Anúncio

Lúpus Eritematoso Sistêmico e sua relação com a osteoporose

capa_Lúpus_Eritematoso_Sistêmico_e_sua_relação_com_a_osteoporose.

Índice

ÚLTIMA CHANCE | SÓ ATÉ 30/05

Você só tem +2 dias para garantir sua pós em medicina com até 54% DE DESCONTO no aniversário Sanar.

A sua aprovação no ENAMED 2026, com quem dominou a prova em 2025

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença inflamatória multissistêmica incluída nas doenças autoimunes e caracterizada por manifestações clínicas apresentando períodos de remissão e de exacerbação, porém alguns pacientes apresentam uma doença de atividade contínua.

Suas manifestações se devem principalmente a alterações humorais e celulares, que dão origem a uma excessiva produção de auto anticorpos, que podem tanto causar danos citotóxicos quanto formar imunocomplexos, resultando em uma inflamação tecidual de natureza imunológica.

O termo “lúpus” se deve ao aspecto erosivo de algumas de suas lesões de pele, principalmente por se assemelhar ao dano causado pela mordida de um lobo.

Sua prevalência é maior no sexo feminino, tendo um pico de incidência durante os anos reprodutivos. Há estudos de que crianças e idosos possuem determinantes antigênicos e mecanismos deflagradores diferentes.

O pior prognostico da doença esta encontrado em pessoas de raça negra, sexo masculino, baixo nível socioeconômico e que apresentam trombocitopenia e nefrite importantes.

Nos primeiros cinco anos, a morte geralmente se deve principalmente a atividade da doença e a altas doses de esteroides e infecções, já após esse tempo, normalmente se deve a complicações cardiovasculares decorrentes do seu tratamento, que é realizado com corticoides, e seu uso contínuo pode levar ao desenvolvimento de osteoporose, pois os glicocorticóides estão  associados a um alto índice de incapacitação devido à fraturas.

Etiologia

É uma doença que não está totalmente definida, porém fatores como hormonais, ambientais e genéticos, são importantes na sua patogênese.

Os fatores ambientais podem exacerbar ou desencadear o início da doença, como drogas (desenvolvimento de anticorpos antinucleares), luz ultravioleta (pode precipitar o início ou produzir a agudização da doença quiescente e pode também agravar as manifestações cutâneas e viscerais), o estresse (podem apresentar aumento da atividade da doença durante períodos de fadiga ou estresse emocional) ou infecções (vírus e bactérias têm sido apontados como agentes etiológicos de LES, principalmente o Epstein-Barr (VEB)).

A predisposição genética a doença foi associada a genes localizados no complexo de histocompatibilidade principal e os que codificam componentes do sistema complemento (produção de auto anticorpos anti-antígenos nucleares (FAN), antígenos citoplasmáticos, antígenos de superfície celular e antígenos solúveis na circulação, como IgG e fosfolipídeos).

Os subtipos FANS podem ajudar a estabelecer o diagnóstico, detectar algumas manifestações da doença e, em alguns casos, monitorar a evolução do LES. A presença dos auto anticorpos precede o desenvolvimento dos sinais e sintomas da doença, e os pacientes acumulam diferentes auto anticorpos até que a doença seja diagnosticada.

Há evidências que o IFNα se mostrou presente de maneira exacerbada em 50% dos pacientes.

Relacionado ao fator hormonal, tem-se que os hormônios sexuais, principalmente em mulheres, podem contribuir para o início da doença, indicando que mulheres em idade precoce, uso de anticoncepcionais orais e uso de hormônio pós menopausa, aumentariam o risco de desenvolver LES.

Sobre fatores ambientais, o tabagismo é um grande fator de risco, já que é associado à produção do anticorpo anti-dsDNA nos pacientes com LES.

Complicações

  Osteoporose:

Uso de corticoides é um fator de risco para desenvolver osteoporose em pacientes com LES. Deve-se fazer um rastreamento rotineiro de densidade mineral óssea, e enfatizar o uso de suplementos diários de cálcio e vitamina D (devido à fotoproteção, que faz parte do tratamento, e que tem como efeito adverso a deficiência dessa vitamina) em pacientes com uso contínuo dessas medicações.

O uso desses medicamentos promove a perda de massa óssea, levando a altos riscos de fraturas, que podem ocorrer até mesmo com uso de pequenas doses.

