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Litíase biliar: uma breve revisão fisiopatológica | Colunistas

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De forma simples e direta, a litíase biliar é o processo de formação de cálculos, que podem se localizar de maneira mais frequente na vesícula, ou até mesmo ocupar espaço nos canais biliares, porém, neste último, é de forma inabitual, ocorrendo devido a um processo de estase ou infecção biliar. Ademais, tal doença hepatobiliar é crônica e recorrente, advindo de uma possível deficiência no metabolismo do colesterol, da bilirrubina ou dos ácidos biliares. Com isso, antes de adentrarmos ao assunto em si, vamos fazer uma breve revisão da anatomia da vesícula biliar?

Anatomia da Vesícula Biliar

A vesícula biliar caracteriza-se por ser um órgão oco, localizado na face inferior do lobo direito do fígado, sendo constituída em 3 partes, as quais são:

a. Fundo: tem sua extremidade arredondada, e encontra-se ao redor da margem costal, na linha medioclavicular;

b. Corpo: constitui grande parte da vesícula, está em contato com o fígado, cólon transverso e parte superior do duodeno;

c. Colo: parte estreita que vai ao encontro do ducto cístico. Nessa parte da túnica mucosa há uma prega espiral distinta, similar a uma válvula, a qual auxilia no direcionamento do fluxo da bile.

Além disso, quanto a irrigação, a artéria cística supre a vesícula biliar, o ducto cístico e os ductos hepáticos, sendo aquela originária da artéria hepática direita

Figura 1. Localização anatômica do fígado Fonte: Moore, 2017.
Figura 2.  Vias bilíferas extra-hepáticas e ductos pancreáticos. Fonte: Moore, 2017.  
Figura 3.  Vias bilíferas extra-hepáticas e ductos pancreáticos. Fonte: Grays, 2013.  

Função da vesícula biliar:

A vesícula biliar possui a função de armazenamento da bile, além de absorver água e sais. Os hepatócitos são responsáveis por secretar diariamente de 800 a 1.000 ml de bile, um líquido de coloração amarelo, marrom ou verde-oliva. Ele tem um pH entre 7,6 e 8,6 e é constituído principalmente por água, sais biliares, colesterol, um fosfolipídio chamado lecitina, pigmentos biliares e vários íons.

Sendo os sais biliares, constituídos por sais de sódio e sais de potássio dos ácidos biliares (principalmente ácidos quenodesoxicólico e cólico), sendo utilizados no intestino delgado durante a emulsificação e absorção de lipídios.

Um problema ocorre quando a bile contém sais biliares ou lecitina insuficientes ou excesso de colesterol, o colesterol pode se cristalizar formando cálculos biliares.

Secreção da bile

Os hepatócitos secretam a bile pelos canalículos biliares, havendo a drenagem para os pequenos ductos biliares interlobulares, logo após o conteúdo biliar segue para os grandes ductos biliares coletores da tríade portal intra-hepática. A partir desse momento, tem-se a fusão em ductos hepáticos direito e esquerdo, corroborando para a formação do ducto hepático comum, o qual divide-se em ducto cístico do lado direito e também forma o ducto colédoco.

Ademais, o ducto colédoco une-se ao ducto pancreático para formar a ampola hepatopancreática (ampola de Vater).

Figura 4.  Formação dos ductos biliares Fonte: Moore, 2017.  

Patogenia

Com relação, ao desenvolvimento da litíase biliar, tem-se as seguintes formas:

1.1 Litíase de colesterol:

– Tipo mais comum

– Depende dos seguintes fatores: supersaturação de colesterol, aceleração da nucleação ou até mesmo a hipomotilidade/estase da vesícula biliar.

1º Supersaturação: excesso de colesterol em relação aos sais biliares e fosfolipídios. Há mudança no estado físico da bile, sendo que o  normal é ser uma solução homogênea, mas com essa situação fica um sistema bifásico (colesterol em estado cristalino);

2º Nucleação do colesterol: formação e aglomeração dos cristais de colesterol monoidratado;

3º Crescimento dos cálculos.

