificidades, e diferentes cinéticas bioquímicas, porém os mais utilizados na prática clínica são a isoenzima MB da creatinoquinase (CK-MB) e as troponinas, principalmente a troponina T e a I, por terem maior sensibilidade e especificidade no diagnóstico de lesão miocárdica. Falaremos mais detalhadamente de cada uma ao longo do texto.

A mioglobina também é um biomarcador, porém é indicada em casos selecionados, e o uso da CK total não é recomendo, mas pode ser dosado na ausência de métodos melhores.

VOCÊ SABIA? A mioglobina é uma hemoproteína encontrada no citoplasma de todos os miócitos (fibras musculares) que se eleva rapidamente (1 a 2h) após qualquer lesão muscular. Porém, ela não é cardioespecífica e, portanto, não é utilizada para o diagnóstico de IAM, porém, por ser altamente sensível para qualquer tipo de lesão muscular, ela possui elevado valor preditivo negativo. Para pacientes que chegam precocemente à emergência (antes de 6 horas do início dos sintomas), a mioglobina pode ser considerada para excluir a hipótese de infarto em adição a um marcador mais tardio (CK-MB ou troponina).

Creatioquinases

A creatinoquinase (CK), também conhecida como creatinofosfoquinase (CPK), é uma enzima presente em todos os tipos de músculo. Sua principal função é a fosforilação de forma reversível da creatina às custas da transferência do grupo fosfato do ATP, resultando na formação de fosfocreatina e ADP.

A fosfocreatina é uma maneira do músculo guardar energia e é produzida nos períodos de repouso e, durante a atividade muscular, a reação processa-se no sentido inverso, na síntese de ATP para que este possa ser utilizado pelo músculo. A CK consiste de um dímero composto de duas subunidades (B e M) que são separadas em três isoenzimas: CK-MM, CK-BB e CK-MB.

O exame que mede todas as isoformas sem discriminá-las é a CK-total. A CK-MM é encontrada predominantemente nos músculos esquelético e cardíaco; a CK-BB está presente no cérebro, pulmão e muitos outros tecidos; e a CK-MB, se encontra principalmente no músculo cardíaco, com quantidades menores também sendo encontradas no músculo esquelético. Desta forma, a CK-MB é a mais sensível para lesão cardíaca, sendo também a isoenzima mais utilizada no diagnóstico de infarto.

Imagem: Fosforilação da creatina. Fonte: https://www.ufrgs.br/lacvet/restrito/pdf/joana_fun_ao_muscular.pdf

Apesar de ser usada amplamente na prática, a CK-MB é um marcador que possui muitas limitações. Como vimos, a CK-MB também pode ser liberada por lesão no músculo esquelético, e, portanto, nem todo aumento de marcador indicará lesão miocárdica.

Para identificar se o aumento da CK-MB é de origem cardíaca ou esquelética, foi sugerida a utilização da proporção de CK-MB para CK total (CKMB/CK). Se essa proporção for > 6% sugere fortemente origem cardíaca, de modo contrário, valores elevados de CK-MB com uma proporção de CK-MB/CK < 6% sugere lesão musculoesquelética.

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