Como fator de risco também temos mulheres pós-menopausa e homens acima dos 50 anos. 

Os efeitos são principalmente sobre as células ósseas, atingindo a formação e a função dos osteoblastos maduros e levando a apoptose dos osteoblastos. Ele atua também nos osteócitos, alterando os mecanismos sensoriais responsáveis pela regulação da reparação óssea, agindo na osteonecrose.

Mecanismo da osteoporose induzida pelos glicocorticóides:

Nosso osso é continuamente renovado, onde os osteoblastos irão produzir matriz proteica, que é o osteóide que posterior a isso será mineralizado, e então teremos uma unidade composta por osteoclastos que são responsáveis por absorver o osso antigo. tudo isso é realizado em equilíbrio, fazendo com que a quantidade de osso reabsorvido e formado seja o mesmo.

O mecanismo deletério dos corticóides levam a uma perda óssea, principalmente devido a ação da droga sobre as células ósseas e sobre suas funções, mas pode também ser por efeitos indiretos, como pela ação sobre o metabolismo do cálcio e vitamina D, pela secreção dos hormônios sexuais e pelo seu efeito sobre a produção de prostaglandinas, citocinas e fatores de crescimento.

Profilaxia:

  • Usar uma menor dose e com menor meia vida.
  • Nutrição adequada.
  • Cessar tabagismo.
  • Prevenção para hiperparatireoidismo secundário com medidas para diminuir hipercalciúria, melhorando a absorção de cálcio.
  • Reposição de hormônios gonadais em mulheres na pós-menopausa ou com ciclo menstrual irregular e em homens com níveis de testosterona reduzidos.
  • Avaliação da densidade mineral óssea antes do uso e a cada 6 meses, e após isso, realizar anualmente.

Tratamento

O tratamento é principalmente sobre a prevenção, já que a perda óssea é assintomática, tendo seu diagnóstico após uma fratura atraumática.

  • Calcitonina: é um inibidor da reabsorção óssea, que inibe a ação dos osteoclastos provocando aumentos moderados da massa óssea, ele também previne a perda da densidade mineral óssea, principalmente quando combinada com a reposição de cálcio e de vitamina D.
  • Bisfosfonatos: também inibem a reabsorção óssea pelos osteoclastos, porém faz isso através da estimulação da apoptose, retardando a absorção óssea. Possuem ação anti reabsortiva, mostrando efeitos satisfatórios na prevenção e tratamento da osteoporose.
  • Fluoreto de sódio: é um potente estimulador da formação de osso trabecular. Ele aumenta a formação óssea e incrementa de forma progressiva a densidade molecular óssea, porém tem ação insignificante no risco de fraturas vertebrais, além de aumentar o risco de fraturas não vertebrais. Sua dose tóxica é muito próxima da dose efetiva, limitando a utilização desses medicamentos, então para minimizar os efeitos ela deve ser associada ao cálcio e a vitamina D.

Autor (a): Kéturi Alves – @ketigabriela

Referências:

  1. Imboden, John, B. e John H. Stone. ATUAL Reumatologia. Disponível em: Minha Biblioteca, (3ª edição). Grupo A, 2014. Pág. 187- 203.
  2. Noções práticas de reumatologia- Vol II/Coord. Caio Moreira e Marco Antônio P. Carvalho. Belo Horizonte: Livraria e Editora Health, 1996, vol. 2.
  3. Gregório, Luiz Henrique. Eventos Médicos. Osteoporose induzida por glicocorticóides-OIG. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia-SBEM. Maio de 2007.
  4. AGUIAR, Igor Antunes ET al. A AÇÃO DOS GLICOCORTICÓIDES NO METABOLISMO ÓSSEO LEVANDO A OSTEOPOROSE. Revista Científica UNIFAGOC-Saúde, v. 3, n. 2, 2018.
  5. Lazaretti-Castro, M., Borba, Vitória C.Z. Osteoporose induzida por glicocorticóides. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, Volume: 43, Número: 6, Publicado: 1999.

O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Compartilhe este artigo:

SanarFlix2.0-color
Garanta seu semestre em Medicina com R$ 200 off no SanarFlix 2.0

Anúncio

📚💻 Não perca o ritmo!

Preencha o formulário e libere o acesso ao banco de questões 🚀