A dor lombar ou lombalgia é um relevante problema de saúde que acompanha o homem desde que este assumiu a postura ereta.
No entanto, tem se tornado mais frequente devido ao aumento do sedentarismo, obesidade e condições de trabalho diversas, tornando este o 3º motivo de consultas médicas, ficando atrás apenas da tosse e rash localizado e, portanto, é uma queixa frequente na Atenção Primária à Saúde (APS).
Com isso, será abordado neste material a lombalgia sob a perspectiva da Medicina de Família e Comunidade (MFC) e não um aprofundamento como pode ser visto nas especialidades como ortopedia.
A Lombalgia
A lombalgia acomete entre 58-84% das pessoas ao longo da vida, é mais comum em mulheres, sendo na maioria dos casos episódios agudos, benignos e autolimitados, de modo que casos crônicos chegam a atingir entre 4,2-14,7% da população brasileira e, no mundo, é a principal causa de incapacidade e um dos principais motivos de ausência do trabalho.
Estudos realizados acerca do tema permitem elencar alguns fatores de risco para a dor lombar, são eles: trabalho física/psicologicamente estressante, obesidade, idade avançada, tabagismo e fatores psicossociais.
Existe forte evidência da associação da lombalgia com o trabalho pesado em que há elevação e vibração do corpo, havendo menor evidência de relação entre as lombalgias e trabalhos estáticos ou postura desconfortável. Logo, quando houver suspeita de lombalgia associada ao trabalho é fundamental orientar o retorno às atividades laborais, porém evitando elevação de objetos pesados e esforços físicos extenuantes.
A lombalgia pode se originar em diversas regiões da coluna lombar (L1-L5), ligamentos, musculatura e fáscia paravertebral, anel fibroso do disco intervertebral, articulações interapofisárias, periósteo, vasos sanguíneos e raízes nervosas.
Os discos intervertebrais permitem a absorção de impactos e a mobilidade da coluna, enquanto que as articulações interapofisárias garantem a estabilização da mesma.
Quando essa dor lombar deixa de ser localizada nessas estruturas e passa a ser irradiada para membros inferiores chama-se o quadro de lombociatalgia que pode ter origem radicular (radiculopatia) causada, por exemplo, por compressão da raiz nervosa por uma hérnia de disco. Porém, como veremos a seguir a radiculopatia/lombociatalgia não é a principal causa de dor lombar.
SE LIGA NO CONCEITO! A maioria das lombalgias são agudas, autolimitadas e de etiologia benigna. Quando irradia para membros inferiores, chama-se radiculopatia ou lombociatalgia.
Imagem: Coluna lombar. Fonte: Adaptado https://vertebrata.com.br/blog; https://www.hong.com.br/tratamento-de-lombalgia-ou-dor-lombar.

Imagem: Hérnia de Disco. Fonte: https://www.fisioterapiaparatodos.com/p/hernia-de-disco/
Classificação e etiologia da Lombalgia
Quanto a classificação, a dor lombar, ou lombalgia, pode ser classificada como:
- aguda, se durar até 1 mês;
- se a duração se estende entre 1-3 meses é considerada subaguda;
- e caso a dor ocorra por pelo menos 3 meses e em pelo menos metade dos dias dos últimos 6 meses, a dor lombar é chamada de crônica.
Além disso, a dor lombar pode ser recorrente, quando um novo episódio ocorre 30 dias após o anterior dentro do período de 1 ano.
Aproximadamente 85% das lombalgias não têm uma causa específica, porém é possível classificar quanto a etiologia da dor lombar como: não irradiada, irradiadas com radiculopatia e visceral/outras causas específicas.
Alguns autores falam em causas mecânicas no lugar de realizar essa divisão quanto a irradiação, no entanto, pelo fato de 70-90% das lombalgias não terem causa específica, sequer uma causa mecânica, tem sido mais utilizada atualmente a classificação como “não específica” no lugar de causas mecânicas. Abaixo, as principais etiologias relacionadas às lombalgias.
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