Fernandes, Beatriz Almeida1; Lima, Eryka Regina de1;
Matos, Sabrynna Kefrey Mota1, Igor Alexandre Protzner Morbeck2;
Acadêmica de medicina do 4º período da UCB1; Médico, mestre em
oncologia pela Fundação Antônio Prudente2
O Linfoma de Células T do Adulto (LTA) foi a primeira neoplasia humana relacionada a retrovírus. O vírus linfotrópico para células T humanas tipo I (HTLV-I) foi descoberto em 1980, e, no Brasil, o primeiro estudo de soroprevalência do HTLV foi publicado em 1986, realizado em imigrantes japoneses.
Os HTLV-I/II são retrovírus da subfamília Oncovirinae, que infectam células T maduras (CD3+ e CD4+) e têm características de vírus lento (apresentando período de latência prolongado), envelopado, com duas cópias de RNA+ de fita simples, associada à uma molécula de RNAt. O genoma do HTLV-I contém a região pX que codifica as proteínas reguladoras tax, rex, HBZ, p12, p13, p30 e p21, relacionadas à oncogenicidade viral e proliferação das células infectadas, que podem ser linfócitos B e T, fibroblastos e monócitos, e principalmente células T CD4+.
A transmissão do HTLV-I no organismo ocorre principalmente de célula a célula, ou seja, o contato entre as células infectadas e sadias leva a polarização do centro de organização do microtúbulo, formando uma “sinapse virológica” entre as células envolvidas.
O vírus é transmitido pelas vias: vertical, sexual e parenteral. Embora a maioria dos portadores do HTLV-I não desenvolva doenças associadas, alguns podem manifestar enfermidades de difícil controle, como o LTA e paraparesia espástica tropical/mielopatia associada ao HTLV-I.
A infecção pelo HTLV-I/II ocorre mundialmente, distribuindo-se de acordo com a localização geográfica, fatores étnicos e raciais. Esse vírus é endêmico, principalmente no sudoeste do Japão, ilhas do Caribe, África Central, América Central, sudeste dos EUA e, na América do Sul, sua prevalência é menor.
O diagnóstico do LTA baseia-se em vários aspectos: quadro clínico e laboratorial; morfologia atípica de linfócitos; imunofenotipagem: CD4+, CD8-, CD25+; achados histopatológicos de linfoma não-Hodgkin; detecção de anticorpo anti HTLV-I; integração monoclonal do HTLV-I proviral no DNA de células neoplásicas. O exame anátomo-patológico revela infiltração de espaços perivasculares da epiderme. A sobrevida do paciente com LTA varia de semanas a mais de um ano.
O referido caso trata-se de um paciente de 22 anos, masculino, que relata início do quadro de alopecia sobre as áreas de linfoadenomegalia, sinais flogísticos no couro cabeludo há sete meses, sem cefaleia holocefálica, náusea, vômitos, astenia e febre de 38,5ºC associados. Evoluindo com aumento de múltiplos linfonodos occipitais, submandibulares, submentonianos, cervicais, de cerca de 3cm de diâmetro, indolores, aderidos aos planos profundos, não fistulizados, com formato irregular e sinais flogísticos.
Ao buscar atendimento médico, foi internado. PET-CT, hemograma e USG foram realizados, os quais evidenciaram “massas irregulares” nas regiões torácica e abdominal, uremia e creatininemia e IRA causada pela compressão do rim esquerdo por uma “massa”.
Imunohistoquímica dos nódulos revelou infiltração por células mononucleares de imunofenótipo T (CD3+, CD5+, TdT-, CD34-) e alto índice de proliferação celular; denso infiltrado de linfócitos atípicos comprometendo glândulas salivares. Ressonância mostrou mastoidite bilateral, parassinusoidite maxilar com cisto de retenção maior à esquerda. Após a realização desses exames, o paciente foi diagnosticado com LTA periférico e iniciou tratamento quimioterápico com CHOP e EPOCH, aos quais tem respondido bem.
Palavras-chave: linfoma, jovem, infecção por retrovírus
Trabalho realizado na Faculdade de Medicina da Universidade Católica de Brasília (UCB) – DF
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