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LEUCEMIAS AGUDAS E CRÔNICAS | Colunistas

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As leucemias são um grupo de doenças que surgem de mutações genéticas em células precursoras hematopoiéticas na medula óssea. Classificam-se em leucemias agudas e crônicas, que, por sua vez, subdividem-se em linfóides e mielóides, dependendo da linhagem acometida.

1.  Leucemias agudas

  • Grupo heterogêneo de doenças clonais caracterizadas pela proliferação anormal de progenitores hematopoéticos;
  • Caracterizam-se pela proliferação clonal e pelo bloqueio maturativo das células hematopoiéticas, com substituição difusa da medula óssea por células neoplásicas;
  • Incapazes de amadurecer e de responder aos reguladores naturais de proliferação e morte celular; 
  • Acumulam na MO e prejudicam a produção normal das células sanguíneas (esse acúmulo de células imaturas leva a uma dificuldade de produção de outras cels  paciente tem outras citopenias); 
  • Podem acumular em outros tecidos e órgãos, com comprometimento de função; 
  • São classificadas hoje de acordo com aspectos citomorfológico, citoquímico, imunofenotípico, citogenético e genético-molecular.

QUADRO CLÍNICO: são secundárias à falência da hematopoese e à infiltração de tecidos por células leucêmicas.

  • Fadiga, palidez e fraqueza (relacionadas a anemia);
  • infecções (relacionada a neutropenia);
  • Febre/sudorese noturna (sintomas constitucionais);
  • hemorragias/petéquias e epistaxe (relacionada a plaquetopenia), CIVD (descontrole da coagulação);
  • Hepatomegalia, esplenomegalia, linfadenomegalia, hipertrofia de gengivas, dor óssea, infiltração da pele e do SNC.

ACHADOS LABORATORIAIS:

  • Leucocitose à custa de blastos (mais de 50% dos casos com hiperleucocitose – >100 mil/mm3;
  • Plaquetopenia;
  • Na medula óssea: Encontro de mais de 20% de blastos (mieloblastos ou linfoblastos) = critério diagnóstico;
  • BASTONETES DE AUER: encontrados na leucemia mielóide.

1.1 Leucemia Mieloide Aguda

  • Tipo mais comum de leucemia aguda nos adultos – mais de 90% das leucemias (incidência aumenta com a idade);
  • Menos de 15% das leucemias nas crianças (quando acontece na infância, mais frequente no 1 ano de vida);
  • Nessa leucemia, uma série de mutações genéticas nas células-tronco mieloides resultam na formação de blastos, células que ficam “presas” nos estágios anteriores ao amadurecimento. Essas células não conseguem se tornar maduras, e passam a se multiplicar de forma descontrolada. Os blastos também se desenvolvem rapidamente na medula óssea e passam a atrapalhar o desenvolvimento de células saudáveis. Como resultado, a medula óssea começa a ter uma quantidade enorme de blastos.

1.2 Leucemia Linfóide Aguda

  • Tipo mais comum de leucemia na infância;
  • Apenas 15% das leucemias nos adultos com maior incidência entre 25 e 37 anos;
  • Sobrevida de 20% a 30% em adultos e de 80% a 90% em crianças;
  • Na leucemia linfoide aguda (LLA) surge um linfócito imaturo e danificado na medula óssea, devido a um erro em seu material genético (DNA). Esses erros genéticos podem dar origem a uma célula blástica leucêmica (linfoblasto ou blasto leucêmico) que fica parada nos primeiros estágios do desenvolvimento celular. A célula blástica imatura não amadurece e não se transforma em uma célula sanguínea funcional.
  • Os erros genéticos fazem com que a célula mutante cresça e se divida continuamente, ao passo que uma célula saudável, cessa de se dividir e acaba morrendo. Cada linfoblasto que surge, depois do aparecimento da leucemia, tem o DNA mutante e se multiplica incontrolavelmente. Os blastos leucêmicos rapidamente se acumulam na medula óssea, suprimindo o desenvolvimento de células sanguíneas normais e saudáveis. Como resultado, há um acúmulo de linfoblastos que não funcionam e poucas células sanguíneas maduras.

2.  Leucemias Crônicas

São doenças de progressão lenta, permitindo o crescimento de maior número de células já desenvolvidas.

2.1 Leucemia Mielóide Crônica

  • 15% das leucemias do adulto;
  • 40 a 50% assintomáticos ao diagnóstico (na leucemia aguda o paciente não é assintomático);
  • Neoplasia mieloproliferativa clonal (linhagem mielóide);
  • Translocação cromossômica recíproca (do braço longo) t(9,22) = cromossomo Philadelphia (Ph1) = gene anômalo BCR/ABL (fusão dos 2 cromossomos – sintetização de RNA com atividade tirosinaquinase = proliferação celular).
  • Pacientes com LMC apresentam uma superprodução de glóbulos brancos e normalmente têm uma evolução lenta no crescimento das células doentes ao longo do tempo

DIAGNÓSTICO:

  • Leucocitose com neutrofilia/eosinofilia/eosinofilia às custas de células maduras “escalonadas”. Sem plaquetopenia e sem anemia (na fase crônica, já que as células amadurecem);
  • Anemia normocítica e normocrômica;
  • hepatoesplenomegalia volumosa;
  • Identificação do Ph1+ em cariótipo;
  • Identificação da translocação BCR-ABL por PCR (diagnóstico de certeza).

2.2 Leucemia Linfoide Crônica

  • Idade mediana ao diagnóstico de 65 anos, raras em pessoas com menos de 50 anos (não tem na infância);
  • É a segunda mais comum entre todas as leucemias
  • Predomina no sexo masculino 2:1;
  • Acúmulo progressivo de linfocitos maduros, mas imunologicamente incompetentes, nos linfonodos, fígado, baço e MO = hepatoesplenomegalia e insuficiência medular (linfócito acumula e dificulta a produção das células).

QUADRO CLÍNICO:

  • A maioria é assintomática;
  • Fraqueza, perda de peso, febre e sudorese noturna, linfonodomegalia, esplenomegalia e hepatomegalia;
  • Complicações auto-imunes: AHAI, trombocitopenia e aplasia de série eritrocítica.

QUADRO LABORATORIAL:

  • Leucocitose com linfocitose persistente: >5.000 linfócitos/mm³ por mais de 3 meses, Manchas de Gumprecht;
  • Anemia normocítica e normocrômica;
  • Infiltração da medula óssea >30% linfócitos = citopenias.

3.  Conclusão:

A identificação correta dessas categorias e subtipos possibilita ao médico a decisão sobre o melhor tratamento a ser ministrado, assim como definir o prognóstico dos pacientes. Os  métodos utilizados para a identificação das leucemias são baseados em critérios morfológicos, citoquímicos e de imunofenotipagem.

AUTORA: Julia Florenzano Soares

Instagram: @juflorenzano // @juf.med


O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o assunto.

Observação: material produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar junto com estudantes de medicina e ligas acadêmicas de todo Brasil. A iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo produzido. Eventualmente, esses materiais podem passar por atualização.

Novidade: temos colunas sendo produzidas por Experts da Sanar, médicos conceituados em suas áreas de atuação e coordenadores da Sanar Pós.


Referências:

ZAGO, Marco Antônio; FALCÃO Roberto Passeto; PASQUINI Ricardo. Tratado de Hematologia. 1. ed. São Paulo: Atheneu, 2013.

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