Só chegamos até os dias de hoje, como humanidade, a partir do nosso poder de cooperação mútua. Evoluímos como seres sociais, dependentes uns dos outros. Como não lembrar dos recém-nascidos altamente dependentes dos cuidados parentais. Especialmente os primeiros anos de vida só são possíveis em comunidade.
Mesmo quando pensamos em algumas histórias reais onde humanos são criados por outros animais, ou mesmo histórias de fantasia como Mogli – O menino lobo, vimos a necessidade da sociabilidade e do cuidado em comunidade para a nossa sobrevivência. Resumindo, precisamos de colaboração para chegar até onde estamos. Talvez hoje em dia nós estamos tão aglomerados que acabamos por facilitar a disseminação de doenças que se disseminam como o SARS-Cov2.
Uma
leitura muito rica, que já fica de indicação, é o livro do Yuval Noah Harari,
Sapiens – Uma breve história da humanidade. Nele, Harari traz o conceito de Revolução
Cognitiva e o poder de construir realidades imaginadas. Ele detalha, comentando
sobre o nosso poder de superar outros hominídeos, sobre a capacidade de se
articular em grandes grupos, o que só é possível quando temos e acreditamos em
uma imaginação compartilhada. Cita exemplos como a religião, democracia,
capitalismo, dinheiro, entre outros.
Como
poderíamos nos proteger de um agente invisível se não conhecêssemos a biologia
do vírus, sua capacidade infectante e mais, o poder de compartilhar essas
ideias e trabalhar em conjunto?
Na
área da saúde, chega a ser clichê falar em trabalho multiprofissional. Acreditar
que a equipe unida consegue melhores resultados que um sozinho. Isso é
realidade. Hoje em dia temos uma nova fronteira: o trabalho transdisciplinar, o
qual podemos conversar sobre o tema num futuro texto.
Nesses
tempos de coronavírus, estamos observando como o trabalho é maximamente
otimizado (isso inclusive está expondo fragilidades do nosso sistema). Mas
ainda assim, estamos vendo que entre laboratórios, profissionais desses
laboratórios, equipe de epidemiologia, trabalhadores da logística e profissionais
que trabalham diretamente com o paciente, é essencial o trabalho integrado para
que possamos funcionar e superar essa situação.
O
que dizer dos hospitais de campanha, que só são possíveis com muito esforço de
logística, desde a aquisição dos materiais, como organizar seu transporte e sua
construção. É valiosíssimo o trabalho da construção civil – em tempo recorde
conseguem finalizar essas obras – para que as equipes de saúde possam prestar
assistência e assim salvar muitas vidas.
No
mundo, mas especialmente na nossa realidade brasileira, destaco o papel da
imprensa, por exemplo, para conseguir explicar e reexplicar, quantas vezes
forem necessárias, para conseguir sensibilizar sobre as medidas de higiene, a
necessidade de usar máscaras, o uso do álcool em gel e higienização das mãos. Tão
importante quanto, eles desempenham um papel primordial para tentar reduzir as
aglomerações ao explicar sobre a questão do auxílio emergencial.
Falando
nisso, como não citar a importância do trabalho dos bancários, mesmo com tanta
informação na mídia, ainda precisam dar apoio àqueles que necessitam de ajuda
presencial. Dessa maneira, se expondo na pandemia em prol das necessidades da
população nessa situação. Indo além, poderia citar diversas profissões que estão em
destaque nessa situação, como entregadores e equipes de limpeza que também
estão sendo muito demandados nesses dias difíceis e precisam ter seu trabalho
valorizado.
Sendo
assim, acredito que consegui apresentar para você a importância do trabalho em
conjunto para conseguir superar esse período difícil que estamos vivendo. Imagino
que sairemos desse momento estimando e cooperando muito mais uns com os outros
e que trabalhos antes vistos como secundários e de suporte serão analisados com
outros olhos e muito mais valorizados. Uma lição de humildade, comunidade e
respeito será um dos grandes legados dessa pandemia.
Um abraço e fique em casa (se você puder).
Autor: Érico Lucas de Oliveira, Estudante de Medicina.
Instagram: @ericolucasoliveira