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Mamografia e ecografia mamária: aplicabilidade na prática médica | Colunistas

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O câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais frequente entre as mulheres no Brasil e no mundo, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Mesmo diante dos avanços tecnológicos e grandes esforços da comunidade científica, as estatísticas indicam aumento da incidência de câncer de mama em países desenvolvidos e principalmente nos países em desenvolvimento, como o Brasil.

Os exames de imagem, como mamografia e ecografia mamária, despontaram como ferramentas diagnósticas capazes de auxiliar na detecção precoce do câncer de mama em mulheres assintomáticas e hoje são amplamente utilizados na prática clínica como métodos de rastreamento.

Entendendo melhor cada exame

Mamografia

A mamografia é o único exame de rastreio para o câncer de mama com capacidade de reduzir a mortalidade, comprovada por meio de estudos científicos, isto porque é capaz de detectar o tumor em sua fase pré-clínica, ou seja, quando ele ainda não é palpável ao exame físico.

Recentemente, um estudo sueco publicado na revista Cancer por Tabar e Cols corroborou ainda mais esse dado e mostrou que mulheres que realizam mamografia morrem menos quando comparadas àquelas que não fazem o exame de rotina. Segundo o estudo, a redução de mortalidade por câncer de mama chegou a 60% em 10 anos e 47% em 20 anos nas mulheres diagnosticadas com a doença e que realizavam o exame periodicamente.

Em que consiste a mamografia?

A mamografia é um método radiológico convencional, realizado por um equipamento de raios X chamado mamógrafo, que produz feixes monoelétricos de baixa energia com a capacidade de gerar imagem de elevado contraste e resolução, proporcionando a diferença de densidades entre as estruturas teciduais avaliadas. Com isso, fica mais fácil distinguir anormalidades de estruturas anatômicas normais.

Basicamente o exame tem duas aplicabilidades na prática: mamografia de rastreamento e mamografia diagnóstica. A mamografia de rastreio é utilizada em mulheres assintomáticas como forma de identificar sinais radiológicos sugestivos de câncer de mama antes deles apresentarem-se clinicamente. Já a mamografia diagnóstica é utilizada em pacientes com queixas mamárias como forma de avaliar a mama, definir diagnóstico e direcionar conduta.

Como interpretar as imagens?

As incidências padrão mais utilizadas são a mediolateral obliqua (MLO), demonstrando as porções superior e inferior da mama, e a craniocaudal (CC), demonstrando as porções anterior, central e medial da mama. Incidências adicionais podem ser necessárias em casos específicos ou achados duvidosos.

Para uma boa análise da mamografia, você deve ter em mente que a aparência radiológica da mama normal depende da distribuição dos seus principais componentes: o tecido adiposo aparece radiotransparente, enquanto o estroma e a glândula aparecem radiopacos (figuras 1A e 1B).

A interpretação do exame envolve uma busca sistemática por sinais específicos suspeitos e pela incorporação de algoritmos de pesquisa criteriosos. Para isso, foi criada a classificação BI-RADS. Contudo, isto será tema para os próximos capítulos.

Figura 1. A – Representação das densidades mamográficas.
Fonte: Urban, LABD; Chala, LF; Mello, GGN et al. Mamografia. In: Mama. 1.ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. p. 39.
Figura 1. B – Componentes mamários na avaliação mamográfica.
Fonte: Urban, LABD; Chala, LF; Mello, GGN et al. Mamografia. In: Mama. 1.ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. p. 39.

Rastreamento mamográfico

A recomendação do Colégio Brasileiro de Radiologia (CBR), da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) é a realização de mamografia de rastreio anual para mulheres entre 40 e 74 anos com risco populacional usual.

Nas mulheres acima de 75 anos, a triagem anual deve ser recomendada naquelas pacientes com expectativa de vida > 7 anos. Por questões de custo, o Ministério da Saúde recomenda a realização da mamografia de rastreio bienal nas mulheres entre 50 e 59 anos.

Em geral, sua sensibilidade varia de 80 a 90%, com uma especificidade de 50 a 70%, principalmente nas pacientes com idade > 50 anos. Nas mulheres com mamas lipossubstituídas, a especificidade pode chegar a 98%. (FIGURA 2) Suas principais limitações são os falsos-positivos, os tumores perdidos ou falsos-negativos, o overdiagnosis e overtreatment e a exposição à radiação.

Ecografia mamária

A ecografia mamária não tem um papel bem estabelecido em rastreamento primário do câncer de mama e redução de mortalidade pela doença. Entretanto, sua indicação no rastreamento secundário (realizado após a mamografia, como método auxiliar) já está bem definida, assim como sua utilização no estadiamento pré-operatório da mama e axila, avaliação de mamas masculinas e como método de escolha para guiar procedimentos intervencionistas.

Acurácia do exame

A maioria dos exames de ecografia mamária são indicados para fins diagnósticos, realizados para avaliar uma lesão palpável ou alguma alteração visualizada na mamografia. Apresenta maior sensibilidade do que a mamografia naquelas pacientes com mamas densas. Nestes casos, a associação da ecografia com a mamografia pode aumentar a acurácia diagnóstica em mais de 7%. Nas lesões palpáveis, a especificidade do exame chega a 97%.

Vantagens e limitações

A ecografia mamária tem a seu favor o fato de ser um exame de fácil acesso e baixo custo, livre de radiação ionizante e praticamente isento de contraindicações. Dentre as limitações, a principal delas é o fato de ser um exame operador-dependente, onde a experiência em diagnóstico mamário e o uso de equipamento adequado são essenciais para a qualidade do exame. Outras limitações são a baixa sensibilidade para o carcinoma in situ e a investigação de mamas grandes com lesões profundas.

Autor: João Paulo Mendes – médico mastologista
Instagram: dr.joaopaulomendes

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