Introdução geral sobre leucemia linfoide crônica
A Leucemia Linfoide Crônica (LLC) é a doença linfoproliferativa crônica mais comum que acomete principalmente idosos, raramente ocorre em pacientes jovens.
É uma neoplasia que leva à intensa alteração na imunidade humoral e seu tratamento gera defeitos de imunidade mediada por linfócito T, fagocitária e acentuação de depressão na imunidade humoral.
É uma doença rara de proliferação lenta, que ocorre devido a um erro genético e os linfócitos passam a se desenvolver de forma descontrolada e param de realizar suas funções. A leucemia linfoide é considerada crônica, pois essa alteração provoca o crescimento desordenado de linfócitos B, que impede a produção das células normais. Ou seja, ao mesmo tempo em que há uma produção de células com problemas, causando acúmulo na medula óssea, por outro lado o processo de fabricação e maturação das células saudáveis segue acontecendo de forma normal.
Muitas vezes a leucemia linfoide crônica é detectada em exames de rotina, pois a característica principal é o aumento do número de linfócitos no hemograma; algumas vezes pode haver anemia e/ou plaquetopenia.
Fisiopatologia
Os linfócitos B CD5+ sofrem transformação maligna. Os linfócitos B são continuamente ativados pela aquisição de mutações que levam à linfocitose de linfócitos B monoclonais (LBM). Acúmulo adicional de anomalias genéticas e subsequente transformação oncogênica dos linfócitos B monoclonais levam à leucemia linfoide crônica.
Os linfócitos se acumulam inicialmente na medula óssea e então se disseminam para os linfonodos e outros tecidos linfoides, com o tempo induzindo à esplenomegalia, hepatomegalia e sintomas sistêmicos como:
- Fadiga
- Febre
- Sudorese noturna
- Saciedade precoce
A hematopoiese anormal pode resultar em diminuição da produção de imunoglobulina. A leucemia linfoide crônica pode evoluir para leucemia prolinfocítica de linfócitos B e pode se transformar em linfoma não Hodgkin de grau mais alto.
Manifestações clínicas
Os principais sintomas decorrem do acúmulo de células defeituosas na medula óssea, prejudicando ou impedindo a produção das células sanguíneas normais. A diminuição dos glóbulos vermelhos ocasiona anemia, redução dos glóbulos brancos provoca baixa da imunidade, deixando o organismo mais sujeito a infecções, muitas vezes graves ou recorrentes. A diminuição das plaquetas ocasiona sangramentos, sendo os mais comuns das gengivas e pelo nariz e manchas roxas (equimoses) e/ou pontos roxos (petéquias) na pele.
Os sintomas aparecem gradualmente e podem incluir:
- Sensação de fraqueza
- Sensação de cansaço
- Perda de peso
- Febre
- Sudorese noturna
- Aumento dos linfonodos
- Sensação de saciedade
Caso a doença afete o sistema nervoso central (SNC), podem surgir dores de cabeça, náuseas, vômitos, visão dupla e desorientação.
Depois de instalada, a doença progride rapidamente, exigindo que o tratamento seja iniciado logo após os diagnósticos e a classificação da leucemia.
Epidemiologia
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que para cada ano do triênio 2020/2022, sejam diagnosticados no Brasil 5.920 casos novos de leucemia em homens e 4.890 em mulheres. Esses valores correspondem a um risco estimado de 5,67 casos novos a cada 100 mil homens e 4,56 casos novos para cada 100 mil mulheres.
Estimativas de novos casos: 10.810, sendo 5.920 homens e 4.890 mulheres (2020 – INCA).
A leucemia linfoide crônica é responsável por cerca de um quarto dos novos casos de leucemia. O risco de uma pessoa desenvolver leucemia linfoide é um pouco maior em homens do que em mulheres.
Diagnóstico
O principal exame de sangue para confirmação da suspeita de leucemia é o hemograma. Em caso positivo, o hemograma estará alterado, mostrando na maioria das vezes um aumento do número de leucócitos (na minoria das vezes o número estará diminuído), associado ou não à diminuição das hemácias e plaquetas. Outras análises laboratoriais devem ser realizadas, como exames de bioquímica da coagulação, e poderão estar alteradas.
Algumas vezes pode ser necessária a realização da biópsia da medula óssea.
Normalmente é detectado no exame de sangue através do hemograma completo, mas há a necessidade de exames como:
- Citometria de fluxo do sangue periférico
- Imunofenotipagem e cariótipo
- FISH
- Genética molecular
Tratamento
Na leucemia linfoide crônica agente quimioterápicos, imunológicos (anticorpos monoclonais) e agentes orais podem ser utilizados no tratamento. A escolha dependerá de aspectos clínicos do paciente (como idade, presença de outras doenças, capacidade de tolerar quimioterapia) e da doença.
Dentre os diferentes tratamentos, temos a quimioterapia (não é sempre necessária e em alguns casos contraindicado), a imunoterapia, os medicamentos alvo específicos, como os inibidores da tirosina-quinase BTK, e inibidores de PI3Ki.
Os transplantes de medula óssea são raramente indicados para pacientes com leucemia linfoide crônica.
O tempo para o primeiro tratamento é variável. O tratamento é recomendado somente quando um paciente apresenta sintomas relacionados à doença. Algumas variáveis se correlacionam de forma consistente e independente ao tempo para o primeiro tratamento.
Conclusão
Como escrito durante o texto, a leucemia linfoide crônica é caracterizada pelo acúmulo progressivo de linfócitos B malignos fenotipicamente maduros. Os locais primários da doença incluem sangue periférico, medula óssea, baço e linfonodos. Os sinais e sintomas podem estar ausentes ou podem incluir linfadenopatia, esplenomegalia, hepatomegalia, febre, sudorese noturna e saciedade precoce. O diagnóstico é por citometria de fluxo e imunofenotipagem do sangue periférico. O tratamento é adiado até que os sintomas se desenvolvam e geralmente envolve quimioterapia e imunoterapia. Mas os tratamentos estão evoluindo e os esquemas de primeira linha podem incluir agentes direcionados como inibidores da tirosina-quinase (BTK) e Bcl-2, com ou sem quimioterapia.
Referências
American Cancer Society (Principais estatísticas para leucemia linfocítica crônica) – https://www.cancer.org/cancer/chronic-lymphocytic-leukemia/about/key-statistics.html
Scielo Brasil (Epidemiologia, tratamento e profilaxia das infecções na leucemia linfoide crônica) – https://www.scielo.br/j/rbhh/a/T7vBpvpJ8NXjKjmrdPgVVcy/?lang=pt
Scielo Brasil (Indicações para início de tratamento na leucemia linfoide crônica) –https://www.scielo.br/j/rbhh/a/9rZwtsPHMsW6Ps6gHmRNPkR/?lang=pt
Hemocentro Unicamp (Leucemias e linfomas) – https://www.hemocentro.unicamp.br/doencas-de-sangue/leucemias-e-linfomas/
INCA (Leucemia) – https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/leucemia
Autora: Lígia Soares Tissi
Instagram: @ligiatissi_
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