1.2 Lama biliar: é precursora da litíase, e acontece devido a mistura de muco, bilirrubinato de cálcio e cristais de colesterol monoidratado, sendo um fenômeno reversível e desaparece com a remoção da causa base à que é a estase biliar ou suspensão do medicamento indutor.

1.3 Litíase pigmentar

 Predomina na Litíase Primária dos ductos biliares, e apresenta sua formação na vigência de algum processo infeccioso. Há a precipitação de bilirrubina na bile, como consequência do aumento da concentração de cálcio ionizado (como acontece no hiperparatireoidismo) ou por aumento de ânions de bilirrubina desconjugada na bile.

Quadro clínico:

Em alguns casos, a litíase pode se dar de forma assintomática, porém, quando é sintomática, cursa com algumas manifestações, sendo o episódio mais comum o surgimento da cólica biliar, também pode relatar dor epigástrica no quadrante superior direito. A dor apresenta-se de forma súbito, intensa, contínua, localizada em hipocôndrio direito e pode ter irradiação para os seguintes lugares: região interesescapulovertebral ou até mesmo região lateral do pescoço. Sendo o período noturno em que mais ocorre, devido a posição em que a vesícula biliar assume na posição horizontal – facilita a movimentação dos cálculos para o ducto cístico.

Ademais, há sintomas vagais como náuseas e vômitos.

Diagnóstico

Em relação ao diagnóstico, a Ultrassonografia Abdominal é considerada padrão-ouro, tem sensibilidade e especificidade de 95% para cálculos com tamanho acima de 2 mm, o cálculo biliar apresenta-se como uma imagem linear ou esférica, hiperecogênica (imagens claras que refletem muito o ultrassom). Ademais, tem-se a radiografia simples – sendo ideal para diagnóstico de cálculos radiopacos – e a ecografia abdominal.

Tratamento

O tratamento possui alguns aspectos a serem considerados.

1.1 Quando indicar? Para paciente com sintomas de dor biliar e cálculos; Paciente com doença biliar complicada;Vesícula em porcelana ou funcionalmente excluída.

1.2 Quanto aos métodos de tratamento:

– Colecistectomia: Colecistectomia aberta; Colecistectomia por videolaparoscopia: método padrão-ouro.

– Métodos de fragmentação: Litotripsia por ondas de choque extracorpóreas;Litotripsia intracorpórea por contato – laser e eletro-hidráulica.

-Uso clínico de sais biliares via oral – o ácido quenodesoxicólico (AQDC) ou ácido ursodesoxicólico (AUDC), sendo indicado para: Pacientes com poucos cálculos de colesterol, diâmetro inferior a 5-10 mm;Vesícula funcionante com ducto cístico pérvio;Pacientes magros e com cálculos que boiam na bile.

Conclusão

De maneira geral, as litíases biliares acontecem devido a diversos mecanismos, desde a afecção da própria vesícula até mesmo cursa com o acometimento dos canais biliares. É de suma importância que o profissional de saúde reconheça de forma perspicaz a clínica do paciente, posto que é um órgão vital para a metabolização de compostos importantes advindos da alimentação. Somado a isso, deve-se utilizar das técnicas diagnósticas, como ultrassonografia e saber classificar de forma individualizada para que paciente receba a melhor forma de tratamento.

Autora: Láiza Mendes

Instagram: @laizamnds


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências

  1. MOORE, Keith L.; DALLEY, Arthur F.; AGUR, Anne MR. Anatomia Orientada Para a Clínica. 7ª Edição. Rio de Janeiro, 2014.
  2. DRAKE, Richard L., VOGL, Wayne A., MITCHELL, Adam W. M. Gray’s Anatomia Básica. 1ª Edição. Rio de Janeiro, 2013.
  3. DANI, Renato; PASSOS, Maria do Carmo F. Gastroenterologia Essencial. 4ª Edição. Rio de Janeiro, 2011.

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